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Fundador da Huawei diz que EUA “não têm como nos destruir”

Em entrevista à BBC, Ren Zhengfei ainda prometeu fechar sua empresa caso ela realize espionagem

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30 semanas atrás

O CEO e fundador da Huawei, Ren Zhengfei, não costuma dar muitas entrevistas. A situação vivida por sua empresa, no entanto, fez com que ele aceitasse conversar com um veículo de fora da China pela primeira vez desde a prisão de sua filha e diretora financeira da companhia, Meng Wanzhou.

À BBC, ele afirmou que os Estados Unidos “não têm como nos destruir” e classificou a prisão de Wanzhou como um “ato com motivação política” que é “inaceitável”. Zhengfei se refere ao que aconteceu com sua filha em dezembro, quando ela estava no Canadá.

CEO e fundador da Huawei, Ren Zhengfei (Foto: Reprodução/BBC)

Ren Zhengfei, fundador da Huawei, diz que prisão da filha foi ato com motivação política (Foto: Reprodução/BBC)

A executiva foi presa a pedido dos Estados Unidos, que apresentou 23 acusações contra ela e a Huawei. Em liberdade condicional após pagar uma fiança milionária, Wanzhou responde por supostas violações de sanções contra o Irã, fraude bancária, lavagem de dinheiro e roubo de segredos comerciais.

“Os EUA gostam de aplicar sanções aos outros. Sempre que há algum problema, eles usam esse tipo de método”, afirmou Zhengfei. “Somos contra isso. Mas agora que já estamos nesse caminho, vamos esperar a Justiça decidir”.

Ele garantiu, ainda, que a prisão de Wanzhou não teve impacto nos negócios. “Na verdade, estamos crescendo ainda mais rápido”, disse. “Eles devem ter pensado que, se a prendessem, a Huawei cairia, mas não caímos. Ainda estamos seguindo em frente”.

O líder da empresa foi bem enfático em relação às medidas adotadas pelo governo americano. “Os EUA não representam o mundo. Os EUA representam uma parcela do mundo”, disse Zhengfei, antes de apontar sua empresa como a mais “avançada”.

“Ainda que eles convençam mais países a não nos usarem temporariamente, podemos sempre reduzir um pouco as coisas”. A restrição do governo americana foi seguida por Austrália e Nova Zelândia, que também impediram o uso de equipamentos da Huawei em redes 5G em seus territórios.

Meng Wanzhou foi presa em dezembro a pedido dos EUA (Foto: CNN)

Meng Wanzhou foi presa em dezembro a pedido dos EUA (Foto: CNN)

Por outro lado, a companhia foi liberada no Reino Unido. O Centro de Cibersegurança Nacional do país entende que os riscos por usar equipamentos da empresa podem ser administrados. A decisão deve fazer o governo britânico permitir que operadoras como a Vodafone se unam à chinesa para criar suas redes 5G.

“Investiremos ainda mais no Reino Unido porque, se os EUA não confiam em nós, mudaremos nosso investimento dos EUA para o Reino Unido em uma escala ainda maior”, disse Zhengfei.

Huawei nega acusações de espionagem

Ainda na entrevista, o fundador da Huawei afirmou que jamais assumiria o risco causado por permitir espionagem por meio de seus equipamentos. A companhia é frequentemente apontada como aliada do governo para a prática.

“O governo chinês já disse claramente que não instalará backdoors. E nós também não instalaremos backdoors”, disse Zhengfei. “Não vamos arriscar ser alvo do desprezo do nosso país e de nossos consumidores no mundo todo por algo assim”.

O fundador da empresa ainda soltou o tipo de frase que pode ser guardada para um momento propício: “Nossa empresa nunca vai participar de qualquer atividade de espionagem. Se tivermos esse tipo de atividade, então eu fecharei a empresa”.

Huawei

Companhia pode ter tentado roubar segredos da Apple

A fala sobre espionagem, no entanto, parece não poder ser aplicada para casos de roubos de segredos comerciais. De acordo com o The Information, a Huawei tentou obter informações privilegiadas sobre o Apple Watch.

Para isso, um engenheiro da empresa teria se reunido com um executivo da fornecedora do sensor de frequência cardíaca para o relógio. O encontro ainda teria contado com a presença de outros quatro pesquisadores da Huawei.

Em tese, a conversa serviria para discutir a possibilidade de um acordo entre as duas empresas. Porém, o executivo da fornecedora afirma que a reunião com uma hora e meia de duração foi usada apenas para tentar conseguir informações sobre o smartwatch.

A suposta reunião não foi tratada na entrevista com Zhengfei, mas denúncias como essa não são novas. A Huawei já foi acusada de adotar práticas semelhantes para descobrir segredos de companhias como Cisco e Motorola.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, a empresa oferecer recompensas para funcionários que conseguem roubar segredos de concorrentes. O tamanho dos prêmios varia de acordo com o grau de confidencialidade das informações.

Com informações: TechCrunch, AppleInsider.