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Correios entram em greve e afetam parte das entregas do Mercado Livre e Amazon

88,6% das lojas online fazem entrega pelos Correios; Mercado Livre e Amazon usam serviços da estatal e de transportadoras

Felipe Ventura Por
11/09/2019 às 10h34

Os funcionários dos Correios decidiram entrar em greve na noite desta terça-feira (10): a decisão foi tomada de forma unânime por 36 sindicatos da categoria em todo o Brasil. Eles protestam contra a futura privatização da estatal, e contra o reajuste salarial abaixo da inflação. Cerca de 80% das agências permanecerão fechadas, afetando boa parte das entregas do comércio eletrônico, incluindo Mercado Livre e Amazon.

Correios

O efeito da greve promete ser grande: os Correios são utilizados por 88,6% das lojas virtuais no Brasil, segundo a Abcomm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico). Esse percentual é menor que em 2013, quando 93% do varejo online dependia da estatal; os sites vêm, aos poucos, adotando serviços de transportadoras privadas.

O Mercado Livre já exibe um aviso em compras entregues pela estatal: "o envio deste produto é pelos Correios e, no momento, estão em greve. Por isso, a data de entrega é mais longa do que de costume. Desculpe". Isso afeta as encomendas do Mercado Envios, serviço oferecido em parceria com a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos).

Vale lembrar que nem todo produto do Mercado Livre é enviado pelos Correios: a empresa trabalha com diversas transportadoras, incluindo Jadlog, Total Express, Transfolha, DHL e Loggi.

Com a Amazon, trata-se de algo semelhante: ela utiliza os serviços dos Correios e de várias transportadoras — a lista inclui Total Express, Sequoia, Loggi, Jadlog e Shippify. Ela não possui uma operação própria de entrega no Brasil.

Funcionários protestam contra privatizar Correios

Os funcionários dos Correios entraram em greve para protestar a proposta de reajuste salarial de 0,8%, inferior aos 3,1% da inflação acumulada segundo o INPC (Índice de Preços ao Consumidor). A estatal diz em comunicado que "apresentou sua real situação econômica e propostas para o acordo dentro das condições possíveis, considerando o prejuízo acumulado na ordem de R$ 3 bilhões".

A greve também foi motivada pelo processo de privatização dos Correios. A empresa entrou no PPI (Programa de Parceria de Investimentos) para decidir como ela será transferida para a iniciativa privada. Telebras, Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social) e mais estatais também serão vendidas.

Funcionários do SINDECTEB (Sindicato dos Empregados da ECT de Bauru e Região) em votação sobre greve

"Cerca de 80% das agências vão aderir à greve. Foram 36 sindicatos que em conjunto e com decisão unânime decidiram pela paralisação", diz à Veja Douglas Cristóvão de Melo, diretor de comunicação da Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios).

Em nota, a Findect afirma que "a direção da ECT e o governo querem reduzir radicalmente salários e benefícios para diminuir custos e privatizar os Correios, entregar o setor postal a empresários loucos por lucro".

O Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, preparou um estudo com diversos argumentos a favor da privatização dos Correios, incluindo casos de corrupção, interferências políticas na gestão e greves constantes.