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Huawei tem substituto do Android mas ele segue “longe de estar pronto”

O bloqueio comercial dos EUA colocou um desafio enorme para a Huawei: ela não pode contar com o Android do Google, nem com chips da Intel e Qualcomm, nem com a arquitetura da ARM. Rumores dizem que a fabricante prepara um sistema HongMeng OS baseado no Linux, capaz de rodar em celulares, wearables e até eletrodomésticos — mas ele ainda não está pronto.

Huawei P30 Lite

O sistema operacional da Huawei é conhecido internamente como “Projeto Z”, segundo o The Information: seu foco sempre foi o mercado chinês, onde ele rodaria em todo tipo de dispositivo compatível com a rede 5G da empresa, incluindo celulares e wearables.

O Projeto Z “teve seus altos e baixos e permanece longe de estar pronto”, dizem as fontes do The Information. A Huawei planeja acelerar o desenvolvimento do sistema após as sanções dos EUA. No entanto, mesmo conseguindo fazer isso, ela terá outro desafio ainda maior: criar um ecossistema de aplicativos.

Afinal, o bloqueio dos EUA significa que nenhuma empresa americana pode fazer negócios com a Huawei. Futuros smartphones não poderão incluir a Play Store nem os aplicativos do Google, como Gmail e YouTube. Isso também afeta redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter), mensagens (WhatsApp, Messenger, Slack), serviços (Uber, Netflix, Airbnb), entre outros.

Huawei pode lançar sistema próprio no quarto trimestre

Ainda assim, a Huawei planeja tentar. Richard Yu, chefe da divisão de eletrônicos de consumo, afirma em entrevista ao The Information que a empresa será “forçada a lançar nosso próprio sistema operacional e ecossistema”.

Yu Chengdong, diretor de produtos de consumo da Huawei, disse em um grupo do WeChat que o sistema operacional da empresa deve ser lançado no quarto trimestre, segundo o China Business Network.

O sistema da Huawei poderia funcionar em “celulares, computadores, tablets, TVs, carros, wearables e outros produtos”, e seria compatível com todos os aplicativos do Android: se forem recompilados para rodarem de forma nativa, eles teriam desempenho 60% maior.

A Huawei quer ultrapassar a Samsung e se tornar a maior fabricante de celulares do mundo até 2020. Por sua vez, a divisão de eletrônicos de consumo — liderada por Yu — tem o objetivo de triplicar seu faturamento para US$ 150 bilhões até 2023. No entanto, o executivo reconhece que alcançar essas metas “será muito difícil” se as sanções continuarem.

Para Yu, a Huawei passa por “um momento realmente difícil”. O setor de PCs também é afetado: “o governo dos EUA não nos permite usar o Windows da Microsoft, o Android do Google, nem a Intel”, explica o executivo. A Microsoft deixou de vender o laptop Matebook X Pro em sua loja online.