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Em meio a tensões com a China, Apple decide fabricar novo Mac Pro nos EUA

Apple obteve isenção sobre alguns componentes para manter fabricação do Mac Pro no Texas

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23/09/2019 às 15h53

A Apple confirmou, nesta segunda-feira (23), que o novo Mac Pro será fabricado nos Estados Unidos. Havia rumores de que a produção do equipamento seria transferida para a China, mas, pelo jeito, a tensão comercial entre os dois países e uma certa pressão do governo Trump fizeram a companhia mudar de ideia.

Apple Mac Pro (2019) e Pro Display XDR

O “drama” da Apple começou quando a companhia entrou com um pedido no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) para que alguns componentes fossem excluídos do aumento de tarifas de importação que a administração Trump impôs para determinados itens oriundos da China.

A Bloomberg constatou que as descrições dos componentes correspondiam justamente às peças direcionadas ao Mac Pro. Via Twitter, o próprio presidente Donald Trump declarou que a Apple não iria receber nenhum benefício tarifário para a importação das peças. “Fabrique-as nos Estados Unidos, sem tarifas”, completou:

Coincidência ou não, a Apple confirmou em nota que o novo Mac Pro vai ser produzido em Austin, Texas, nas mesmas instalações que foram usadas para as unidades da linha produzidas desde 2013 — o modelo em forma de “lixeira”. “O Mac Pro é o computador mais poderoso da Apple e estamos orgulhosos de construí-lo em Austin”, disse Tim Cook.

Na mesma nota, a companhia afirma que a decisão faz parte de seu compromisso de investir US$ 350 bilhões na economia dos Estados Unidos até 2023 e ressaltou que a produção de seus dispositivos no país dá suporte a 450 mil postos de trabalho gerados por fornecedores americanos de componentes.

Fábrica da Apple em Austin

Fábrica da Apple em Austin

Apesar disso, não dá para afirmar que a produção do novo Mac Pro terá como base componentes 100% americanos. A própria companhia reconhece que a decisão de manter a fabricação em Austin só foi possível porque o governo concedeu isenção tarifária para importação de determinados itens necessários à produção, apesar da oposição inicial de Trump à ideia.

Como justificativa para essa estratégia, a Apple explicou que, em território americano, os custos dos componentes para o novo Mac Pro são 2,5 vezes maiores na comparação com a geração anterior da linha. A produção vai começar em breve.

É possível que a decisão de manter a produção nos Estados Unidos tenha como base uma conversa que Tim Cook teve com Donald Trump em agosto. Mas essa negociação, se existiu mesmo, pode ter mais capítulos: a Apple ainda tenta anular (ou pelo menos amenizar) um conjunto de tarifas de importação que poderá afetar linhas como iPhone e iPad a partir de 15 de dezembro.