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Moro tem linha de celular roubada e perde acesso ao Telegram

O ministro cancelou sua linha depois que sua conta no Telegram ficou sob controle de um invasor por seis horas

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06/06/2019 às 13h17

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, teve de trocar sua linha de celular pessoal após ela ter sido roubada na terça-feira (4). Durante seis horas, um invasor teve acesso à conta de Moro no Telegram e conseguiu enviar mensagens para seus contatos.

A informação foi publicada inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública ao Tecnoblog. O ministro percebeu algo de errado quando recebeu uma ligação que indicava ser de seu próprio número. Ele atendeu, mas não havia ninguém do outro lado.

Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública (Foto: Isaac Amorim/MJSP)

Logo depois, Moro foi informado de que alguém estava enviando mensagens por ele no Telegram. O aplicativo continuou sendo usado ao menos até 1h de quarta-feira (5). A pasta afirma que o ministro não usava o Telegram “há uns dois anos”.

O caso está sendo investigado pela Polícia Federal e pelo setor de tecnologia do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que ajuda a apurar de onde ocorreu o roubo. A situação volta a levantar dúvidas sobre a segurança cibernética do governo de Jair Bolsonaro.

Em fevereiro, a Folha de S.Paulo revelou que o presidente costuma usar WhatsApp, Twitter e Facebook para se comunicar com sua equipe. O presidente envia mensagens relacionadas ao governo a partir de um celular comum.

Isso porque o TCS (Terminal de Comunicação Segura), celular oferecido pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) não permite a instalação desses aplicativos. O aparelho tem um serviço de mensagens que só pode ser usado com equipamentos parecidos.

No entanto, ele não é considerado tão prático quanto o WhatsApp, por exemplo. O receio de alguns integrantes do governo é que informações sensíveis sejam colocadas em risco por conta da falta de segurança de aplicativos comuns.

Esta não é a primeira vez o alto escalão de um governo brasileiro sofre com o roubo de linhas. Em março de 2018, no governo de Michel Temer, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Carlos Marun (Secretaria de Governo) tiveram suas contas em aplicativos de mensagens invadidas.

Elas foram usadas para pedir empréstimos a contatos dos ministros. O golpe pedia depósitos em uma conta do Banco do Brasil em São Luís, no Maranhão. Depois de serem informados sobre o que estava acontecendo, Padilha e Marun cancelaram suas linhas. A conta foi bloqueada e, em julho, duas pessoas foram presas sob suspeita de participação no crime.