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Claro, TIM e Vivo negociam compra conjunta da Oi, diz jornal

Noticiário espanhol afirma que operadoras se juntam para comprar Oi e dividí-la logo depois

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07/10/2019 às 12h43

As especulações sobre a venda da Oi não acabaram: o jornal espanhol Expansión noticiou que as rivais Claro, TIM e Vivo estão se juntando para comprar os ativos da operadora em recuperação judicial. A ideia seria realizar uma aquisição conjunta para logo depois dividir as partes entre as três gigantes.

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O noticiário, do mesmo grupo do El Mundo, não descreve quais seriam os ativos a serem comprados e cita que um acordo entre todas as operadoras possui grande complexidade.

Embora tenha negado qualquer negociação em andamento, a Oi não descartou uma possível venda do braço móvel durante a última divulgação do balanço financeiro. As especulações acontecem há algum tempo. Em setembro, a TIM negou qualquer negociação, enquanto a Vivo ficou de confirmar com a controladora espanhola se existia alguma intenção de compra total ou parcial da concorrente brasileira.

Os rumores circulam em um momento de difícil saúde financeira da Oi. A operadora enfrenta um processo de recuperação judicial desde 2016, com dívidas ultrapassando a casa de R$ 65 bilhões. A Oi conseguiu reestruturar as dívidas com a conversão de títulos dos credores em ações. Nos resultados financeiros do segundo trimestre de 2019, a dívida líquida era de R$ 12,5 bilhões e a operadora teve prejuízo de R$ 1,5 bilhão.

Dificuldades para incorporar a Oi

Qualquer tipo de fusão ou incorporação precisa seguir trâmites regulatórios e de concorrência. No relatório da incorporação da Nextel pela Claro, o Cade já deu o recado de que a existência de apenas três grandes operadoras móveis poderia resultar numa espécie de “cartel”.

Além disso, a legislação vigente estabelece que cada prestadora tenha no máximo 172 MHz de espectro em um município, podendo ser estendido para 181,12 MHz mediante autorização da Anatel. A TIM é a única operadora que fica abaixo do limite estendido, enquanto Claro e Vivo ultrapassariam o teto em várias das regiões.

Mas como a Oi (ainda) opera com o modelo de concessão para a telefonia fixa, o governo teria que assumir caso a operadora fique sem dinheiro, evitando que milhões de clientes fiquem sem comunicação.

Em agosto, o Estado de S. Paulo afirmou que a Oi corria “risco iminente” de intervenção da Anatel, mas as afirmações foram desmentidas pelo presidente da agência, que prefere uma “solução de mercado”. O Expansión afirmou que o governo deve “relaxar” a regulação para venda e fusão, e a situação atual parece ser um motivo mais do que suficiente para que isso aconteça.

Operadora precisa de dinheiro em caixa

O caixa da Oi chegou ao “mínimo necessário”, e a operadora precisa levantar R$ 2,5 bilhões para não ficar sem dinheiro em 2020. Para sobreviver e colocar em prática o plano de expansão de fibra óptica para 16 milhões de domicílios até 2021, a operadora encontrou as seguintes saídas: venda de ativos não estratégicos, como torres, imóveis e data centers; venda da participação de 25% da operadora angolana Unitel; e emissão de títulos de dívida (debêntures) no valor de R$ 2,5 bilhões.

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