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Ashley Madison conta com o Brasil para crescer após vazamento

O site que permitiu a exposição de dados de milhões de usuários tem no Brasil seu segundo maior mercado

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03/12/2018 às 15h06

A rede de relacionamentos extraconjugais Ashley Madison ainda se recupera do enorme vazamento de dados de 2015. A empresa reformulou as áreas de segurança e privacidade e, para crescer, conta com o Brasil, onde registrou mais de 150 mil casos apenas no mês passado.

Em entrevista ao Tecnoblog, Ruben Buell, presidente da Ruby, controladora da Ashley Madison, lembra que o Brasil é o segundo maior mercado do site, atrás apenas dos Estados Unidos. Dos cerca de 55 milhões de usuários da empresa, 8,9 milhões estão por aqui.

Desde 2017, Ruben Buell é presidente da Ruby, controladora da Ashley Madison

Desde 2017, Ruben Buell é presidente da Ruby, controladora da Ashley Madison (Foto: Divulgação)

“Estamos buscando dobrar o ritmo de crescimento no Brasil no próximo ano. É um foco enorme para nós”, afirma Buell.

Em um levantamento com as dez cidades no mundo onde a Ashley Madison é mais popular, três são brasileiras: São Paulo (1º), Rio de Janeiro (3º) e Brasília (8º). A lista não indica números absolutos e, sim, a proporção entre usuários ativos e a população local.

A cada mês, a rede tem 138 mil novos membros no Brasil, onde a média de idade é de 32 anos para mulheres e 33 anos para homens. Chama a atenção no país a grande presença feminina: para cada homem ativo cadastrado na plataforma em 2017, há cerca de 1,91 mulher.

Na proporção de mulheres cadastradas, o Brasil ainda perde para a Colômbia, onde a cada homem, há 2,39 mulheres. A proporção global na Ashley Madison é de 1 para 1,13. Na Austrália, por exemplo, a taxa se inverte: para cada homem, há 0,79 mulher.

“Vemos que a mulher no Brasil está tomando mais controle sobre sua vida sexual e mostrando mais independência em relação ao que elas querem. Essa é uma das coisas que leva a um crescimento maior”, analisa Buell.

O levantamento sobre a proporção dos usuários foi realizado pela Ernst & Young, contratada pela Ashley Madison em 2017. A empresa analisou algumas estatísticas e verificou os pontos críticos da empresa.

Bots nunca mais

Uma das questões avaliadas pela consultoria foi o uso de bots. Em 2016, a Ashley Madison admitiu ter usado robôs para atrair novos usuários. A estratégia se baseava em criar perfis falsos de mulheres para entrar em contato com homens.

Para responder às mensagens, eles eram obrigados a pagar por novos créditos. O método foi tão usado que, à época, 80% das compras iniciais no site eram feitas por homens que tentavam falar com bots.

Segundo a Ernst & Young, isso realmente ocorreu em anos anteriores. Porém, os robôs deixaram de ser usados ainda em 2015. A consultoria diz não ter encontrado, em análise feita em 2018, qualquer indício da existência de bots no sistema.

“Bots ou coisas dessa natureza não criam relacionamentos duradouros”, diz Buell. Para o executivo, o trabalho feito após os robôs serem dispensados permitiu que o número de conversas mensais dobrasse em 2017.

“É nisso que nos concentramos, é a interação entre humanos, usuários encontrando usuários, encontrando aquela conexão, a faísca que precisam. Isso que é importante, que realmente precisa ser construído”, afirma.

A Ashley Madison registra mais de 40 mil novas conversas por dia

A Ashley Madison registra mais de 40 mil novas conversas por dia (Foto: Divulgação)

Foco na segurança

O vazamento de dados da Ashley Madison afetou mais de 36 milhões de usuários. O incidente expôs nome, endereço e números de telefone e de cartão de crédito. Várias pessoas se tornaram vítimas de extorsão ou foram demitidas de seus empregos. Algumas chegaram até a se suicidar.

Para evitar mais brechas, a Ashley Madison contratou novos responsáveis para as áreas de segurança e privacidade. A empresa também revisou toda a sua estrutura de segurança, incluindo bancos de dados, redes corporativas e a interface para os usuários.

“Basicamente, estamos reconstruindo a empresa do zero”, resume Buell. “Uma das coisas que sabemos é que segurança precisa ser o foco de cada funcionário, desde quando eles chegam até o momento em que vão embora do escritório à noite”.

Hoje, a empresa registra cerca de 40 mil novos casos por dia, o que representa 28 contatos novos por minuto. Os números fazem a avaliação pós-vazamento ser positiva. “Nos recuperamos muito bem a partir de 2015 e continuamos a conquistar a confiança dos nossos consumidores”, diz Buell.

Ashley Madison deseja aceitar pagamentos em real

Pensando em seu crescimento, a Ashley Madison aposta em tornar seu serviço cada vez mais local. Isso envolve desde a tradução das páginas do site até a possibilidade de pagar por créditos nas moedas de cada país.

A plataforma permite comprar pacotes de créditos ou contratar planos de assinatura, mas apenas em dólar. Ao se tornar mais local, o objetivo é manter o crescimento da base de usuários. Aliado a isso, está o cuidado em evitar que uma pessoa seja descoberta no site sem o seu consentimento.

“Você pode ver como a discrição funciona no site do momento em que você se cadastra até você postar uma foto ou ligar para nós”, exemplifica Buell. Segundo ele, a possibilidade de manter uma conta de forma reservada é o que mais diferencia a plataforma de serviços como o Tinder.

“A Ashley Madison cria uma comunidade para pessoas que estão procurando a mesma coisa”, afirma Buell. “Se você estiver em um site de namoro diferente, você está misturado com pessoas solteiras.”

E o executivo tenta desfazer uma imagem que muitos têm sobre o site: “nossos usuários estão aqui, muitas das vezes, não porque querem sair do casamento, mas porque há uma parte do casamento deles que não está funcionando”.

Buell ainda defende que a Ashley Madison ajuda a preencher essa necessidade. “É realmente uma alternativa ao divórcio ou à destruição de uma família.”

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