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Rappi terá botão de emergência após morte de entregador em São Paulo

Recurso começou a ser desenvolvido depois da morte de entregador em SP; Rappi, Uber e Samu não prestaram socorro

Lucas Lima Por

A Rappi afirmou ao BuzzFeed News que está desenvolvendo um botão dentro do aplicativo dos entregadores para ser acionado em caso de emergências. O recurso só está chegando após a morte por AVC (acidente vascular cerebral) de um entregador na cidade de São Paulo, que passou mal enquanto trabalhava.

Rappi / como cancelar pedido rappi

De acordo com a Rappi, “a empresa está desenvolvendo um botão de emergência, que estará disponível dentro do aplicativo dos entregadores, por meio do qual eles poderão optar por acionar diretamente o suporte telefônico da Rappi — que contará com equipe especializada — ou as autoridades competentes (caso se deparem com situações relacionadas à saúde ou segurança)”.

Rappi, Uber e Samu não prestaram socorro

Em reportagem divulgada pelo BuzzFeed News, no último sábado (6), entre 22h e 22h30, ao descer para pegar a entrega, uma amiga da cliente da Rappi ouviu do motoboy, Thiago de Jesus Dias, que ele estava se sentindo mal, com frio e dor de cabeça. Thiago começou a vomitar e, antes de perder a consciência, pediu para que ligassem para a irmã dele e que avisassem a Rappi.

Outro amigo da cliente ligou para a empresa, reportando o caso. A pergunta da Rappi foi “então ele não vai poder finalizar nenhuma das próximas entregas?”, relatou a cliente.

Eles também tentaram ligar para o Samu, mas nenhuma ambulância chegou. Depois ligaram para a irmã de Thiago, Daiane de Jesus Dias, que acionou novamente o Samu às 23h03. O serviço só retornou o contato 33 minutos depois, quando ela já estava no hospital com o irmão.

Daiane havia chegado ao local às 22h43 e de lá ligou para os amigos de Thiago para acompanhá-lo ao hospital, depois que um motorista do Uber também recusou levar o entregador. A irmã dele também relatou a dificuldade em ser atendida com urgência no hospital, por não ter chegado em uma ambulância. No hospital, Thiago morreu quase 12 horas depois.

A resposta das empresas

Em nota, a Rappi afirmou que o caso está em investigação interna. “A Rappi lamenta profundamente o falecimento do entregador e se solidariza com os seus familiares. A Rappi reforça ainda que está apurando os fatos e está aberta a colaborar com as autoridades.”

A Secretaria Municipal de Saúde, responsável pelo Samu, disse que lamenta o ocorrido e investigará a ocorrência para “adotar medidas cabíveis”. Já o Uber não quis se pronunciar.

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Tiago Celestino

"...Só na ganância, e quando acontece algo, tenta responsabilizar a empresa..."- existem pessoas e pessoas, não tenta generalizar.

"...Qual serviço vc vê que não teria nenhum custo?" - como repetir, o iFood e o Uber vem oferecendo benefícios para os seus "colaboradores" sem repassar esse custo para o consumidor, porque o dinheiro que entra e dos investimentos feitos (na casa de milhões de doláres)

Mas enfim, como a Rappi já fez, criou um botão de emergencia é um passo.

Love

Sobre "trabalho fixo", falei no sentido que o a pessoa que está trabalhando, sabe se está bem ou não para trabalhar, essa pessoa tem que saber que não tem auxílio desemprego, nem doença, então.. ou faz seu pé de meia, ou trabalha em péssimas condições e corra o risco por conta própria.

Eu não sei qual o valores do ifood, ou do Rappi, nem de lucro total das empresas, nem de quanto é a fatia do lucro de cada entrega que cobram, mas sei do Uber Eats que, eles cobram uma taxa razoável do lucro de cada entrega, e que o lucro anual da empresa saí sempre no negativo.

Sobre a responsabilidade da empresa, qual o meio viável que vc vê para a empresa ajudar em uma situação de risco como aconteceu?
Eu vejo uma assistência 24/7, com um atendente com acesso a todos os dados do motorista, e pronta para ajudar no que for possível em um contato com algum tipo de atendimento médico, e por mais que isso fosse gerar um custo mínimo para a empresa, seria repassada para a pessoa que presta o serviço, e talvez até para o consumidor.
Qual serviço vc vê que não teria nenhum custo?

E o papel desses apps que oferecem esse serviço, é conectar um cliente, com um motoboy, simples e funcional, na minha visão, teria que trabalhar a responsabilidade das pessoas, tem muito cara que utiliza disso tudo que te falei, de não ter hora para sair ou entrar online para trabalhar, que fica 12h-14h-15 trabalhando, até mais... Só na ganância, e quando acontece algo, tenta responsabilizar a empresa.

Tiago Celestino

"Não é um trabalho fixo, vc não tem horário para entrar, ou para sair, não precisa trabalhar todos os dias, quer mais flexibilidade que essa?" - infelizmente para muita gente virou um "trabalho fixo", isso é um fato. Não como se negar, por mais que o modelo de negócio não tenha sido projetado pra isso, mas aconteceu.

Eu entendo seu comentário, porém tenta pensar o quanto essas empresas ganham e o quanto o entregador está recebendo. Essa argumentação de que se existir algum meio dentro do app ou responsabilidade da empresa cairá pra cima dos seus consumidores, para mim não tem sustentabilidade. Falo isso, porque vejo o quanto o iFood e até mesmo o Uber vem querendo quebrar um pouco essa coisa de que o profissional só ver como um trabalho fixo. Com espaços para descanso, alimentação (caso do iFood), com benefícios para melhores motoristas (lavagem do carro mais em conta, espaço para descanso) e isso não está se refletindo diretamente no custo para os consumidores.

Acho que é preciso existir uma discussão sobre o papel desses serviços que utilizam da argumentação do trabalho flexível para se sustentar com negócio.

Love

Discordo, qualquer auxílio a mais para a pessoa, será cobrada direta ou indiretamente...

Não é um trabalho fixo, vc não tem horário para entrar, ou para sair, não precisa trabalhar todos os dias, quer mais flexibilidade que essa?
Uma pessoa doente, passando mal, tem todas as oportunidades para parar de trabalhar, e ir para o hospital, ou descansar...

O mais errado é pegar o problema da resposta da Rappi, e oferecer como solução obrigar a empresa a disponibilizar algo para os motoboys, isso vai inchar o custo do app de forma indireta para todos os usuários, e certeza que teria uma reclamação futura sobre esse "aumento de custo", não é vantajoso.

Tiago Celestino

Acho que colocaram a “culpa” por causa da resposta. Mas querendo ou não, a empresa deveria ter alguma forma de auxiliar seus usuários/funcionários

Rafael F. Silva

A lei em momento nenhum te obriga a fazer algo mais que chamar as autoridades publicas.

Rafael F. Silva

Disca 191 , 192 , 193 e responda as perguntas que serão feitas. Pronto, você já prestou ajuda a vitima e não cabe nenhuma acusação de omissão de socorro.

Fiz isso ontem, quando um motoqueiro se estabacou na traseira de um carro e ficou com a perna sangrando. Tirei a moto da rua, liguei pra policia e samu, e segui minha vida. Não perdi nem 5 minutos.

Rafael F. Silva

No momento em que se chama uma ambulância, já não cabe mais a omissão de socorro. Se ela vai chegar 2 dias depois é outra história...

Love

Concordo que faltou sensibilidade por conta dessa resposta, mas vendo o que a Rappi pode ou não fazer numa situação dessas, é ridículo colocar a culpa neles.

MJuliani

Particular, ou seja sem plano

Thalles Ferreira

Mostrou carteirinha do plano? Deu dados pessoais? Tá ali seu pagamento direcionado, caso tente dar calote.

Tiago Celestino

Uma vez, perto de minha casa, um senhor foi assaltado e provavelmente baleado (não cheguei ver o ferimento, mas o assaltante tava armado), liguei para o SAMU, bombeiro, policia, demorou 30min e quando chegaram, foram todos de uma vez só.

Tiago Celestino

Bem isso!! Startup tem esse nome porque pode gastar a vontade...o problema é quando esse gastar não traz nada de retorno, ai é o fracasso.

Tiago Celestino

Pra mim, a resposta da empresa foi o maior problema. O SAMU deveria tá lá, mas faltou um pouco de sensiblidade do atendimento da Rappi nessa situação.

Alessandro

Sei lá, não quero defender essas empresas de aplicativo, mas acho que problema aí foi do estado/município o samu devia ter respondido, mesmo se o cara estivesse dentro da empresa, ainda teria de esperar o samu.

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