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Apple deve baixar preço do iPhone fora dos EUA para reverter vendas fracas

Receita com iPhone caiu 15% em um ano, enquanto o restante da empresa cresceu 19% (Mac, iPad, Apple Watch e serviços)

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20 semanas atrás

A Apple divulgou o resultado financeiro do quarto trimestre de 2018. Ela havia adiantado que as vendas do iPhone não atingiriam a meta. De fato: a receita com celulares caiu 15% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, o restante da empresa cresceu 19%, incluindo Mac, iPad, Apple Watch e serviços. O CEO Tim Cook sugere que o preço do iPhone será reduzido fora dos EUA — mas não espere por descontos enormes no Brasil.

iPhone XR

No último trimestre de 2018, a Apple teve faturamento de US$ 84,3 bilhões, queda de 5% se comparado ao ano anterior. A culpa é do iPhone: segundo Cook, as vendas caíram devido a flutuações de câmbio em relação ao dólar forte. Isso significa que o aparelho ficou muito caro na China e em outros países emergentes.

Em entrevista à Reuters, Cook diz que a Apple fará mudanças nos preços do iPhone fora dos EUA, deixando de atrelá-los ao dólar. “Decidimos voltar a ser mais condizentes com nossos preços locais praticados há um ano, na esperança de ajudar as vendas nessas áreas”, explica o CEO.

Isso indica que a Apple pode igualar os preços do iPhone XS aos do iPhone X. Cook não menciona em quais países essa mudança será aplicada. Se ela valer para o Brasil, não espere descontos enormes: o iPhone XS custa R$ 7.299, enquanto o iPhone X foi lançado por R$ 6.999.

A Apple exagerou nos preços do iPhone?

Em conferência com acionistas e imprensa, um analista perguntou se a Apple exagerou nos preços. O diretor financeiro Luca Maestri deu a entender que não, porque o iPhone XS custa o mesmo que o iPhone X — nos EUA, não no Brasil — enquanto o iPhone XR tem preço entre o iPhone 8 e 8 Plus. (O iPhone XR começa em R$ 5.199; o iPhone 8 foi lançado por R$ 3.999, e o 8 Plus, por R$ 4.599.)

Maestri diz que o iPhone XR foi o modelo mais vendido globalmente, seguido pelo iPhone XS Max e pelo iPhone XS. A empresa deixou de informar a quantidade de celulares vendidos, mas revelou que a base instalada do iPhone ultrapassa 900 milhões de dispositivos no mundo.

Cook diz que os donos de iPhone estão demorando mais para trocar de smartphone, em parte devido ao programa de substituição de baterias no ano passado. Ele mencionou o seguinte cenário: um cliente comprou o iPhone 6S em 2015 e cogitou fazer o upgrade para um modelo mais recente, porém viu que o aparelho voltou a funcionar bem depois de trocar a bateria por R$ 149 (US$ 29 nos EUA).

Receita com Mac e serviços atingiu máxima histórica

Enquanto isso, a receita dos outros produtos aumentou. O faturamento com o iPad cresceu 17% em um ano. A divisão de Mac atingiu um patamar histórico, obtendo resultado 9% melhor. O setor de Wearables, Home e Acessórios foi ainda mais longe, vendendo 33% a mais — outra máxima histórica.

A base de dispositivos ativos da Apple — incluindo iPhones, iPads, Macs etc. — chegou a 1,4 bilhão, crescendo em todos os segmentos geográficos. Isso é importante porque a empresa pode apostar mais forte em serviços como Apple Music e App Store; a receita desse segmento atingiu o recorde de US$ 10,9 bilhões, 19% acima do ano anterior.

O Apple Music tem 50 milhões de assinantes, contra 87 milhões do Spotify. O Apple News tem 85 milhões de leitores ativos, a maior audiência de qualquer app de notícias. Rumores dizem que a empresa lançará um serviço de assinatura de jornais e revistas. Ela também prepara um concorrente para a Netflix e, segundo rumores, um serviço de assinatura de jogos.

Com informações: Apple, Ars Technica, Reuters.