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Vivo estaria avaliando comprar parte da Oi

Jornal espanhol aponta que Telefónica contratou banco para auxiliar possível negócio envolvendo Oi e Vivo

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16/09/2019 às 11h12

O mercado de telecomunicações acordou agitado na manhã desta segunda-feira (16) por causa de uma possível intenção de compra da Oi pela Telefónica, dona da Vivo no Brasil. O grupo espanhol estaria avaliando uma compra parcial dos ativos da Oi, que tem valor de mercado avaliado em US$ 6,7 bilhões.

Foto por Barbara Eckstein/Flickr

A informação foi revelada pelo jornal espanhol El Confidencial, que no passado foi um dos primeiros a noticiar o escândalo Panama Papers. Fontes do veículo afirmam que a Telefónica já contratou um banco de investimento para assessorar um eventual negócio.

A situação da Oi é delicada: a empresa enfrenta um processo de recuperação judicial que se iniciou com dívidas de mais de R$ 65 bilhões. Na última divulgação de balanço, a operadora terminou o segundo trimestre com prejuízo de R$ 1,5 bilhão no período e dívida líquida de R$ 12,5 bilhões.

A operadora tenta levantar R$ 2,5 bilhões em caixa para não ficar sem recursos para o próximo ano. O governo nega intervenção após o mau desempenho, e a Anatel espera que uma “solução de mercado” permita que os clientes da Oi continuem com seus serviços funcionando.

A divulgação do plano estratégico para o próximo triênio deixou claro que a Oi pretende focar no negócio fixo com a ampliação da sua rede de fibra óptica: a operadora quer atingir 16 milhões de domicílio com cobertura FTTH até 2021 e vender ativos não estratégicos, imóveis e data centers. A diretoria da Oi não descartou a venda do braço de telefonia celular para conseguir investir na rede fixa.

O que a Vivo vai querer comprar?

É bem provável que a Vivo tenha interesse na parte de serviços fixos da Oi. A Oi é a maior operadora de telefonia fixa do Brasil em número de municípios atendidos, mas também é a menor dentre as quatro grandes operadoras no segmento móvel. O extenso backhaul de fibra óptica é um dos ativos mais estratégicos da Oi, que possui presença em mais de 2 mil cidades e traz vantagem competitiva ao expandir a cobertura FTTH e oferecer serviços de conectividade, inclusive para outras operadoras.

A recente aprovação do PLC 79 beneficia tanto Oi como Vivo, mas é importantíssima caso a Telefônica adquira os serviços fixos da Oi. A mudança permite que as operadoras concessionárias mudem para o modelo de autorizadas, incorporando os bens reversíveis com a troca por investimentos em banda larga. Isso traz segurança jurídica, uma vez que as redes fixas não voltariam para o governo em 2025.

Ao mesmo tempo, a Oi jogou o negócio móvel para escanteio, com o plano de maximizar as receitas com o mínimo de investimento possível. Uma compra da Oi Móvel pela Vivo deixaria a concorrência ainda mais distante da liderança. A Vivo Móvel já é a maior operadora brasileira no número de clientes, e dados do Teleco indicam que a Vivo possui 32,3% de market share, enquanto a Oi se posiciona no 4° lugar com 16,4%.

Em qualquer um dos casos, órgãos reguladores precisam avaliar qualquer fusão ou aquisição. Recentemente a Nextel foi adquirida pela Claro e o Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o negócio. O conselho defendeu, no entanto, que a redução do número de players de telefonia móvel de quatro para três “resultaria em uma clara preocupação quanto ao aumento da possibilidade de atuação coordenada entre eles”, como a formação de um “cartel” entre as empresas atuantes.

Com informações: UOL, El Confidencial

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