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Spotify questiona taxa cobrada pela Apple em sua loja de aplicativos

Para o CEO do Spotify, Daniel Ek, as taxas cobradas pela Apple impedem uma competição limpa entre aplicativos

Victor Hugo Silva Por
35 semanas atrás

As taxas de lojas de aplicativos parecem estar ficando insustentáveis para empresas que as utilizam. Em 2018, a Epic Games decidiu não oferecer Fortnite na Play Store e, este ano, apresentou sua plataforma. Agora, o Spotify registrou uma queixa contra algumas práticas da Apple.

O caso está sendo analisado de forma confidencial na Comissão Europeia, mas foi tratado pelo CEO do Spotify, Daniel Ek, no blog da empresa. Segundo ele, a decisão de registrar a reclamação foi tomada "depois de tentar, sem sucesso, resolver os problemas diretamente com a Apple".

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"Nos últimos anos, a Apple introduziu regras na App Store que limitam propositadamente a escolha e sufocam a inovação às custas da experiência do usuário – atuando essencialmente como jogador e árbitro para prejudicar deliberadamente outros desenvolvedores de aplicativos", afirmou Ek.

O executivo não detalhou as regras, mas criticou o que chama da "taxa Apple", o valor que a companhia cobra sobre assinaturas em apps. Hoje, a Apple fica com 30% do valor pago pelos usuários no primeiro ano de assinatura e, 15% depois desse período.

"Se pagarmos essa taxa, isso nos forçaria a aumentar artificialmente o preço de nossa assinatura Premium bem acima do preço do Apple Music. E, para manter nosso preço competitivo para nossos clientes, isso não é algo que podemos fazer", continuou.

Segundo ele, o Spotify até poderia deixar de usar o sistema de pagamentos da Apple, mas a companhia poderia sofrer restrições na comunicação com seus usuários, por exemplo. Ek diz que o Spotify busca um tratamento igual ao de serviços como Uber e Deliveroo, que não pagam a taxa.

Em seu texto, ele apresentou três demandas de sua empresa: que apps concorram por seus méritos e não com base em quem é o dono da loja; que a Apple não force desenvolvedores a usarem seu sistema de pagamentos e, consequentemente, a pagarem suas taxas; e que a loja não controle a comunicação entre usuários e donos de apps.

O Spotify chegou a criar um site para explicar como a concorrência na App Store estaria sendo prejudicada. O Time To Play Fair (ou Hora de Jogar Limpo) apresenta alguns argumentos com base em medidas adotadas pela Apple.

Ao TechCrunch, o conselheiro geral do Spotify, Horacio Gutierrez, afirmou que as críticas não podem ser feitas para a Play Store, onde "a situação é completamente diferente".

Segundo ele, há outras empresas insatisfeitas com o modelo imposto pela Apple. "Sabemos que outras [companhias] se sentem igualmente frustradas com as restrições... mas não falaremos por elas", disse.