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Facebook decide não excluir deepfake de Mark Zuckerberg no Instagram

Deepfake divulgado originalmente no Instagram mostra Mark Zuckerberg fazendo declaração polêmica

Emerson Alecrim Por
22 semanas atrás

Um vídeo postado recentemente no Instagram mostra Mark Zuckerberg fazendo uma declaração polêmica. Só que não é ele: trata-se, na verdade, de um deepfake muito bem produzido. Apesar disso, o Facebook assegura: o vídeo manipulado não será removido do Instagram.

Deepfake - Mark Zuckerberg

O vídeo falso mostra Zuckerberg dizendo: "imagine isso por um segundo: um homem, com controle total de bilhões de dados roubados, todos os seus segredos, suas vidas, seu futuro. Eu devo tudo isso à Spectre. A Spectre me mostrou que quem controla os dados controla o futuro".

Tudo foi feito de maneira tão cuidadosa que fica difícil acreditar que o vídeo é uma montagem. Mas é. Os autores do deepfake são Bill Posters e Daniel Howe, que fizeram o trabalho em parceria com a agência de publicidade Canny.

A própria agência revelou que o vídeo foi produzido com base no algoritmo Face2Face, das Universidades de Washington e Stanford. Além disso, eles usaram um trecho de um vídeo verdadeiro de Zuckerberg para treinar o algoritmo de inteligência artificial.

Por fim, os autores reconstruíram o rosto de Zuckerberg em cada instante do vídeo de modo que a expressão dele correspondesse à fala do dublador. O resultado é impressionante:

 

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Uma publicação compartilhada por Bill Posters (@bill_posters_uk) em

Apesar de reconhecidamente falso, o Facebook declarou que não pretende remover o vídeo do Instagram e, presumivelmente, da sua própria rede social.

Eis a justificativa dada: como o material não viola as políticas da companhia, o vídeo será tratado como um conteúdo de desinformação que, como tal, deixa de ser exibido na opção Explorar do Instagram e de funcionar com hashtags. Ainda assim, o vídeo só será considerado como desinformação se agências externas de verificação de fatos o classificarem como falso.

Spectre é o nome de um trabalho artístico que tenta chamar atenção para o risco de manipulação de pessoas por meio das redes sociais. O mesmo trabalho levou à criação de deepfakes de Donald Trump, Morgan Freeman e Kim Kardashian.

Por que Mark Zuckerberg foi o alvo da vez? Parece ser uma provocação. Recentemente, o Facebook foi criticado por não excluir um deepfake de Nancy Pelosi, atual presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, por considerar que o vídeo não viola as suas políticas. Nele, Pelosi parecia estar bêbada. O YouTube, por sua vez, removeu a publicação.

O deepfake de Zuckerberg teria sido criado, portanto, para checar se o Facebook manteria esse discurso com uma "vítima" da sua própria casa. A empresa teve que manter. Se tivesse removido o vídeo, o Facebook estaria sendo acusado de hipocrisia a essa hora.

Com informações: TechCrunch, BBC.