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Bolsonaro demite presidente dos Correios que criticava privatização

Segundo Bolsonaro, presidente dos Correios estava agindo como sindicalista ao criticar o processo de privatização da estatal

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17/06/2019 às 12h39

Jair Bolsonaro anunciou na sexta-feira (14) a demissão do presidente dos Correios, general Juarez Aparecido de Paula Cunha. “Aí complica”, disse o presidente da República após justificar que Cunha teria ido ao Congresso e agido como sindicalista, opondo-se à privatização da estatal.

Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR - 24/01/2019)

Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

Cunha foi ao Congresso no último dia 5 e fez críticas ao plano de privatização da ECT. Ele disse a uma plateia de sindicalistas e parlamentares da oposição que a estatal é autossustentável e insubstituível, e que esse processo em discussão poderia acarretar problemas futuros à União. Um de seus planos para os Correios era abrir o capital da empresa em bolsa nos próximos cinco anos, segundo o Valor.

O então presidente dos Correios defendeu que, se o lado lucrativo (encomendas) for privatizado, o setor de correspondências ficará desfalcado. Com isso, segundo o general da reserva, quem arcaria com os custos de operação seriam os brasileiros, através dos impostos. “Um lado compensa o outro”, disse.

Na audiência realizada na Câmara dos Deputados, Cunha explicou que o resultado financeiro dos Correios é concentrado em poucas cidades: 92% dos lucros vieram das atividades em 324 municípios no ano passado.

Bolsonaro informou que ainda não tem o nome do substituto. Ele disse ter convidado o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido da Secretaria de Governo na quinta-feira (13), para o cargo, mas ainda não houve confirmação.

Para governo, é possível privatizar e manter serviço postal

O assessor da Secretaria de Desestatização do Ministério da Economia, Fábio Abrahão, disse na audiência da Câmara que é possível manter a universalização do serviço postal mesmo vendendo os Correios para a iniciativa privada. Ele também mencionou o rombo de R$ 11,5 bilhões no fundo de pensão dos servidores, o Postalis; e de R$ 4 bilhões no plano de saúde.

Os Correios tiveram lucro por dois anos seguidos: R$ 161 milhões em 2018 e R$ 667,3 milhões em 2017, após dois anos de prejuízo total de R$ 5 bilhões. Para enxugar os custos, a estatal demitirá 7,3 mil servidores por meio de um Programa de Demissão Voluntária e fechará 161 agências até julho.

Com informações: Estadão.

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