Início » Gadgets » LCD, LED, OLED, QLED e MicroLED: qual a diferença entre as telas de TV?

LCD, LED, OLED, QLED e MicroLED: qual a diferença entre as telas de TV?

Modelos de Smart TV ostentam telas de configurações diferenciadas: LED, LCD, OLED, QLED e MicroLED

Por
05/02/2019 às 15h50

A dúvida sobre o que significam todas essas letrinhas é natural na hora de comprar uma TV nova. Modelos de Smart TV ostentam configurações diferenciadas, com telas de LED, LCD, OLED, QLED e MicroLED e você vai precisar escolher qual a melhor opção.

Além do preço, vale a pena entender como funciona cada tecnologia de display na TV.

Resumidamente, entenda as diferenças entre os modelos de tela, seus benefícios e quais os principais problemas que você pode encontrar se decidir comprar uma delas.

Colos Bar / TV Test / Tim Mossholder / Unsplash

LCD

A tecnologia do LCD (em inglês, Liquid Crystal Display) dá vida às chamadas telas de cristal líquido. Elas apresentam um painel de vidro fino com os tais cristais em seu interior,  eletricamente controlados, entre duas lâminas transparentes (que são os filtros polarizadores).

Esse painel de cristais líquidos é iluminado por trás (backlight) por uma lâmpada CCFL (fluorescente). A luz branca traseira ilumina as células de cores primárias (verde, vermelho e azul, o famoso RGB) e é isso que forma as imagens coloridas que você vê.

A intensidade de corrente elétrica que cada cristal recebe define a sua orientação, na qual permite passar mais ou menos luz para o filtro de formado pelos três subpixels.

Nesse processo, entram em cena os transistores em uma espécie de película, cujo nome é Thin Film Transistor (TFT). Por isso, é comum ver modelos LCD/TFT. Entretanto, a sigla não trata de outro tipo de tela de LCD, mas de um componente comum das telas LCD.  

O LCD sofre basicamente de dois problemas: 1) há milhões de combinações de cores e o LCD às vezes não é tão fiel; 2) o preto nunca é muito fiel, porque o cristal precisa bloquear toda a luz para formar um ponto 100% escuro, só que a tecnologia não consegue fazer isso com precisão resultando em “pretos cinzas” ou mais claros.

Em telas LCD com TFT é possível também ter problemas com o ângulo de visão, caso você não esteja 100% na frente da tela. Este não é um problema inerente ao LCD, mas ao TFT e em televisores LCD com IPS, como os da LG, temos ótimos ângulos de visão.

LED

O LED (em inglês, Light Emitting Diode), trata-se de um diodo emissor de luz. Ou seja, TVs com telas de LED nada mais são do que televisores cuja tela de LCD (que pode ser IPS ou não) tem uma iluminação traseira (backlight) que utiliza diodos emissores de luz.

Sua principal vantagem é consumir menos energia que um painel de LCD tradicional. Sendo assim, o LED funciona de forma semelhante ao LCD, mas a luz utilizada é diferente, com diodos emissores de luz para a tela de cristal líquido. Em vez de a tela inteira receber luz, pontos são iluminados separadamente, melhorando a definição, as cores e o contraste.

Lembrando: 1) a TV LCD usa lâmpadas fluorescentes de cátodo frio (CCFL) para iluminar todo o fundo do painel; 2) enquanto a de LED (um tipo de LCD) usa uma série de diodos emissores de luz (os LEDs) menores e mais eficientes para iluminar esse painel.

OLED

É comum ouvir que o OLED (em inglês, Organic Light-Emitting Diode) é uma evolução do LED (Light Emitting Diode), porque trata-se de um diodo orgânico, muda o material.

As OLED, por conta desta tecnologia, não usam iluminação traseira geral para todos os seus pixels, que são acesos individualmente quando uma corrente elétrica passa por cada um deles. Ou seja, os painéis OLED tem emissão de luz própria, sem o backlight.

Os benefícios são cores mais vivas, brilho e contraste. Como cada pixel tem autonomia na emissão de luz, na hora de reproduzir a cor preta, basta simplesmente desligar a iluminação, o que garante “pretos mais pretos” e maior eficiência energética. Por dispensar painel de luz geral traseiro, telas OLED costumam ser mais finas e flexíveis.

Seus dois problemas: 1) preço elevado, dado o custo de produção maior da tela OLED em comparação com uma LED ou LCD tradicional; 2) a TV tem uma vida útil menor.

A Samsung, por exemplo, critica o uso de telas OLED em televisores e acha mais adequado para smartphones (que são trocados mais rapidamente) dando preferência a telas QLED. Quem usa a tecnologia OLED em televisores é a LG, a Sony e a Panasonic.  

QLED

Finalmente chegamos às TVs QLED (ou QD-LED, Quantum Dot Emitting Diodes), outro aprimoramento do LCD, assim como o LED. Diz respeito ao que chamamos de tela de pontos quânticos — partículas de semicondutores extremamente pequenas, cujas dimensões não ultrapassam nanômetros de diâmetro. Não é algo tão novo quanto o MicroLED, por exemplo. A sua primeira aplicação comercial foi em meados de 2013.

Principal concorrente do OLED, a QLED também precisa de uma fonte de luz. São esses minúsculos cristais que recebem energia e emitem frequências de luz para criar a imagem na tela, reproduzindo uma enorme variação de cores em ambientes com mais ou menos luz.

A Sony (Triluminos) foi uma das pioneiras na produção de TVs de pontos quânticos, LG (que defende o OLED) também têm telas com a tecnologia. No Brasil, porém, é mais comum encontrar uma variedade grande de televisores da Samsungs com tela QLED.

TV QLED Samsung Q8CN

LG e Samsung vivem uma briga pela atenção do consumidor. A primeira sul-coreana, a LG, defende: 1) os tons de preto mais precisos e menor consumo de energia da OLED. Já a outra sul-coreana, a Samsung, defende: 2) o QLED mostra cores mais vívidas e brilhantes e displays imunes ao “efeito burn-in” (cada vez mais raro em televisores).

Apesar dos tons de preto mais escuros, o OLED pode sim deixar marcas em quem usa a tela com muita frequência e em imagens estáticas, como jogadores de videogame ao longo do uso (alguns anos). Por outro lado, as QLED podem apresentar “pretos cinzas”.

O problema ocorre particularmente nas TVs mais simples (leia-se baratas). As telas mais caras (como o modelo Q9FN) oferecem tecnologias adicionais como local dimming, que melhora o desempenho da luminância em displays, controlando a iluminação traseira para mostrar pretos “bem pretos”. O que torna difícil diferenciá-los de uma OLED.

MicroLED

Ainda não acabou…

A promessa mais recente é o MicroLED. A nova tecnologia promete juntar o melhor do LCD e do OLED, reunindo milhões de LEDs microscópicos que podem emitir luz própria. Em comparação com o LCD, a eficiência energética e o contraste são melhores e, além disso, é possível emitir mais brilho e ter uma vida útil maior que o OLED.

The Wall - TV modular microLED

Com o uso de uma camada inorgânica (diferente dos diodos de LED orgânicos, que duram menos) e LEDs menores, o microLED, em comparação com o OLED, pode: 1) ser mais brilhantes e durar mais; 2) ser menos suscetíveis a burn-in ou perda de luminosidade.

Ufa, é isso!