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AT&T quer vender DirecTV e pode acabar com entrave da Sky no Brasil

DirecTV é dona da Sky no Brasil; AT&T controla os canais Warner, HBO e CNN, e acumula dívidas de US$ 160 bilhões

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19/09/2019 às 13h11

A operadora americana AT&T comprou a DirecTV em 2014 por US$ 49 bilhões, mas fontes do Wall Street Journal apontam que ela pretende vender a divisão de TV por assinatura via satélite. De quebra, isso poderia resolver alguns problemas regulatórios com a Anatel; a DirecTV é dona da Sky no Brasil.

DirecTV

Segundo o WSJ, a AT&T planeja se desfazer da DirecTV, seja transformando-a em uma empresa separada ou até mesmo realizando uma fusão com a Dish, concorrente que também atua com tecnologia DTH. No entanto, de acordo com a Reuters, essa fusão não está em discussão por conta de uma série de impedimentos regulatórios.

Desde que comprou a Time Warner por US$ 85,4 bilhões, a situação financeira da AT&T não vem sendo boa. No segundo trimestre de 2019, a operadora acumulava dívidas na casa dos US$ 162 bilhões, o que faz até a recuperação judicial da Oi parecer algo fácil. Além disso, apenas nesse período a operadora perdeu 778 mil clientes de TV paga; ela espera mais desconexões no próximo trimestre.

Muito se fala sobre a AT&T comprar e “salvar” a Oi no Brasil, mas isso é altamente improvável considerando a situação financeira da operadora americana.

Situação deve aliviar fusão entre AT&T e Time Warner

Quem comprar a DirecTV vai resolver um entrave da fusão entre AT&T e Time Warner (hoje WarnerMedia). A legislação brasileira para a TV paga impede a propriedade cruzada: de acordo com a Lei do SeAC, uma operadora de telecomunicações não pode ser produtora de conteúdos e vice-versa. O objetivo era combater o monopólio de canais pela mesma operadora.

No entanto, ao comprar a Time Warner, a AT&T levou junto um conglomerado de canais, incluindo Warner Channel, HBO, TNT, CNN, Cartoon Network, Boomerang, Tooncast e TruTV. Ou seja, a Sky vende TV paga e faz parte de um grupo que produz conteúdo, algo vetado pela lei do SeAC. A operadora americana considerou se desfazer dela, mas não houve nenhum negócio.

A validade sobre o conceito de propriedade cruzada ganhou destaque nos últimos meses por conta de um conflito entre Anatel e Fox, que distribui seus canais lineares diretamente pela internet, sem a exigência de uma assinatura de plano de TV paga. Entre vários recursos, a Justiça permitiu que a empresa continue com o serviço Fox+.