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TIM demite CEO Amos Genish em meio a planos de comprar Nextel

Amos Genish, fundador da GVT, confirmou que a TIM quer comprar a Nextel após uma mudança de regra da Anatel

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13/11/2018 às 12h47

A Telecom Italia, dona da TIM Brasil, está passando por uma guerra de acionistas. O conselho de administração revogou todos os poderes do CEO Amos Genish, conhecido por fundar a GVT e comandar a Vivo. O executivo anunciou há alguns dias que a TIM está interessada em comprar a Nextel após uma mudança de regra da Anatel. Agora, o negócio parece mais incerto.

Amos Genish

Durante uma conferência com investidores na sexta-feira (9), Genish confirmou que a TIM faria uma proposta não-vinculante para comprar a Nextel. “Não podemos revelar detalhes da atividade, mas posso dizer que temos interesse nos ativos”, explicou o então CEO.

Genish diz que o ativo mais interessante para a TIM é “espectro complementar”. Segundo o TeleSíntese, a operadora vem usando todas as suas faixas de frequência para ampliar a cobertura 4G.

O espectro é um recurso finito, e a TIM já estava no limite máximo que uma operadora máxima pode deter (chamado de spectrum cap). No entanto, a Anatel ampliou esse limite na semana passada, de modo que ela poderia manter as frequências da Nextel caso fizesse a aquisição.

Na semana passada, Genish deixou claro que a compra da Nextel estava longe de ser confirmada: “estamos em fase inicial”. No entanto, com sua demissão, isso parece mais incerto. Rumores dizem que Vivo e Claro também estão interessadas.

Empresa é acusada de “desestabilizar” Telecom Italia

Genish foi nomeado CEO em setembro de 2017 pelo grupo francês Vivendi, maior acionista da Telecom Italia. No entanto, segundo a agência italiana de notícias Ansa, ele perdeu o apoio da gestora de recursos Elliott — que controla o conselho de administração. A Vivendi acusa a Elliott de querer “desmantelar” e “desestabilizar” a operadora.

Na última sexta-feira (9), a Telecom Italia divulgou seu resultado financeiro do terceiro trimestre. Ela sofreu prejuízo de US$ 1,6 bilhão devido a uma baixa contábil na Itália. A TIM Brasil, por sua vez, teve lucro líquido de R$ 338 milhões no mesmo período.

A situação está relativamente boa no Brasil, mas a TIM Italia se encontra em apuros há anos. A internet fixa sofre forte concorrência da Open Fiber, e a divisão móvel disputa espaço com a Iliad, que oferece preços mais baixos. Ela não paga dividendos para os acionistas desde 2013.