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Google confirma fim do Dragonfly, projeto de buscador censurado para a China

Vice-presidente do Google confirmou que projeto foi cancelado em depoimento ao Senado americano

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17/07/2019 às 17h19

Os rumores foram confirmados: a versão censurada do buscador do Google para a China foi cancelada. O projeto Dragonfly, como era batizado, enfrentou uma série de polêmicas por ter que respeitar as censuras impostas pelo governo chinês, escondendo conteúdos proibidos dos resultados de busca.

Google China

O cancelamento foi oficializado na terça-feira (16) pelo vice-presidente de políticas públicas do Google, Karan Bhatia, em depoimento ao Senado americano. Segundo Bhatia, “não temos planos para lançar a Pesquisa na China e não há nenhum trabalho sendo realizado em um projeto desse tipo”.

É a primeira vez que o Dragonfly é descrito publicamente pelo Google como “cancelado”, embora haja indícios de que o projeto tenha sido suspenso há meses. Em março, o Google declarou que os funcionários que trabalhavam no Dragonfly foram movidos para novos projetos e que não havia mais planos para desenvolver uma versão chinesa do buscador.

Google tem atuação restrita na China

O Google nunca saiu totalmente da China, mas o buscador e os serviços como o YouTube são bloqueados no país. Uma versão chinesa da Pesquisa Google chegou a ser lançada em 2006 e tinha filtros de censura no endereço google.cn, mas os usuários ainda podiam acessar irrestritamente o google.com na época.

Sabendo que havia “brechas”, o governo chinês bloqueou o endereço google.com e sites de outras companhias estrangeiras. Nesse processo, outros serviços também acabaram sendo barrados, como o Gmail. A soma desses transtornos levou o Google a sair do mercado de buscas da China em março de 2010. O buscador só seria mantido se o governo chinês aceitasse uma versão sem censura, o que não ocorreu.

No final de 2018, funcionários do Google afirmaram que foram afastados do projeto por terem críticas à ferramenta. Uma das preocupações era relacionada à infraestrutura do buscador, que dependeria de data centers em Pequim ou Xangai. Isso faria o governo chinês ter ampla facilidade para acessar dados de usuários, incluindo adversários políticos, ativistas e jornalistas. Para impedir as críticas, o Google teria isolado as equipes de segurança e privacidade do projeto Dragonfly.

Tecnocast 101 – A muralha chinesa

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Pela primeira vez o CEO do Google, Sundar Pichai, falou abertamente sobre a ideia de levar o buscador novamente para o mercado chinês. Ele confirmou a existência do projeto Dragonfly, versão censurada do Google, desenvolvida para se adequar às regras do partido comunista.

Submeter-se à censura levanta dilemas éticos – os próprios funcionários do Google disseram em uma carta que o “Dragonfly representa uma ameaça à liberdade de expressão”. No entanto, segundo Sundar Pichai, apenas 1% das buscas seriam afetadas pelas restrições.

Aproveitando esse gancho, falamos também sobre casos de censura e bloqueios em governos democráticos. Dá o play e vem com a gente!

Com informações: BuzzFeed.

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