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Amazon propõe antecipar pagamentos para editoras em meio à crise da Cultura e Saraiva

Amazon paga entre 60 e 90 dias; prazo seria encurtado com taxas mais baixas, segundo carta enviada às editoras

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29/11/2018 às 11h08

Duas das principais redes de livrarias do Brasil, Cultura e Saraiva, mergulharam em uma crise profunda e pediram recuperação judicial para evitar a falência. Juntas, elas devem cerca de R$ 280 milhões às editoras. Para tentar amenizar o problema, a Amazon enviou uma carta propondo antecipar os pagamentos às editoras e se oferecendo inclusive para imprimir as obras.

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O mercado editorial segue uma dinâmica própria: em vez de comprar livros para revendê-los, as livrarias geralmente recebem lotes das editoras para remunerá-las conforme as vendas vão sendo realizadas. Trata-se de um sistema conhecido como consignação. Com a crise das livrarias, as editoras não têm recebido pelos livros que forneceram e que, em muitos casos, foram comercializados há tempos.

Hoje, a Amazon paga às editoras pelos livros que vende entre 60 e 90 dias, de acordo com o Valor. A proposta da empresa americana é “realizar pagamento antecipado de seus recebíveis com a Amazon em taxas mais baixas que as de mercado”. Também existe a possibilidade de a loja adquirir obras devolvidas, oferecer um percentual das vendas online para as editoras e melhorar as condições para e-books do Kindle.

Embora seja a maior varejista online do mundo, a Amazon ainda engatinha no Brasil: ela é responsável por apenas 10% das vendas de livros no país, enquanto a Cultura e a Saraiva representam cerca de 40% do setor. Com a crise das livrarias tradicionais, há espaço para a companhia de Jeff Bezos crescer por aqui.

A Amazon pede que as editoras não cancelem ou adiem lançamentos sem conversar antes. O fundador da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, afirmou no blog da editora na terça-feira (27) que as empresas “já vêm diminuindo o número de livros lançados, deixando autores de venda mais lenta fora de seus planos imediatos, demitindo funcionários em todas as áreas”.

Segundo Schwarcz, com a crise, “dezenas de lojas foram fechadas, centenas de livreiros foram despedidos, e as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus recebimentos – gerando um rombo que oferece riscos graves para o mercado editorial no Brasil”.