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Interesse pelo iPhone cai no mundo mas cresce no Brasil, segundo Google Trends

No Brasil, o interesse pelo iPhone da Apple aumentou durante a crise entre 2014 e 2016, assim como as vendas de celulares caros

Felipe Ventura Por

O interesse pelo iPhone ao redor do mundo atingiu um pico em 2012 e, desde então, não chegou a esse mesmo patamar. Dados globais do Google Trends mostram que a popularidade nas buscas geralmente sobe em cada mês de setembro, quando a Apple lança novos modelos, mas sempre em níveis inferiores. Enquanto isso, considerando apenas o Brasil, o interesse aumentou a cada ano, chegando a picos máximos no lançamento do iPhone 7 e do iPhone X durante a crise econômica.

Interesse no mundo atingiu picos com iPhone 5 e 6/6 Plus

O Google Trends mede o interesse de pesquisa por um determinado termo, como “iPhone”, em relação a seu pico histórico de popularidade. O ponto mais alto no gráfico tem o valor 100, e os outros pontos são calculados com base nele. Por exemplo, o valor 50 indica que o termo teve metade da popularidade em relação ao pico histórico. A ferramenta é aberta para todos os usuários; acesse-a aqui.

Como nota a Bloomberg, a linha de interesse por “iPhone” no mundo inteiro atinge um pico em setembro de 2012. Isso coincide com o lançamento do iPhone 5, anunciado cerca de um ano após a morte de Steve Jobs. Ele veio com uma tela de 4 polegadas, maior que de seus antecessores (de 3,5 polegadas); e foi o primeiro a adotar o conector Lightning.

Também tivemos um pico bastante alto em setembro de 2014. Foi outro momento de mudança para a Apple: ela finalmente adotou telas grandes e lançou o iPhone 6 e 6 Plus com telas de 4,7 e 5,5 polegadas, respectivamente. Essa também foi a época do “bendgate”: algumas unidades dos aparelhos entortavam com facilidade. Desde então, os picos foram sempre mais baixos.

A linha do Google Trends segue basicamente a mesma trajetória se restringimos os dados para os EUA. O mesmo vale para outros países desenvolvidos como Alemanha, França, Reino Unido, Canadá e Austrália.

Interesse por iPhone no Brasil aumentou na crise

No Brasil, o comportamento de buscas no Google é bem diferente. O interesse aumentou constantemente por muitos anos e atingiu diversos picos recentemente: no final de 2014 (iPhone 6 e 6 Plus), final de 2016 (iPhone 7 e 7 Plus) e final de 2017 (iPhone X, iPhone 8 e 8 Plus).

Além disso, o Google estima que tivemos outro pico agora em novembro usando dados parciais. A Apple lançou o iPhone XR, XS e XS Max este mês no Brasil; os preços começam em R$ 5.199.

Por que o iPhone está atraindo maior interesse no Brasil que no restante do mundo? Será que todo mundo está curioso por causa dos preços altos? Ou as pessoas querem comprá-lo por causa dos preços altos?

Venda de smartphones caros cresceu no Brasil

Eu tenho um palpite. Acompanhe o raciocínio: o Brasil entrou em uma crise econômica em 2014, com quedas no PIB (Produto Interno Bruto) a cada trimestre, chegando a seu pior nível no final de 2016. Só conseguimos sair da recessão técnica em 2017, mas ainda levaremos alguns anos para reverter as perdas desse período.

No entanto, a venda de smartphones de “luxo” — isto é, acima de R$ 3 mil — não parou de crescer. Segundo a consultoria IDC, o volume foi de 490 mil unidades no primeiro trimestre de 2016, mais que o dobro se comparado ao mesmo período do ano anterior. Computadores caros também tiveram um bom aumento nas vendas.

Alguns fatores ajudam a explicar isso. Os clientes de alta renda não são afetados pela crise e continuam pagando caro por smartphones. E quem não é rico paga parcelado e consegue adquirir — e mostrar para os outros — um celular mais caro. “Quem compra um smartphone premium quer colocar o aparelho em cima da mesa no bar com os amigos para mostrar como é diferenciado”, explicou Renato Citrini, gerente de produtos da Samsung, ao Estadão.

Não se trata apenas de status: algumas pessoas querem um smartphone que dure mais tempo e estão dispostas a pagar mais por isso. O iPhone recebe atualizações da Apple por cerca de cinco anos, então mesmo modelos antigos podem ser interessantes. É algo que notamos no Google Trends: o interesse pelo iPhone 7 é mais alto que de modelos mais recentes no Brasil, considerando as buscas dos últimos 12 meses.

O volume de buscas no Google não se reflete necessariamente em vendas. Por exemplo, o interesse por “iPhone” diminuiu no mundo inteiro, mas a Apple vende muito mais iPhones hoje (217 milhões estimados para 2018) que no pico de popularidade em 2012 (125 milhões no ano). E como lembra o Cult of Mac, os consumidores podem obter informações por meios que o Google não consegue medir — pelo Facebook, por exemplo.

No entanto, os dados do Google Trends mostram como o interesse pelo iPhone vem evoluindo de forma diferente no Brasil e em países mais ricos. Parece ser um efeito da nossa crise econômica em vários sentidos: há quem esteja disposto a pagar preços mais altos, que a Apple cobra para compensar a desaceleração no volume de vendas; e há quem procure um celular que dure mais tempo recorrendo a modelos anteriores.

Comentários

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Shari Tweten

Hey I wanna ċhαt with you😏
https://google.com/#btnI=ru...
My id #737563

Maysa Gois

Claro, só sendo brasileiro mesmo pra dar 5mil, 6mil em um celular.

Drax

Tanto não faz que usuário comum nem sabe de nada sobre atualizações, as vezes até reclamam pq o aparelho reinicia sozinho e retorna diferente, ou com bugs

Drax

uma amiga da minha noiva comprou nessas condições, mas não tinha crédito ¬¬

Mickão

Todo mundo percebeu que existem opções muito melhores e mais baratas, menos o povo mais pica das galáxias.

Peter Bishop

Brasileiro e o burrismo: um caso de amor

charles

devo confessar que pesquiso sim a respeito do nome iphone no google, mas porque eu esteja olhando não significa que eu va comprar um, boicoto totalmente essa marca pelo bem do Brasil e do Brasileiro, eu apenas pesquiso para ver os preços absurdos que esses iphones tem apenas por curiosidade, não tenho interesse nenhum em possuir um, nem me ofereção um que eu não quero nem de graça que ainda teria prejuízo caso fosse de graça, nunca tive um, não tenho raiva de quem compra contanto que não saia do meu bolso não tem problema em voces contianuarem comprando, e por último mesmo se a apple mudasse, alterasse os preços para algo justo algum dia ainda não compraria por que essa marca ta queimada comigo e não apagara jamais.

Jefferson Rodrigues

Eu pago, no máximo, R$ 700 em um smartphone. Passou disso, já vejo como desperdício.

Jefferson Rodrigues

Só pra constar: falta de atualização nao quebra o smartphone. Você pode usá-lo por quatro anos que ele vai funcionar da mesma forma.

Keaton

Eu sinto falta dos aparelhos como o Moto E 2015, que era bem usável na época e saiu por meros 399 reais... (ainda uso o meu. hahaha)

Funciona. Não é (e nunca foi) top, mas para fazer ligação, wpp, telegram e etc funciona. Prefiro gastar o dinheiro em outras coisas. Como um SSD ou mais RAM. (no caso de tecnologia)

Maicon Bruisma

Sou. Inclusive comprei um iPhone Xs Max aqui no Brasil e pedi uma impressão da nota na capa que comprei

Arley Martins

Eu acho que agora nesse mês foi alto a procura por especulação de qual seria o preço. Vejo poucas pessoas com o Iphone X. Xs e XSmax até hoje so vi 1. Gastar 6K em um celular muita gente ja caiu na real. Ou compra la fora ou não compra, mesmo dividindo em 12x ou 18x é uma parcela muito pesada e em plano de celulares tbm. Ao meu ver atingiu um preço que não tem como mais fazer loucura mesmo a pessoa querendo.
Não é qualquer um que tem um cartão de credito com limite superior a 7 mil reais pra gastar.

gicapp

A tela do X realmente estou por fora, o que me referi como exemplo, era do 7 (e possivelmente o 8 não muda muito o valor).

gicapp

Lembrando que a Samsung chega levar 20 dias pra te devolver o aparelho (dependendo da localidade). Às vezes o cliente não quer ou não pode esperar. Então cria-se um mercado paralelo pra essa situação.

gicapp

Não tem link, são distribuidoras (ao menos desconheço algum site). Compra com CNPJ na maioria dos casos (e quando não compra sai mais caro). Tem que incluir o preço da mão de obra. A Ideia que comentei dos valores não é pra venda direta, o que eu quis apenas ilustrar é que há um vasto mercado disso e que o custo não é alto, dá pra ter manutenções com preços bons e provavelmente qualquer cidade maior já têm as lojas/fornecedores desse tipo.

Dito isso, o custo x benefício nos iPhones, apesar de caros, são melhores que de muitos Androids topo. Levando, claro, em consideração o caso já citado das telas dos Samsungs diferentes em tecnologia e isso agrega custo.

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