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Google e Mozilla divergem sobre Microsoft Edge adotar base do Chrome

Google e Opera apoiam mudança, enquanto Mozilla diz que isso "entrega ainda mais controle da vida online para o Google"

Felipe Ventura Por

O Microsoft Edge vai usar o Chromium, base de navegadores como Chrome e Opera, a partir de 2019. Ele poderá ser instalado no Windows 7 e Windows 10, e terá suporte às extensões do Chrome. O Google e a Opera apoiam a mudança, enquanto a Mozilla diz que isso “entrega ainda mais controle da vida online para o Google”.

O Google vê a adoção do Chromium no Edge como algo positivo. É algo esperado, já que a empresa criou o navegador de código aberto há dez anos. A Opera diz que a Microsoft está seguindo seus passos (ela fez o mesmo em 2012). Enquanto isso, a Mozilla acredita que essa decisão “dá ao Google mais capacidade de decidir sozinho quais possibilidades estarão disponíveis para cada um de nós”.

“O Chrome vem sendo um defensor da web aberta desde o início, e damos boas-vindas à Microsoft na comunidade de colaboradores do Chromium”, diz o Google ao VentureBeat. “Estamos ansiosos para trabalhar com a Microsoft e a comunidade de padrões da web para promover a web aberta, apoiar escolhas ao usuário, e proporcionar excelentes experiências de navegação.”

“Percebemos que a Microsoft parece estar seguindo os passos do Opera”, diz um porta-voz. “Mudar para o Chromium é parte de uma estratégia que o Opera adotou com sucesso em 2012. Essa estratégia foi proveitosa para nós, permitindo nos concentrar em trazer recursos exclusivos para nossos produtos.”

Mozilla: decisão da Microsoft pode ser prejudicial

Para a Mozilla, a decisão da Microsoft pode dificultar a existência do Firefox no futuro. O CEO Chris Beard explica no blog oficial:

Se um produto como o Chromium tem participação de mercado suficiente, torna-se mais fácil para desenvolvedores e empresas da web decidirem não se preocupar se seus serviços e sites funcionam com algo diferente do Chromium. Foi o que aconteceu quando a Microsoft detinha o monopólio de navegadores no início dos anos 2000, antes de o Firefox ser lançado. E isso pode acontecer novamente.

Os navegadores baseados no Chromium já representam 76% dos acessos no desktop, segundo o StatCounter; isso inclui o Opera, UC Browser e Vivaldi, além do próprio Google Chrome. Esse valor pode ultrapassar os 80% quando o Microsoft Edge entrar na lista.

Enquanto isso, a participação do Firefox não para de cair; ele tem 9,1% atualmente em desktops (contra 12% há um ano). Em celulares e tablets, sua presença é de míseros 0,4%.

O CEO da Mozilla escreve: “competimos com o Google não porque esta seja uma boa oportunidade de negócio. Competimos porque a saúde da internet e a vida online dependem da concorrência e da escolha”.

Essa é uma disputa difícil porque “o Google está muito perto de controlar quase completamente a infraestrutura de nossas vidas online”, diz Beard. A empresa tem o domínio das buscas, publicidade, smartphones e captura de dados; ela possui “funcionários altamente talentosos e uma participação monopolista em ativos exclusivos”.

A Microsoft diz que adotou o Chromium para melhorar a compatibilidade com os sites e reduzir a fragmentação para desenvolvedores web. Ela abriu as inscrições do programa Edge Insider para quem quiser testar, no ano que vem, o navegador baseado no Chromium. Você pode se cadastrar aqui para receber novidades.

Com informações: VentureBeat, Mozilla.

Tecnocast 070 – É o fim da guerra dos browsers?

Em um passado muito distante (pelo menos em anos de internet), um dos passatempos preferidos dos aficionados por tecnologia era testar vários navegadores diferentes e torcer pela dominância do seu predileto. Navegador (assim como antivírus e sistema operacional) era como time de futebol: você escolhia um e o defendia até o fim.

Mas, segundo Andreas Gal (ex-CTO da Mozilla), esses tempos ficaram para trás. O Chrome não só venceu, como é bem possível que todos os seus concorrentes estejam mortos em dois ou três anos (menos o Safari). Será? Dá o play e vem com a gente!

Comentários

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Gilberto Almeida

Pra mim o grande problema do FireFox é a cada abertura do programa ele se atualiza. PQP. 1 atualização por mês já está bom, né (a não ser que seja crítica)!

Pedro Valadao

Intel e amd, adm e nvidia

Beto Ribeiro

Pois é. Estamos voltando à era do Netscape. Mas o que aconteceu? O IE destruiu o Netscape, mas veja só o que temos agora... uma nova Era. Agora estamos vivendo o código aberto e este está vencendo. Se o FF for destruído, concerteza surgirão outras coisas. Imagino que surjam novos open source, porque muitos protótipos devem estar aí saindo do forno. E competirão com o projeto Chromium. O monopólio não dura para sempre.

Beto Ribeiro

Concordo com você. Como antigamente, agora poderão voltar a existir as incompatibilidades entre o FF e os Chromium-based, porque nem todo mundo adere ao open source, senão não existiria mais escolha para o usuário. É bom que existam escolhas e incompatibilidades porque é nisso que se baseia a evolução das coisas.

Rodrigo

Mozilla é o melhor desenvolvedor, enquanto os navegadores baseados no Chromium são melhores. Por isso, esses navegadores baseados são os mais utilizados. Por que acham que o Chrome, mesmo sendo fominha, travando, é o querido dos internautas?
A Firefox tem que se virar para reverter a situação a seu favor, não é choramingando que isso vai ocorrer.

Sidney Moraes

É o seguinte. Na época em que o Internet Explorer dominou foi a Idade das Trevas da internet porque era um navegar que estagnou todo o desenvolvimento web. Literalmente a Microsoft queria dominar e foda-se o resto. Mas com o Chromium é diferente disso porque ele propulsiona inovação. Toda versão lança algo e a cada 6 semanas, ele está em constante evolução ao contrário do IE que era estagnado. Mas entendo o perigo de ter apenas um ditando regras.

Malaquias

Reescrevendo outro comment pra você:

Quando você abre e depois fecha o Chrome ele não mata o processo por completo. Fica lá em plano de fundo. A desculpa: agilizar a abertura do navegador.

Pelo Chrome não fechar por completo, alguns processos atrelados ao navegador ainda ficam lá rodando e consumindo recursos, por mínimos que sejam. Daí dependendo de como estão as configurações de permissão pra esse ou aquele site (monitorar localização, por exemplo), acaba que tem um monte de coisa pré-carregada sem você sequer saber.

O Chrome é mais permissivo em questão de monitoramento de navegação, o que torna o ato de entrar em algumas páginas uma tortura. Algumas propagandas e alguns scripts de monitoramento são extremamente intrusivos e consumidores ávidos de recursos da máquina.

Esse é o melhor?

Malaquias

Firefox tem 16 anos e contando. Em 07/12/2020 eu volto aqui nesse comentário para responder.

Malaquias

Eu não consigo acreditar que você não consiga acreditar que um monopólio seja ruim.

Malaquias

Sim, monopólios são ótimos para todo mundo! =D /s

Malaquias

Na verdade nem é duo, é Monopólio + Apple.

sarahphelps

JesseMoreiraO why

Henry

O que não impediria de reajustar o código para Chromium, tirou porque quis.

Jayson Silva

Concordo contigo. Nunca perdi sessão no Firefox.
E confio muito mais no Firefox pela questão de privacidade também.

Jayson Silva

Somos 8

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