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Sunny Cove: Intel finalmente vai ter processadores de 10 nm

Além de chegar aos 10 nanômetros com a arquitetura Sunny Cove, Intel promete lançar uma nova geração de GPUs integradas: a Gen11

Emerson Alecrim Por

O ano está a um passo do fim e, com isso, surgem as resoluções para 2019. Pelo menos está sendo assim com a Intel: nesta quarta-feira (12), a companhia revelou a Sunny Cove, arquitetura de processadores baseada em tecnologia de 10 nanômetros que chegará no próximo ano. Novas GPUs integradas também estão vindo aí: a família Gen11.

Processador - wafer

A confusão da Intel nos 14 nanômetros

Os processadores Core de arquitetura Skylake (sexta geração) foram lançados em 2015 e deveriam representar a última incursão da Intel no processo de fabricação de 14 nanômetros. A arquitetura Cannon Lake viria na sequência para levar as famílias Core e Xeon aos 10 nanômetros.

Não foi o que aconteceu. Trabalhar com um nível tão avançado de miniaturização foi mais desafiador do que a Intel esperava e, assim, os chips de 10 nanômetros foram adiados, mais de uma vez. Para não ficar de mãos vazias enquanto lidava com todos os desafios técnicos da nova arquitetura, a companhia lançou releituras da geração Skylake, vamos dizer assim.

Primeiro vieram os chips Kaby Lake, de sétima geração. Revelados em 2016, eles trouxeram frequências um pouco maiores e suporte a recursos como streaming em 4K, por exemplo. No ano passado tivemos os processadores Coffee Lake, de oitava geração, com foco em mais núcleos.

Intel Core de nona geração

Intel Core de nona geração

Já em 2018, a Intel introduziu os chips Whiskey Lake. Além de nos fazer ter vontade de beber, eles foram otimizados no aspecto da conectividade. Mas, olha só, apesar de terem sido revelados neste ano, eles ainda são considerados processadores de oitava geração.

Os chips de nona geração foram anunciados apenas em outubro, tendo como grande destaque o processador Core i9-9900K, e são considerados chips Coffee Lake Refresh, ou seja, são modelos baseados na linha Coffee Lake que, por sua vez, é uma atualização da família Kaby Lake.

Tudo muito confuso, né? Tão confuso que o que mais importa neste instante é saber que todos esses chips têm como base a arquitetura Skylake e seus 14 nanômetros. Isso nos leva à recém-anunciada arquitetura Sunny Cove. Essa, sim, é totalmente nova, certo?

Sunny Cove: a Intel finalmente chega aos 10 nanômetros

Totalmente nova, não. A Sunny Cove vair herdar muitas características técnicas da arquitetura Skylake. Apesar disso, a Intel promete avanços consideráveis aqui.

Tendo finalmente como base uma tecnologia de fabricação de 10 nanômetros, os chips Sunny Cove poderão executar mais instruções em paralelo e, em complemento, diminuir a latência delas, por exemplo.

Além disso, os novos chips terão caches maiores e mais conjuntos de instruções para lidar com cargas de trabalho complexas, como aquelas relacionadas a criptografia, aprendizagem de máquina e compressão de dados. Nesse pacote estarão instruções AVX-512, que otimizam o desempenho em operações de ponto flutuante.

Intel Sunny Cove

Outro avanço importante está no suporte às memórias virtual e física. Nas arquiteturas atuais, é possível endereçar, teoricamente, até 256 TB de memória em ambas as categorias. A arquitetura Sunny Cove vai elevar esses limites para 128 PB (petabytes) de memória virtual e até 4 PB de memória física graças à inclusão de mais bits no endereçamento.

Ainda há muitos detalhes a serem revelados, mas, em resumo, podemos esperar processadores mais rápidos (como sempre), mais desempenho em aplicações atuais (como as que envolvem inteligência artificial) e, presumivelmente, soluções definitivas para as falhas Meltdown e Spectre.

Os primeiros processadores Core e Xeon com arquitetura Sunny Cove estão previstos para o segundo semestre de 2019. Os sucessores serão os chips Willow Cove, a serem lançados em 2020, e Golden Cove, prometidos para 2021.

É possível que essas gerações sucessoras utilizem o Foveros 3D, processo de fabricação que a Intel está desenvolvendo que permitirá que componentes sejam "empilhados" nos chips, mais ou menos como já é feito com módulos de memória Flash, por exemplo.

GPUs integradas Intel Gen11

Se não houve avanços expressivos nas últimas gerações de processadores da Intel, dá para dizer o mesmo da arquitetura gráfica, correto? Correto. Para você ter ideia, as GPUs integradas Gen9 chegaram em 2015 junto com os chips Skylake. De lá para cá houve, no máximo, alguns aperfeiçoamentos, razão pela qual a Intel não chegou nem a utilizar a denominação Gen10: a empresa está pulando direto para a Gen11.

Intel Gen11 Graphics

A nova geração promete trazer mais desempenho gráfico para aquilo que mais nos interessa: jogos. Não podemos esperar desempenho equivalente ao de placas de vídeo sofisticadas, obviamente, mas a Intel quer que pelo menos os jogos mais populares ganhem desenvoltura.

Isso será feito por meio da inclusão de mais unidades de execução — até 64 contra 24 da maioria das GPUs Intel atuais —, pelo redesign da interface de memória, pelo aumento de cache, entre outros fatores. De modo geral, a Intel fala em desempenho superior a 1 teraflop.

Suporte nativo ao codec H.265 (HEVC), às resoluções 4K e 8K, e ao padrão HDR também farão parte da nova geração.

Como você já deve ter imaginado, as GPUs Gen11 chegarão junto com os processadores Sunny Cove.

Intel Gen11 Graphics

Agora vai?

Não dá para fazer nenhum tipo de afirmação no atual estágio, afinal, a Intel apenas fez uma introdução sobre a nova geração de CPUs. Mas uma coisa é certa: a companhia teve um 2018 tão dramático que dar a volta por cima em 2019 é praticamente uma obrigação.

Só para citar os problemas mais graves, a Intel precisou lidar com o pesadelo das falhas Meltdown e Spectre no início do 2018 e, na metade do ano, viu Brian Krzanich perder o cargo de CEO por conta de um escândalo.

Mas, sobretudo, a arquitetura Sunny Cove terá a missão de aumentar o poder de fogo da Intel contra uma rival que conseguiu se destacar bastante em 2018: ela mesma, a AMD.

É esperar para ver.

Com informações: ExtremeTech, Ars Technica, AnandTech.

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Claudia Gomes
A verdade é uma só a Intel lança e trabalha nos bastidores eu não sou fã do Core mas a Xeon é fantástica e podem acreditar já estão com a arquitetura toda pronta só aguardando o momento.
Claudia Gomes
A verdade é uma só a Intel lança e trabalha nos bastidores eu não sou fã do Core mas a Xeon é fantástica e podem acreditar já estão com a arquitetura toda pronta só aguardando o momento.
Divinity divaviki
Vai continuar com os cocos de bombo entre o IHS e o DIE? I7 8700K batendo 86° aqui.
ribeiro
Está certo kkkkSó sei de uma coisa, os fanboy da Intel pira!!Viva ao capitalismo e a ampla concorrência.
João
A sua fonte é a Juro por Deus. Veremos nos benchs futuros.
ribeiro
Usar como fonte o fórum do reddit é brincadeira.Repito se você puder provar isto poderá lucrar milhões de $.
Leandro Nascimento
Estou errado ou se a Intel tivesse investido pesado, mas pesado mesmo, em desenvolvimento, não conseguiríamos ter chips com até menos de 10nm como os ARM? Acredito que ela estava numa zona de conforto por anos, até a AMD se destacar recentemente...
Juliano Machado Olivetti
Isso, Ryzen 3000. Então, eu não acho que nenhuma das duas arquiteturas vai superar a outra com margem larga, mas se isso ocorrer, já é uma péssima notícia a Intel, que até poucos anos atrás nadou de braçadas como melhor solução de desempenho.
Juliano Machado Olivetti
Só aguardando os próximos capítulos para dizer quem está certo, mas acho que vai se lembrar desse comentário no segundo semestre de 2019.
João
Aqui tem uma boa explicação nas respostas sobre o 7nm da AMD: https://www.reddit.com/r/ha...Em resumo: os 10 e 7nm são apenas marketing e nem a AMD fabrica isso, é terceirizado.
ribeiro
Isso não seria marketing e sim propagando enganosa, então tu acha que eles vão se arriscar a receber milhões de processo? KKKKSe você puder provar isto poderá faturar milhões de $.
Cameron Poe
Bem, vai ter até o fim do ano que vem pra isso, vamos ver
Rafael Zabotini
Uma das explicações para a diferença de passo é:Quando reduz-se a arquitetura, a distância entre os componentes (transistores, trilhas etc) é reduzida. Isso aumenta a chance de acontecerem interferências elétricas, porque todo componente tem seu campo eletromagnético etc e isso gera falhas de processamento.No caso de processadores de celular, a quantidade de energia que eles utilizam é beeeeem baixa, então esse desafio de miniaturização é menor pois os campos eletromagnéticos são menores e as interferências geradas são menores.Já nos processadores de PCs, a história é outra: eles devoram energia, ainda mais quando se fala dos de altíssimo desempenho, então isso se torna um desafio realmente complicado de se resolver.
ochateador
Não falei para atrasar a tecnologia...Falei que poucas empresas conseguem ter uma produção seriada, mantendo a qualidade do chip ano após ano em 14nm.Quanto menor a litografia, mas trabalho você tem para produzir, mas antes de ter trabalho você precisa investiver uns bons milhões (ou bilhões) em Pesquisa&Desenvolvimento, gastar uns anos testando para aí sim mandar para a produção.A IBM consegue fazer chip com 3 ou 5 nm. OK, maravilha, mas isso é somente em laboratório e produção bem complexa, a produção seriada nesse momento é algo impossível (daqui uns anos talvez seja possível) pois precisaram trocar os materiais (e com isso precisarão trocar todo o maquinário, algo bem caro vale dizer).Diante disso tudo, enquanto todos metem porrada na Intel por não conseguir reduzir de 14 para 10nm, as demais empresas ainda fazem em 14nm mas botam umas firulinhas em cima e falam que é processo de 12, 10, 7nm (o que não é e nunca foi).Ou seja, ninguém gosta da Intel, mas além dela, quem tem conhecimento e dinheiro quase infinito para bancar um processo de produção de 100 milhões de chip ao ano que ninguém mais consegue fazer ? Antes de responder essa pergunta, lembre que cliente corporativo (e muitos usuários comuns) não querem firulinhas, ele querem algo que funcione direito por anos e anos a fio sem trocar o CPU.
Juliano Machado Olivetti
Eu acho que o jogo pode estar começando a virar para o lado da AMD. Fato é que a volta da competição fez a Intel sair de sua zona de conforte em evolução tecnológica e nos preços, e quem tem a ganhar somos nós, os consumidores.
ribeiro
Se seguir a sua lógica ainda usamos processadores a válvulas.
ochateador
Uma vez mostraram umas imagens de chips que o que algumas empresas chamam de 7 nm, na verdade é apenas marketing. Pois é tudo 14+ nm mas com umas firulas a mais na hora de fabricar.
Flavio Amorim
Parece que o jogo virou não é mesmo ? by AMD :P
Alberto Prado
Sim, mas só quando a AMD tiver 50% da cota de mercado. Deixa ela se firma mais para o jogo fica equilibrado.
Eduardo Braga
Já tava me perguntando quando iam se livrar dessa nomenclatura...
Cameron Poe
Realmente, mas pelo nosso bem que ela tome jeito/vergonha na cara e dê logo a volta por cima pois, monopólio nunca é bom para nós consumidores
Jonas S. Marques
Arquiteturas diferentes.
ばか
Se entendi direito o que li por aí, parece que vão utilizar múltiplas litografias nesta geração para diminuir custos, então não vai ser totalmente 10nm.
Jonas Schumacher
É bom esses processadores funcionarem bem, se não a Intel pode estar cavando sua própria "Cove"...
brunocabral
Complexidade
Daniel Taiguara
porque processadores de celular já estão em 7 nm e a intel mal chegou em 10 nm ? Qual a explicação certa para isso ?
ribeiro
Depois de tantos atrasos... Vai sair em 2019 kkkkkQuando chegar 2019 vai disser que só em 2020.AMD já vamos ter 7mn, vergonha para a Intel.