Início » Antivírus e Segurança » Google planeja mudança no Chrome que limitará bloqueadores de anúncios

Google planeja mudança no Chrome que limitará bloqueadores de anúncios

Nova API do Chromium (a base do Chrome) pode limitar ação dos ad blockers; Google diz que mudança deve trazer mais segurança e desempenho

Emerson Alecrim Por
42 semanas atrás

Bloqueadores de anúncios estão entre as extensões mais populares do Chrome, mas o poder de ação dessas ferramentas poderá diminuir: em nome da segurança e do desempenho, o Google está propondo um conjunto de mudanças no Chromium (a base do Chrome) capaz de alterar sensivelmente o modo de funcionamento de vários ad blockers.

Stop

As mudanças propostas estão em um documento público intitulado Manifest V3. Esse não é um texto definitivo, o que significa que os seus tópicos estão sujeitos a alterações. Mas, como as chances de aprovação da proposta não são pequenas, desenvolvedores de bloqueadores já manifestam preocupação.

Basicamente, a ideia dos engenheiros do Google é anular a WebRequest, API bastante importante aos bloqueadores de anúncios (e outras extensões). Ao mesmo tempo, eles propõem disponibilizar uma API chamada declarativeNetRequest que deixaria o controle sobre o que bloquear a cargo do navegador.

Por meio da API WebRequest, as extensões conseguem interceptar solicitações oriundas de páginas web e, quando for o caso, modificá-las para, entre outras ações, limitar a inserção de cookies, barrar requisições para determinados domínios e impedir o carregamento de arquivos de mídia. Essa abrangência de possibilidades é que permite aos bloqueadores serem tão eficazes.

Com a API declarativeNetRequest, tudo muda. As extensões terão que informar ao Chrome uma lista de padrões de bloqueio. A partir daí, o navegador comparará as solicitações com esses padrões para decidir se alguma requisição específica deve ser bloqueada, por exemplo, o carregamento de anúncios oriundos de certo domínio.

Foto por TechnologyGuide TestLab/Flickr

De acordo com o Google, essa abordagem melhorará o desempenho, pois as comparações serão realizadas pelo próprio navegador, e não por uma ferramenta externa normalmente baseada em JavaScript. A nova API também é apontada como mais segura por impedir que cookies e outras informações sensíveis sejam acessadas pelas extensões, além de evitar que códigos externos potencialmente maliciosos sejam carregados por elas.

Mas os desenvolvedores dos bloqueadores não pensam assim. A Ghostery, por exemplo, diz que a mudança deixará os usuários com recursos mais limitados para se livrar de conteúdo indesejado. A empresa cogita até abrir uma queixa antitruste contra o Google se a proposta for levada adiante.

De modo geral, a preocupação é a de que a nova API diminua a competitividade entre os bloqueadores (afinal, eles passariam a funcionar praticamente da mesma forma), reduza a eficácia dessas ferramentas e, em alguns casos, impeça o funcionamento da extensão. É o que poderia acontecer com o uBlock Origin, ad blocker fortemente dependente da API WebRequest.

O assunto segue em discussão. Ou quase: o tópico no grupo do Chromium que trata do Manifest V3 foi fechado recentemente e teve várias mensagens apagadas.

Com informações: Ars Technica, Gizmodo.