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Google interrompe acesso da Huawei ao Android Q e apps para futuros celulares

A Huawei está proibida de adquirir componentes e software vindos dos EUA devido a uma ordem de emergência nacional assinada pelo presidente Donald Trump: a fabricante chinesa não poderá incluir a Play Store e aplicativos do Google como Gmail e YouTube em futuros celulares; nem terá acesso antecipado ao Android Q.

Segundo a Reuters, a Huawei só terá acesso à versão pública do Android, que possui código aberto. O Google interrompeu o acesso antecipado à futura versão do sistema, chamada Android Q; a fabricante já havia prometido atualização para oito celulares, incluindo o P30 Pro.

Além disso, a Huawei não poderá adquirir serviços e aplicativos proprietários do Google, como Play Store, Gmail, Google Maps, YouTube e Play Services. A medida vale apenas para futuros celulares, não para os atualmente à venda no mercado.

“Garantimos que, enquanto cumprimos todos os requisitos do governo dos EUA, serviços como o Google Play e a segurança do Google Play Protect continuarão funcionando no seu dispositivo Huawei existente”, diz o Google em comunicado.

Os celulares atuais ainda receberão atualizações de apps e de segurança, porque isso não exige uma interação entre o Google e a Huawei. No entanto, a empresa só poderá atualizar o Android depois que sair a versão pública no terceiro trimestre.

Isso joga um balde de água fria nas ambições internacionais da Huawei, que cresceu 50% no primeiro trimestre de 2019 comparado ao mesmo período do ano passado. Quase metade de todas as vendas da empresa vêm de fora da China, segundo a consultoria Counterpoint Research.

Huawei prepara alternativa ao Android

Não existe uma alternativa viável ao ecossistema do Android, e celulares sem a Play Store e os aplicativos do Google teriam dificuldade em concorrer com outras marcas. A única exceção é a China, onde a Huawei já vende celulares sem serviços do Google, que são bloqueados no país.

Ainda assim, a Huawei vai tentar. O executivo Richard Yu disse em entrevista ao jornal alemão Die Welt: “estamos fazendo nosso próprio sistema operacional. Se não pudermos mais usar esses sistemas, estaremos preparados. Esse é o nosso plano B. Mas é claro que preferimos trabalhar com os ecossistemas do Google e da Microsoft”.

Em comunicado, a Huawei diz que “fez contribuições substanciais para o desenvolvimento e crescimento do Android em todo o mundo”, e que “continuará a fornecer atualizações de segurança e serviços de pós-venda para todos os produtos existentes de smartphones e tablets Huawei e Honor, cobrindo os que foram vendidos e que ainda estão em estoque globalmente”.