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Twitter proíbe anúncios políticos e Facebook decide mantê-los

Segundo CEO do Twitter, alcance de mensagens políticas deve ser conquistado, e não comprado

Victor Hugo Silva Por
31/10/2019 às 13h00

A eleição presidencial nos Estados Unidos ocorrerá apenas em novembro de 2020, mas as redes sociais já indicam como vão se posicionar. O Twitter, por exemplo, proibirá anúncios políticos de quem já está eleito, de quem só é candidato e de organizações.

Twitter

O CEO do Twitter, Jack Dorsey, anunciou a decisão na quarta-feira (30) em uma sequência de tweets. "Decidimos interromper toda a publicidade política no Twitter em todo o mundo. Acreditamos que o alcance das mensagens políticas deve ser conquistado, e não comprado", afirmou.

Segundo o executivo, uma mensagem ganha alcance quando as pessoas decidem seguir a conta que a publicou ou compartilhar o conteúdo. "Pagar por alcance remove essa decisão, forçando mensagens políticas altamente otimizadas e direcionadas às pessoas. Acreditamos que essa decisão não deve ser comprometida por dinheiro".

Dorsey afirmou ainda que a publicidade na internet é muito eficiente em anúncios comerciais, mas não na política, "onde pode ser usada para influenciar votos e afetar a vida de milhões". Se você notou uma indireta ao Facebook e a escândalos como o da Cambridge Analytica, saiba que o executivo foi além.

"Por exemplo, não é aceitável dizer: 'Estamos trabalhando duro para impedir que as pessoas usem nossos sistemas para espalhar informações enganosas, mas se alguém nos pagar para segmentar e forçar as pessoas a ver seu anúncio político... bem... eles podem dizer o que quiserem'", publicou.

O Twitter divulgará suas novas regras para publicidades em 15 de novembro e deverá criar exceções a anúncios como os que estimulam os usuários a se registrarem para votar. Para que os anunciantes se adaptem à mudança, a proibição começará a valer somente em 22 de novembro.

"Não se trata de liberdade de expressão", completou Dorsey. "Trata-se de pagar pelo alcance. "E pagar para aumentar o alcance do discurso político tem ramificações significativas que a infraestrutura democrática de hoje pode não estar preparada para lidar".

Zuckerberg quer manter anúncios políticos no Facebook

Em conferência com acionistas realizada minutos depois da sequência de tweets, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, também tratou de anúncios políticos e liberdade de expressão. Para ele, porém, as publicações pagas por candidatos devem ser mantidas.

Ele disse não concordar com os motivos que críticos apontam para o Facebook não proibir os anúncios políticos. "Algumas pessoas nos acusam de permitir esse discurso porque pensam que tudo o que nos importa é ganhar dinheiro. Isto é errado", afirmou.

Mark Zuckerberg

Segundo ele, os anúncios políticos representam menos de 0,5% da receita estimada pelo Facebook para 2020. "A realidade é que acreditamos profundamente que o discurso político é importante e é isso que está nos guiando", continuou.

"Do ponto de vista comercial, pode ser mais fácil escolher um caminho diferente do que estamos tomando", considerou. "Mas, enquanto trabalhamos duro para remover conteúdo que pode causar perigo real, acho que também precisamos ter cuidado ao adotar cada vez mais regras que restringem a maneira como as pessoas podem falar e o que podem dizer".

A declaração ocorre semanas após o Facebook anunciar que não fará checagem de fatos, nem será tão rígida com publicações de políticos. "Em uma democracia, não acho certo que empresas privadas censurem políticos ou as notícias", argumentou Zuckereberg.

E, apesar de controverso, o posicionamento não tem prejudicado o Facebook. Pelo contrário, a empresa registrou uma receita de US$ 17,7 bilhões no terceiro trimestre de 2019. O resultado foi 28% melhor em relação ao mesmo período de 2018.

A base de usuários também cresceu: agora, são 2,4 bilhões de pessoas acessando a rede social ao menos uma vez por mês. Quando Instagram e WhatsApp, outros de seus aplicativos, também são levados em consideração, a companhia chega a 2,8 bilhões de usuários.

Com informações: Ars Technica, Engadget.