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Uber demite 435 funcionários após registrar prejuízo recorde

O grupo demitido representa 8% das equipes de produto e engenharia da Uber

Victor Hugo Silva Por

Os últimos meses não têm sido fáceis para a Uber. Após demitir 400 funcionários do setor de marketing em julho, a empresa realizou uma nova rodada de demissões. Agora, 435 pessoas foram desligadas em vários escritórios da companhia.

Uber

Segundo o TechCrunch, as demissões envolvem 170 funcionários da equipe de produto e 265 da equipe de engenharia. Em nota enviada ao site, a Uber informou que o grupo representa aproximadamente 8% dos dois departamentos.

Cerca de 85% dos profissionais demitidos atuavam nos Estados Unidos. Outros 10% estavam na região Ásia-Pacífico e 5%, na Europa, Oriente Médio ou África. As demissões não afetam equipes do Uber Eats e do serviço de transporte de carga por caminhões Uber Freight.

Com aproximadamente 27 mil funcionários, a Uber afirma que parte de suas contratações foram feitas muito rapidamente e de forma descentralizada. O plano agora é manter equipes enxutas, com funções claras e alto desempenho.

“Estamos fazendo algumas mudanças para nos colocar de volta aos trilhos”, afirmou a companhia, em comunicado. “Acreditamos que isso resultará em uma organização técnica muito mais forte que, a partir de agora, continuará a contratar alguns dos melhores talentos do mundo”.

Ao mesmo tempo em que demite, a companhia deve retomar contratações. Os processos seletivos foram interrompidos em agosto justamente para equipes de produto e engenharia, que teriam ultrapassado as metas de contratação para o ano.

A medida foi adotada após a empresa registrar prejuízo recorde de US$ 5,2 bilhões no segundo trimestre de 2019. O resultado foi influenciado pela remuneração em ações para funcionários após a estreia na bolsa de valores, em maio.

No entanto, ainda que essa despesa não seja considerada, o prejuízo foi de US$ 1,2 bilhão. Enquanto a receita com viagens de carro cresceu apenas 2% em um ano, a Uber precisará investir em modalidades como o Uber Eats, que cresceu 72%, ou continuar cortando custos.

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David

Nao é tão simples assim, se o vínculo trabalhista for reconhecido, a uber teria duas opções: manter a plataforma aberta e encarar uma porrada de processos trabalhistas, ou fechar sua plataforma e selecionar os motoristas a dedo como qualquer outra empresa, excluindo os outros milhões que nao conseguem se posicionar no mercado formal e usam o app para sobreviverem, fora que é
extremamente conveniente para governos, dado que os que trabalham nesses apps ficam de fora das estatísticas de desempregados.

André G

Parabéns, graças a essas demissões o prejuízo cairá de 5,2 bilhões para 5,19 bilhões.

Marcos oliveira

Uber despencou na bolsa de valores
.
Agora eu quero ver continuar o dupping.
🤣🤣🤣🤣🤣

zephyr1an

não sei...só sei que tem muita gente que acha que "faz sentido" os motoristas do Uber serem classificados como "funcionários" e não "prestadores de serviço"

quanto ao Uber (e outras empresas do tipo) é óbvio que querem o melhor do capitalismo, mas sem os riscos do capitalismo: é uma maravilha eles não terem empregados (motoristas), não precisarem imobilizar capital em veículos (milhões de veículos!), não precisarem ter custos operacionais (manutenção, combustíveis, garagens, etc), enfim, eles querem só o filé, e não o osso...francamente, ainda não entendi como eles conseguem ter prejuízo

Gabriel Arruda

Esse é justamente o problema, essa proposta "blitzscaling" talvez não se aplique a todas as startups.

O Facebook tem um efeito de rede, a Amazon tem diversos produtos diferenciados (AWS, Kindle, logística), etc. O Uber oferece um produto commoditizado, sem efeito de rede e nenhum plano de lucrar (nem longo prazo).

Gesiel Kloeppel da Silva

PS: eu estava comentando sobre a questão do prejuízo e não sobre as demissões. Essa quantidade de demissões com certeza são fruto de má gestão.

Gesiel Kloeppel da Silva

Esse tipo de matéria é um pouco questionável. Empresas como o Uber não trabalham com foco em receita / despesa. Todo o planejamento é realizado para aumentar o valor de mercado da companhia com a valorização das ações. Esse tipo de corporação quase sempre vai ter prejuízo. Quando o Uber abriu capital (IPO) estava valendo U$ 82 bilhões, se o planejamento deles for valer U$ 100 bi, eles vão gastar igual uma empresa de U$ 100 bi, para acelerar o crescimento. Isso com certeza vai aumentar o prejuízo...

A questão é saber se os acionistas estão satisfeitos com o retorno do investimento que fizeram e o quanto esses indicadores negativos afetam no valor da companhia.

Bom pra California, ou não ;)

zephyr1an

governo da Califórnia tem opinião diferente

Silvio Ney

É isso que acontece quando aparece algo inovador pra quebrar os "velhos"... Agora há muito mais concorrente oferecendo o mesmo serviço via app, inclusive os taxis... e pelo mesmo preço.

Aqui em Portugal outro dia o Uber tava custando 15€ pro destino... vi um taxi ao lado e por curiosidade fui perguntar quanto custava pro mesmo destino e disse que no maximo 13€. Então fui logo de taxi e deu exatamente os 12,50€

Resumo: quem ganha com concorrência são os consumidores.

Ta louco. Vinculo trabalhista pra quem é freelancer (uber) ou PJ não faz o menor sentido.

Elias

Se não houver vínculo trabalhista imediatamente o mundo será um caos pois abre precedente para todas as áreas

Fernando Val

Investimento sem planejamento e na base do "contrata aí porque temos pressa em crescer".

Passa o tempo, vem a barca e leva um monte.

Já vi isso em diversos setores.