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Huawei não pode usar tecnologia da ARM em futuros processadores Kirin

ARM desenvolve arquiteturas de processadores móveis; medida impacta futuros processadores Kirin feitos pela HiSilicon, da Huawei

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22/05/2019 às 10h58

A Huawei está sendo bloqueada por empresas dos EUA e de outros países também: a britânica ARM, que desenvolve a arquitetura presente em processadores móveis da Qualcomm e Samsung, interrompeu os negócios com a fabricante chinesa. Ela não poderá usar núcleos com a tecnologia da ARM, o que impacta futuros chips Kirin feitos por sua subsidiária HiSilicon.

Huawei P30 Pro

A ARM instruiu seus funcionários a não “fornecer suporte, entregar tecnologia (seja software, código-fonte ou outras atualizações), se envolver em discussões técnicas nem discutir assuntos técnicos com a Huawei, HiSilicon ou qualquer uma das outras afiliadas”, segundo documentos internos obtidos pela BBC.

A decisão não afeta os processadores atuais da Huawei, nem mesmo o Kirin 985 — próximo chip high-end que deve concorrer com o Snapdragon 855. No entanto, versões futuras ainda estão em desenvolvimento e não poderão mais usar a tecnologia da ARM; elas talvez precisem ser refeitas do zero.

A Huawei tem uma empresa própria para fabricar processadores, chamada HiSilicon. Ela é conhecida por seus processadores Kirin presentes no P30 Pro e P30 Lite, lançados no Brasil. No entanto, esses chips são construídos com base no trabalho da ARM.

A ARM faz licenciamento para fabricantes como Qualcomm, Samsung e Apple; isso envolve seu design para núcleos de processador, e sua arquitetura (ou conjunto de instruções) que pode ser adaptada por outra empresa.

Em um memorando interno, a ARM explica que seus designs de processador contêm “tecnologia com origem nos EUA”, por isso precisa cumprir o bloqueio imposto pelo governo Trump. A empresa tem sede em Cambridge, no Reino Unido, e conta com uma filial no Vale do Silício.

A ARM diz em comunicado a BBC que está “cumprindo todas as regulamentações mais recentes estabelecidas pelo governo dos EUA”. A Huawei, por sua vez, declara: “valorizamos nossas relações próximas com parceiros, mas reconhecemos a pressão que alguns deles sofrem como resultado de decisões politicamente motivadas; estamos confiantes de que esta situação lamentável pode ser resolvida”.

Países da Europa devem adotar restrições contra Huawei

O bloqueio dos EUA está mostrando seus efeitos em mais países. No Reino Unido, as operadoras EE e Vodafone decidiram suspender a venda de celulares 5G da Huawei.

“Até obtermos as informações e a confiança que nos dão a garantia de longo prazo de que nossos clientes, quando comprarem esses dispositivos, receberão suporte enquanto tiverem o dispositivo conosco… colocamos esses dispositivos em pausa”, diz Marc Allera, CEO das marcas de consumo do BT Group, dona da EE.

Segundo a Bloomberg, o governo do Reino Unido deve adotar regras mais restritas para as atividades da Huawei no país, sem bani-la completamente. Além disso, os EUA acreditam que muitos países da Europa vão impedir o uso de equipamentos 5G da Huawei, também sem proibir sua atuação no continente.

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