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Privatização dos Correios e Telebras deve levar “dois anos ou mais”

15 estatais estarão no programa de privatização do governo Bolsonaro, incluindo Correios, Telebras, Serpro, Dataprev e Ceitec

Felipe Ventura Por

Nove empresas nacionais entraram no programa de privatização: a lista inclui os Correios, o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social) e a Telebras. A estatal de telecomunicações diz que o processo de análise estudará “alternativas de parceria com a iniciativa privada”; segundo autoridades do governo Bolsonaro, o processo pode levar “dois anos ou mais”.

Telebras

A Telebras afirma em fato relevante que foi comunicada na quarta-feira (21) pelo MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) sobre o processo de privatização. Como explicou o presidente Jair Bolsonaro, as estatais não serão vendidas imediatamente: primeiro, elas serão objeto de estudo dentro do PPI (Programa de Parceria de Investimentos).

A qualificação da Telebras para o PPI “teria a finalidade de estudar alternativas de parceria com a iniciativa privada, bem como propor ganhos de eficiência e resultado para a empresa, com vistas a garantir sua sustentabilidade econômico-financeira”, diz a estatal. Ela se baseia em declarações do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas; e do Secretário Especial de Desestatização, José Salim Mattar Júnior.

Os estudos do PPI devem ser realizados dentro de 180 dias por um comitê interministerial. O mesmo valerá para as outras empresas do governo como os Correios e o Serpro: “cada uma delas será analisada a fim de se verificar qual seria o melhor modelo econômico a ser adotado para cada ativo”.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que as estatais seriam vendidas já em 2019, mas o processo deve ser demorado. “Cada projeto poderá levar cerca de dois anos ou mais para análise”, lembra a Telebras, “considerando a necessidade de diversas considerações e valuation”. Além disso, a privatização de estatais precisa de aval da Câmara e do Senado.

A Telebras foi criada em 1972 para instalar telefones fixos no país; depois da privatização das operadoras, ela ficou responsável por fornecer redes de telecomunicações para outras empresas, através de seu backbone com cerca de 30 mil km de fibra óptica.

A estatal também leva internet para áreas mais remotas e gerencia satélites como o SGDC, que ficou envolvido em uma disputa judicial. Em 2018, ela sofreu prejuízo de R$ 224,8 milhões. Apesar de ser controlada pelo governo, suas ações são negociadas na bolsa de valores; elas fecharam em alta de 65% com a expectativa da privatização.

Telebras

15 estatais estarão no programa de privatização

Bolsonaro disse que os Correios serão a primeira estatal a ser privatizada. Esta é a lista das 9 estatais que entrarão no PPI:

  • Correios
  • Telebras
  • Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados)
  • Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social)
  • Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada)
  • Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo)
  • Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo)
  • Emgea (Empresa Gestora de Ativos)
  • ABGF (Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias)

Além dessas, há seis empresas que já haviam sido qualificadas para entrarem no PPI:

  • Casa da Moeda
  • Eletrobras
  • CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos)
  • Trensurb (Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A.)
  • Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo)
  • Ceasaminas (Centrais de Abastecimento de Minas Gerais)

O governo também planeja se desfazer da Lotex (Loteria Instantânea Exclusiva), responsável pelas raspadinhas; e vender uma participação de R$ 1 bilhão em ações do Banco do Brasil. A EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que chegou a aparecer em uma lista de estatais a serem privatizadas, ficou de fora do PPI e continuará sob a tutela do governo.

Com informações: TeleSíntese. Atualizado em 27/08.

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Theo Queiroz

Bola de cristal por dizer o óbvio. Tá ok.

Trovalds

Tá, deixa pra lá. Tô falando o que não sei. Vou deixar você e sua bola de cristal em paz.

Theo Queiroz

Sem noção não, vc é desentendido mesmo.

Os bancos acreditam piamente nos dados que os clientes fornecem e não fazem nenhum tipo de checagem em bancos de dados do governo


Exato: nos dados que os clientes FORNECEM. Como eu disse, vc não é obrigado a abrir uma conta no Bradesco.
Já no caso da privatização de órgãos como SERPRO e DATAPREV, as empresa privadas terão acesso a informações de toda a população que NÃO teve escolha de esconder isso deles, já que a adição dos dados aos referidos órgãos é "obrigatória", como cidadão brasileiro.

Vc não é sem noção, só não sabe do que tá falando...

Frederico Martins

Nesse parágrafo final nós concordamos 100%. 😂😂😂😂

Trovalds

Os bancos acreditam piamente nos dados que os clientes fornecem e não fazem nenhum tipo de checagem em bancos de dados do governo pra verificar a validade como os da Receita Federal (e dados que não são abertos ao público em geral). Mas o sem noção aqui sou eu.

Vou resumir pra você: uma coisa são os dados públicos, que qualquer um tem acesso. Outra coisa são dados que são de uso restrito. Só porque você tem informações acessíveis ao alcance de alguns cliques de mouse não significa que existam dados sigilosíssimos nos mesmos bancos de dados.

MAS eu sou sem noção e tô falando abobrinha.

Keaton

1/10 Comentário eloquente.

Frederico Martins

Se nem sabia q ainda existia quem dirá saber disso tudo. 😂

Theo Queiroz

SERASA até que vai, mas cartórios e bancos privados não lidam com os dados de toda a população. Vc não é obrigado a abrir uma conta no Bradesco, por exemplo. Eles detém apenas os dados dos clientes deles. Como o amigo aí em cima falou: totalmente sem noção sua comparação.

João Antonio Martins Mendes

voce nao tem noçao o tanto que ajuda Todos os Provedores, a Telebras leva fibra em algumas regioes que ninguem consegue passar cabos.

Keaton

Espero que leve quatro anos e o próximo governo não seja tão retardado quanto esse. hahahaha

Maluco quer privatizar tudo, não só os correios... :I

Thiago Mobilon

Acabamos de subir um update pra resolver esse problema. Agora o banner checa se já foi visualizado (1 segundo com 50% do banner na tela já conta como view). Se sim, ele some da rolagem.

Aliás, se você visualizar antes de rolar, ele sequer fixa no topo.

Dá alguns refreshs pra eliminar qualquer cache e aí testa. ;)

Frederico Martins

Deus te abençoe então.

zephyr1an

conversa lá com o povo da Noruega, tem estatal deles comprando coisas aqui...a preço de banana

na Europa tem muita coisa ainda estatizada ou semi estatizada, e se não me engano na Inglaterra estão pensando em re-estatizar algumas coisas

isso sem considerar outras coisas, como por exemplo, certos setores são monopólios naturais, nesses casos a gente necessariamente vai ter um monopólio natural ou um monopólio privado altamente regulado

existem também setores que são estratégicos, então caem mais ou menos no mesmo caso: ou se tem empresas estatais, ou empresas privadas altamente regulamentadas

agora, quando um governo é explicitamente contrário a estatais, o que ele faz ? sabota as estatais que funcionam, para vender a preço de banana...foi isso que FHC fez com a Petrobrás, que vivia tendo acidentes na época, o mais famoso deles com aquela plataforma de petróleo...com o Lula a Petrobrás chegou a ficar na 20ª posição no ranking da Forbes...com a Dilma caiu pra 28ª...a Vale, por sua vez, foi vendida por um preço de troco de pinga...

ps. ironia das privatizações: a Enel, distribuidora de energia elétrica em SP (maior distribuidora do Brasil) é uma empresa controlada pelo governo italiano...

zephyr1an

"estudos" ? você "espera estudos" desse pessoal ? o que vale é a ordem do bozo...

Thiago Mobilon

Tivemos uma ideia aqui, vamos implementar!

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