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EUA se unem a mais países para conter expansão global da Huawei

Huawei já não entra no governo americano; Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido também estariam se juntando ao acordo

Paulo Higa Por

A Huawei tem planos agressivos para se tornar a maior fabricante de smartphones do mundo até 2020, mas está claro que a tarefa não será fácil: além de enfrentar uma proibição nos órgãos públicos dos Estados Unidos, a fabricante chinesa também deverá sofrer a resistência dos governos da Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido.

Huawei

O esquema para conter a expansão global da Huawei foi divulgado pelo Wall Street Journal na sexta-feira (14). Segundo o jornal, chefes de espionagem dos cinco países se reuniram no Canadá em julho de 2018 e assinaram um acordo para barrar o crescimento da empresa no mundo. O grupo, batizado de Five Eyes, acredita que a Huawei traz riscos de segurança aos países.

A época em que a reunião teria sido realizada coincide com declarações públicas de chefes de espionagem. Depois do encontro, a Austrália alertou que serviços públicos estariam em risco se o 5G fosse comprometido. O diretor do serviço secreto de inteligência do Reino Unido, Alex Younger, declarou que o governo não sabia se estava confortável em permitir a Huawei como fornecedora de 5G. E o Canadá informou que notou um aumento de espionagem governamental em áreas como o 5G, sem revelar detalhes.

Huawei é líder global em infraestrutura de telecom

O plano não afeta diretamente a venda de smartphones da Huawei, mas pode abalar o braço de infraestrutura da empresa chinesa, que é líder no setor. Ela foi responsável por 28% das vendas de US$ 32 bilhões em equipamentos de telecomunicações em 2017, contra 27% da Ericsson e 23% da Nokia, de acordo com números divulgados no domingo (16) pela Associated Press.

Outros países podem se unir ao acordo, encabeçado pelos Estados Unidos. Citando fontes próximas ao assunto, o Wall Street Journal nota que o governo americano tem pressionado a Alemanha para proibir equipamentos da Huawei, mas os alemães pediram provas mais contundentes que demonstrassem a ameaça. Parece estar dando certo: a Deutsche Telekom anunciou na sexta-feira (14) que está revendo suas fornecedoras devido às discussões sobre a falta de segurança das fabricantes chinesas.

Mais perrengues para a Huawei (e o mercado)

Tudo isso chega em um momento em que as operadoras ao redor do mundo começam a se mobilizar para implantar suas redes 5G. Com a Huawei fora de países importantes, o mercado de infraestrutura de telecomunicações pode acabar concentrado na Ericsson e na Nokia, reduzindo a competição e, consequentemente, aumentando os custos.

Além dos obstáculos para vender equipamentos de rede, a Huawei tem outros problemas para resolver globalmente. No Brasil, um dos poucos países da América Latina em que a empresa não comercializa smartphones, um acordo com a Positivo para importar e distribuir os celulares foi cancelado. E a diretora financeira Meng Wanzhou, filha do fundador da Huawei, está em liberdade condicional após pagar uma fiança de US$ 7,5 milhões; ela é acusada de fraude e violação de sanções americanas.

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kbne

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Tales Cembraneli Dantas

A matéria fala sobre "espionagem", livre mercado não tem nada a ver com isso, pode parecer teoria da conspiração para muitos, mas instalar produtos chineses na infra estrutura de telecomunicações americanas não esta muito longe de ser um verdadeiro cavalo de tróia.

jasperlawrance

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disqus_aLxd2o76mI ):

Geraldo Lopes

Não dá para comparar o Chile com o Brasil pois são duas realidades completamente diferentes... o Chile possui uma população de 18 milhões (só a cidade de São Paulo possui 22 milhões), e economicamente ocupa a posição de 44° lugar. Abrir o "mercado pro mundo" sem critérios nem sempre é melhor para o país, pois se assim o fosse USA e Europa já tinham feito, e não seriam economias tão protecionistas como são atualmente. Procure se informar melhor...

Felipe Augusto

Os caras espionaram o mundo todo e agora quer punir alguém por espionar, alguém colocou barreira contra os EUA?

Mas isso é normal, tacaram bomba no meio de civis, e depois passou a regularizar, quem podia ou não ter bomba. E diz que tem países que não tem responsabilidade pra ter. É complicado.

Felipe Augusto

Você que sabe tudo amigo, sabe onde esta o Queiroz?

Clint Moderno

Acreditar em quem?

Jedielson Almeida

O nome do vilão inclusive já está perfeito.

igor

Nossa os EUA quer nos proteger. Nem parece que a alguns anos atras foi revelado um esquema de espionagem mantido pelo governo dos EUA através da NSA.

Ronaldo Rodrigues

Investimento??? Em países caloteiros (na verdade eles já sabiam que não seria necessário pagar), tanto é que hoje estão com uma dívida enorme com o Brasil e nós não vamos ver a cor desse dinheiro nunca, e não é pouca coisa!

Vitor Hugo

tu leu e fingiu que não, né?

Daniel Silva

Mão de obra escrava é a brasileira.

O salário médio por hora na indústria chinesa triplicou entre 2005 e
2016, para US$ 3,60. No mesmo período, o salário
no setor industrial no Brasil caiu de US$ 2,90 para US$ 2,70.

No México,
a queda foi de US$ 2,20 para US$ 2,10. Os dados foram compilados junto à
Organização Internacional do Trabalho, à Eurostat (o órgão de
estatísticas da União Europeia) e a agências de estatísticas nacionais.
Em seguida, foram convertidos para o dólar e ajustados pela inflação. O
custo de vida em cada país não foi levado em consideração.

Daniel Silva

Até 2.017 a mão de obra ESCRAVA era a brasileira...
Vamos rever nossos conceitos? Será que o trabalhador brasileiro ganha mais do que o chinês?
É melhor mudarmos nossas fontes de informação:

https://epocanegocios.globo...

João

China espionando não seria tão bom ou até pior que os EUA espionando... A cada 10 minutos um chinês rouba algum projeto ocidental, virou até meme hauhahuahu.

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