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Bolsonaro dispensa celular criptografado para conversar com ministros no WhatsApp

O aparelho oferecido pela Abin não permite que o Bolsonaro instale os aplicativos que mais usa

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31 semanas atrás

Em sua campanha presidencial, Jair Bolsonaro se utilizou de meios de comunicação mais diretos, como WhatsApp, Twitter e Facebook, para se aproximar de seus eleitores. Agora eleito, ele adota o mesmo método para trocar informações com sua equipe.

Segundo a Folha de S.Paulo, o WhatsApp é usado por Bolsonaro para enviar a ministros e autoridades mensagens sobre diferentes assuntos e compartilhar notícias ligadas ao governo. O problema dessa prática é a falta de segurança.

Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR - 24/01/2019)

(Foto: Alan Santos/PR – 24/01/2019)

As mensagens são enviadas de um celular comum, que não garante sigilo das informações enviadas. O presidente poderia resolver a situação ao usar o aparelho fornecido pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Conhecido como TCS (Terminal de Comunicação Segura), ele é criptografado e pode ser usado para presidentes tratarem de assuntos de interesse público. O celular, no entanto, não permite a instalação de aplicativos tão usados por Bolsonaro.

Entre os membros do setor de inteligência do Palácio do Planalto, há o receio de que o presidente acabe enviando informações sensíveis pelo WhatsApp, que possam colocá-lo em risco ou prejudicar as ações do governo.

Os assessores presidenciais têm a mesma opinião, mas dizem que Bolsonaro evita compartilhar dados confidenciais pelo app. “Ele utiliza para o envio de mensagens informais. Em relação aos assuntos que exigem reserva, ele opta pelos meios de comunicação da Presidência da República”, explica o porta-voz do governo, Otávio Santana do Rêgo Barros.

O TCS tem o seu próprio serviço de mensagens e só permite a comunicação criptografada com aparelhos similares. Ele conta com chave e servidor administrados pela Abin, mas não é considerado tão prático quanto o WhatsApp.

A situação criada por Bolsonaro é relativamente nova. No cargo, Michel Temer dificilmente respondia às mensagens que chegavam no aplicativo e Dilma Rousseff passou a utilizá-lo apenas em seu segundo mandato, também com pouca frequência.

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