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Claro, TIM e Vivo negociam compra conjunta da Oi, diz jornal

Noticiário espanhol afirma que operadoras se juntam para comprar Oi e dividí-la logo depois

Lucas Braga Por

As especulações sobre a venda da Oi não acabaram: o jornal espanhol Expansión noticiou que as rivais Claro, TIM e Vivo estão se juntando para comprar os ativos da operadora em recuperação judicial. A ideia seria realizar uma aquisição conjunta para logo depois dividir as partes entre as três gigantes.

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O noticiário, do mesmo grupo do El Mundo, não descreve quais seriam os ativos a serem comprados e cita que um acordo entre todas as operadoras possui grande complexidade.

Embora tenha negado qualquer negociação em andamento, a Oi não descartou uma possível venda do braço móvel durante a última divulgação do balanço financeiro. As especulações acontecem há algum tempo. Em setembro, a TIM negou qualquer negociação, enquanto a Vivo ficou de confirmar com a controladora espanhola se existia alguma intenção de compra total ou parcial da concorrente brasileira.

Os rumores circulam em um momento de difícil saúde financeira da Oi. A operadora enfrenta um processo de recuperação judicial desde 2016, com dívidas ultrapassando a casa de R$ 65 bilhões. A Oi conseguiu reestruturar as dívidas com a conversão de títulos dos credores em ações. Nos resultados financeiros do segundo trimestre de 2019, a dívida líquida era de R$ 12,5 bilhões e a operadora teve prejuízo de R$ 1,5 bilhão.

Dificuldades para incorporar a Oi

Qualquer tipo de fusão ou incorporação precisa seguir trâmites regulatórios e de concorrência. No relatório da incorporação da Nextel pela Claro, o Cade já deu o recado de que a existência de apenas três grandes operadoras móveis poderia resultar numa espécie de “cartel”.

Além disso, a legislação vigente estabelece que cada prestadora tenha no máximo 172 MHz de espectro em um município, podendo ser estendido para 181,12 MHz mediante autorização da Anatel. A TIM é a única operadora que fica abaixo do limite estendido, enquanto Claro e Vivo ultrapassariam o teto em várias das regiões.

Mas como a Oi (ainda) opera com o modelo de concessão para a telefonia fixa, o governo teria que assumir caso a operadora fique sem dinheiro, evitando que milhões de clientes fiquem sem comunicação.

Em agosto, o Estado de S. Paulo afirmou que a Oi corria “risco iminente” de intervenção da Anatel, mas as afirmações foram desmentidas pelo presidente da agência, que prefere uma “solução de mercado”. O Expansión afirmou que o governo deve “relaxar” a regulação para venda e fusão, e a situação atual parece ser um motivo mais do que suficiente para que isso aconteça.

Operadora precisa de dinheiro em caixa

O caixa da Oi chegou ao “mínimo necessário”, e a operadora precisa levantar R$ 2,5 bilhões para não ficar sem dinheiro em 2020. Para sobreviver e colocar em prática o plano de expansão de fibra óptica para 16 milhões de domicílios até 2021, a operadora encontrou as seguintes saídas: venda de ativos não estratégicos, como torres, imóveis e data centers; venda da participação de 25% da operadora angolana Unitel; e emissão de títulos de dívida (debêntures) no valor de R$ 2,5 bilhões.

Comentários

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zephyr1an

sim sim, só estava reforçando :)

ochateador

"Tecnicamente" passei a informação correta :P

zephyr1an

segundo o Ars Technica, US$158 bilhões

https://arstechnica.com/inf...

Bruno Otaku

Jesus... espero que isso não se concretize

Denyse

Não dá ideia...

Felipe Insfran

Ainda bem que sonhar não paga imposto kkkk

Comodoro Jose Sousa

Um verdadeiro Cartel. Que a China Mobile nos salve deste desastre.

Lucas Braga

Vamos lá, de novo:
1) O presidente da Oi disse que não venderia a Oi Móvel no curto prazo, mas não descartou longo prazo ou outro negócio. Já havia outra especulação sobre uma venda da Oi por completo.
2) Ainda que as partes interessadas tenham negado publicamente, é de praxe que esse tipo de negociação ocorra de forma sigilosa para não influenciar o preço de ações e tenha algum caos no mercado
3) Eu não acho nada sobre a permissão do governo, na verdade eu expus no texto todas as dificuldades que qualquer player atuante teria ao comprar a Oi. O Cade já abriu a boca, a Anatel tem limites de espectro fixado. Eu simplesmente dei a notícia.

Lucas Braga

Vamos lá:
1) A Telefónica é dona da Vivo, que é uma companhia espanhola. Faz total sentido que o mercado espanhol cubra isso, uma vez que a Vivo no Brasil nem tem qualquer poder de decisão sobre uma aquisição tão grande.
2) O jornal citado não é o El Mundo, mas pertence ao mesmo grupo, que é o 2º maior da Espanha.

Emerson Luis de Oliveira Lima

Cada bairro vai ter que virar um município até lá, e mesmo assim desconfio que vai faltar bairro.

𝕵𝖆𝖈𝕶 ⚡𝖎𝖑𝖘𝖆𝖓

Discordo.

Caleb Enyawbruce

Que droga hein... Bem que uma empresa de fora poderia comprar a Oi inteira... :/

Alexandre Abreu

Adivinhem quem perderá, e MUITÍSSIMO, se elas fizerem realmente isso???

johndoe1981

A AT&T tá mal das pernas também :(

johndoe1981

Deus me livre a concorrência diminuir ainda mais, mas acho que o CADE não aprovaria essa concentração de mercado. Que a Anacartel interfere demais e impede a concorrência todo mundo já sabe, mas meu medo é que nenhuma empresa estrangeira se interesse em adquirir a BOi, considerando a sua saúde financeira e o pesadelo burocrático, tributário e jurídico que é o Brasil.

Pedi a instalação de Oi fibra pra me livrar do lixo que é a internet via cabo da Claro, porque vou morrer esperando fibra da Vivo, Claro ou Tim chegar no meu endereço.

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