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Como um perfil falso no LinkedIn conseguiu uma entrevista no Google

O objetivo do perfil falso no LinkedIn era mostrar que as "contas falsas são impossíveis de serem detectadas"

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05/06/2019 às 13h05

Parece mentira, mas a história é real. John, um jovem de San Francisco, criou um perfil no LinkedIn e, em poucas horas, fez mais de 170 conexões e conseguiu ser convocado para uma vaga no Google. O curioso é que John não existe — trata-se de um perfil falso.

A pegadinha (ou experimento, como justifica o autor) foi conduzida pelo site How-To Geek. O objetivo era mostrar que “contas falsas no LinkedIn são impossíveis de serem detectadas”. O artigo, escrito por Josh Hendrickson, é uma forte crítica à rede social.

Perfil falso no LinkedIn

“Não confie em tudo que você vê no LinkedIn. Criamos um perfil falso no LinkedIn com um emprego falso em uma empresa real. Nosso perfil falso atraiu a atenção de um recrutador do Google e conquistou mais de 170 conexões e 100 recomendações”, diz.

Enquanto todos estão falando de contas falsas no Facebook e seguidores falsos no Twitter, a intenção era chamar atenção para o LinkedIn, esquecido quando a conversa é sobre fakes. E a rede social da Microsoft tem um agravante, não verifica as informações.

Criando um perfil falso no LinkedIn

Lembra que eu disse que John não existe? Poisé, a foto do perfil foi uma criação da inteligência artificial do site thispersonesnotexist.com — uma foto falsa gerada por um algoritmo. Depois de criar o John, o primeiro passo foi criar uma conta falsa e conectá-lo a uma empresa real. No caso, a HP. O que não foi nada complexo, já que o LinkedIn não solicita provas ou confirmações por parte do funcionário ou da empresa em questão.

Isso quer dizer que você pode dizer que trabalha para uma grande empresa no cargo que bem entender. John, identificou-se como Innovation Technologist. O falso usuário também tinha um currículo forjado com empregos anteriores: Exabeam e Salesforce.

Perfil falso no LinkedIn

O que a HP poderia fazer?

Por parte da empresa, o processo para excluir um falso funcionário não é simples — ainda que possível. Primeiro, é preciso perceber que há uma pessoa listada como funcionário quando não deveria. Depois, um funcionário real precisa fazer login no perfil do LinkedIn da empresa, acessar a página de contato e explicar a situação ao LinkedIn. Por fim, terá que esperar uma ação do LinkedIn pode remover o funcionário.

As 170 conexões eram falsas?

Para tornar mais verídico o perfil falso de John no LinkedIn, o site buscou fazer conexões com funcionários de verdade na HP, aleatoriamente. Não havia uma única conexão legítima com ninguém. Contudo, bastava que o convite fosse aceito sem qualquer investigação (o que acontece com frequência). Quantas vezes você faz isso?

Entretanto, ninguém percebia que John não era real. Em vez disso, o perfil recebeu convites de conexão e, pasmem, o Google achou que ele poderia ser um bom candidato para um emprego. De acordo com o site, um recrutador do Google entrou em contato.

E as recomendações?

A história só piora. O Google achou que John poderia ser um bom funcionário ao analisar seu histórico profissional (falso) e suas experiências anteriores (forjadas). As recomendações são um adicional e fazem crer que ele realmente é bom no que faz.

Para obter conexões com outros usuários mais rapidamente, foi usado um “atalho”. Um serviço pago, que o site não identificou (mas que trata-se do Linked Jetpack, que cobra incríveis U$ 99 por curtidas, recomendações, comentários e outras coisas), deu ao John mais 100 conexões. Essas conexões endossaram suas dez principais habilidades.

O LinkedIn também não percebeu que as interações eram falsas — algo muito comum no Instagram e no Twitter. É o que o site promete para quem paga pelo “impulso”.

Recomendações Falsas LinkedIn

“Todos os perfis que convidam você têm uma foto de perfil, um nome em inglês e uma localização nos Estados Unidos. Eles têm experiência de trabalho e formação educacional”, diz o FAQ.

A plataforma explica que, felizmente, isso não é um problema para a maioria dos seus clientes porque eles estão trabalhando para empresas multinacionais, onde têm chefes ou pares de outros países, e ter conexões internacionais na internet é muito comum.

Enquanto as recomendações só podem ser feitas por usuários do Estados Unidos, conexões podem ser feitas com perfis também do Reino Unido, da Europa ou da Índia.

Onde está o erro?

Como o artigo aponta, os problemas do LinkedIn são vários: 1) qualquer um pode criar um perfil com qualquer nome; 2) qualquer um pode se cadastrar como funcionário de qualquer empresa; 3) o LinkedIn não oferece às empresas uma forma fácil de moderar a lista de funcionários.; 4) qualquer um pode comprar conexões e recomendações.

As pessoas confiam intuitivamente que o histórico de trabalho de uma pessoa é real e verdadeiro (incluindo ex-empregos e instituições de estudo que frequentaram) e que as outras pessoas ou empresas conectadas aos perfis verificaram a validade das conexões.

Mentir no currículo é coisa velha

Mentir no currículo é coisa velha, lógico. E, na versão digital, que é o LinkedIn, isso é ruim para todos na plataforma. Se os recrutadores não foram capazes de confiar, estarão menos propensos a usar o LinkedIn e podem recorrer a outros métodos.

Por fim, Josh, o autor do artigo, sugere mudanças para lidar com o John, o perfil falso.

  • O LinkedIn pode permitir que empresas verifiquem seus funcionários e forneçam melhores ferramentas para remover quem não faz parte do quadro. Isso ajudaria, inclusive, a cortar o vínculo com a empresa após desligamento.
  • A rede social pode verificar os IDs e dar a alguns perfis um selo “verificado”, como o Twitter faz. Isso seria inclusive muito bom para evitar fakes de pessoas públicas.
  • Para impedir conexões falsas, o LinkedIn pode até procurar e detectar sinais de atividade suspeita, como um perfil recebendo 100 convites de conexão de uma só vez. Outras redes sociais já tem feito esforços do tipo para evitar compra de likes.

Mesmo que tudo isso seja implementado, fica nas mãos do usuário analisar com mais atenção cada convite no LinkedIn. Seja você um usuário comum procurando oportunidades de negócios e um novo emprego ou um recrutador na plataforma.

O que dizem os termos de uso do LinkedIn?

De acordo com o LinkedIn, você é responsável por tudo o que acontece na sua conta, a menos que a encerre ou denuncie uma utilização indevida. Ainda de acordo com a plataforma, entre você e terceiros (incluindo empregador), a sua conta pertence a você.

Sobre informações falsas, como dados pessoais, criar perfis falsos ou qualquer outras partes falsas criadas por usuários do LinkedIn, o termo de uso lava as mãos, assim como a maioria dos sites de redes sociais e plataformas de vídeo, fotos ou texto online.

“Você concorda que somente fornecerá conteúdos e informações que não violem a lei ou os direitos de terceiros (inclusive direitos de propriedade intelectual). Você também concorda que as suas informações de perfil serão verídicas. O LinkedIn poderá ser exigido por lei a remover determinadas informações ou conteúdo em alguns países”.

Observação: Josh não seguiu com a farsa do John após o contato feito pelo Google.

Com informações: How to Geek e LinkedIn

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