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Este é o Mustang Mach-E, SUV elétrico da Ford com até 465 cv

Com autonomia de até 480 km, o ousado Mustang Mach-E sela a entrada da Ford no segmento de carros elétricos

Emerson Alecrim Por
Mustang Mach-E GT

Mustang Mach-E GT

O Mustang é o sonho de consumo de muita gente que é apaixonada por carro, mas não foi só isso que fez a nova versão da linha chamar atenção na recente edição do Salão de Los Angeles: o Mustang Mach-E é um SUV com até 465 cv e motorização elétrica. Trata-se do primeiro veículo comercial totalmente elétrico da Ford.

Na verdade, não estamos falando de um modelo isolado, mas de uma nova linha dentro da família Mustang, talvez a mais disruptiva desde que este invocado carro deu as caras, em 1964.

É possível que essa ousadia, por assim dizer, desagrade aos fãs mais conservadores da linha, mas a Ford tem uma boa razão para promover uma mudança tão impactante: a companhia planeja terminar o ano de 2022 com modelos elétricos e híbridos representando mais da metade das suas vendas, principalmente nos Estados Unidos e Europa.

Também dá para dizer que, para a companhia, chegou a hora de encarar a Tesla de frente.

As cinco versões do Mustang Mach-E

O Mustang Mach-E não é uma mera adaptação de modelos já existentes, mas um projeto praticamente novo, o que permitiu à Ford explorar a novidade como uma linha composta por várias versões.

A montadora pretende lançar o Mustang Mach-E em pelo menos cinco versões: First Edition, Select, Premium, California Router 1 e GT, com os preços começando em US$ 43.895 nos Estados Unidos.

Ford Mustang Mach-E

Esse é o valor do Mustang Mach-E Select, que vem para ser o modelo mais simples. Ele será oferecido em versões com tração traseira (RWD) ou total (AWD). A primeira tem autonomia estimada em até 370 km; a segunda, em até 340 km. Ambas contam com bateria de 75,7 kWh.

Na sequência, encontramos o Mustang Mach-E Premium, com preço inicial de US$ 50.600. Essa versão pode ser equipada com bateria de 75,7 kWh ou 98,8 kWh. Também é possível escolher entre tração traseira ou nas quatro rodas aqui. A autonomia vai de 340 km (AWD com bateria padrão) a 480 km (RWD com bateria estendida, de 98,8 kWh).

O Mustang Mach-E California Router 1 é uma opção interessante para quem quer rodar bastante. O modelo tem preço inicial de US$ 52.400 e só será disponibilizado com configuração RWD e bateria estendida, características que conferem a ele autonomia de 480 km.

Já o Mustang Mach-E First Edition deverá ter produção limitada e, por isso, será oferecido com detalhes como adesivos especiais com os dizeres “First Edition”, pedais de alumínio escovado, pintura azul brilhante, entre outros. Aqui, a configuração disponível será apenas a AWD com bateria de 98,8 kWh, o que deve fazer a autonomia chegar a 435 km/h. O preço inicial previsto é de US$ 59.900.

Mas a cereja do bolo é o Mustang Mach-E GT, que vem para ser a opção mais potente e, por isso, mais cara: a partir de US$ 60.500. Ela será oferecida somente em versão AWD e com bateria de 98,8 kWh. A Autonomia é estimada em até 400 km. O GT é ainda o único a trazer grade frontal metalizada (primeira foto do texto).

Mustang Mach-E: elétrico com muita potência

Notou que o Mustang Mach-E GT é o modelo mais caro, mas não o que tem mais autonomia? A explicação está no fato de essa versão ter um motor de 210 kW em cada eixo, o que deixa claro que o foco dessa opção está no desempenho, não tanto na autonomia.

Não é à toa que a potência do Mustang Mach-E GT é estimada em 465 cv, com torque de 84,6 kgfm, o que permite ao modelo alcançar de 0 a 100 km/h em até 4 segundos — existe uma variação especial chamada Mustang Mach-E GT Performance Edition que promete ir de 0 a 100 km/h em 3 segundos.

Mas isso não quer dizer que os demais modelos vão comer poeira e ofender toda a linha Mustang. Segundo a Ford, as opções mais em conta têm potência variando entre 255 e 333 cv. A versão Select, por exemplo, com seus 255 cv, pode levar 6 ou 7 segundos para ir de 0 a 100 km/h.

Esses números, principalmente os do Mustang Mach-E GT, deixam a Ford empolgada: “o Mustang Mach-E acaba com a noção de que os veículos elétricos são bons apenas para reduzir o consumo de combustível”, diz Hau Thai-Tang, Diretor de Desenvolvimento do Produto e Compras da empresa.

Tecnologia por todos os lados

Não é só a motorização elétrica: o Mustang Mach-E também traz um bom arsenal de recursos tecnológicos. Começa pelo lado de fora: os faróis são de LED e, se você olhar bem, vai perceber que o carro não traz maçanetas nas portas. Para abrí-las, é necessário tocar em um pequeno botão na lataria.

Graças a um aplicativo para smartphone, o usuário pode ainda destravar as portas simplesmente se aproximando do veículo — a identificação é feita por Bluetooth.

No lado de dentro, o Mustang Mach-E traz acabamento bem feito, amplo espaço — o porta-malas tem 821 litros e chega a 1.687 litros com o banco traseiro recolhido —, teto solar panorâmico com proteção contra raios infravermelhos (opcional), sistema de som potente e tecnologia Phone As A Key (ao destravar as portas com o celular, é possível também dar a partida), por exemplo.

Ford Mustang Mach-E - parte interna

Mas o que mais chama atenção é a central multimídia Sync, um “tabletão” com tela de 15,5 polegadas posicionado no centro do painel que dá acesso rápido a várias funções, como temperatura do ar, modo de condução, GPS e por aí vai. O Sync também é compatível com as plataformas Android Auto e Apple CarPlay.

Com o passar do tempo, um mecanismo de inteligência artificial irá identificar os recursos que o motorista mais acessa e, assim, criar atalhos para eles.

Uma das funções que provavelmente vão ser mais acessadas é a que localiza, em um mapa, as estações de recarga mais próximas. Cada veículo é acompanhado de um carregador que adiciona 35 quilômetros à autonomia para cada hora de conexão a uma tomada de 240 V.

Os compradores têm ainda a opção de instalar em casa uma estação de recarga chamada Ford Connected Charging que adiciona, em média, 51 km de autonomia para cada hora em toma de 240 V.

Se conectado a uma estação de recarga rápida com corrente contínua de 150 kW, o Mustang Mach-E poderá ganhar autonomia de cerca de 75 km em apenas 10 minutos, de acordo com a Ford.

Ford Mustang Mach-E

Será que o Mustang Mach-E vinga?

Nos Estados Unidos, as versões First Edition e Premium do Mustang Mach-E serão lançadas até o final de 2020. Já as versões Select e California Router 1 devem chegar ao mercado no começo de 2021. O Mustang Mach-E GT surgirá um pouco mais tarde, no segundo bimestre do mesmo ano.

Mas a pergunta que muita gente se faz é: com a linha Mustang Mach-E, a Ford quebrará a hegemonia que a Testa detém no segmento de carros elétricos?

Na frente, o Mustang Mach-E traz um porta-malas de 136 litros

Na frente, o Mustang Mach-E traz um porta-malas de 136 litros

A dúvida existe não só pela comparação com os veículos da companhia de Elon Musk, mas por ter relação direta com outra pergunta: um Mustang com uma proposta tão diferente e que, de certa forma, quebra a tradição da icônica linha, será bem recebido?

Para a montadora, irá sim. O Mustang Mach-E é um SUV, mas traz alguns dos traços agressivos que caracterizam os Mustangs “normais”. Além disso, a Ford parece mais preocupada em atingir um público de nova geração que, como tal, talvez prefira novas tecnologias a dar “drifts” por aí.

Com informações: The Verge, TechCrunch.

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PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

Pois eu acabei de pegar uma Vulcan justamente por ela ser o contrário do que tem por aí, Harley esquenta, bebe e queima óleo, é pesada, tem mecânica ultrapassada, só serve pra "fazer barulho" pq tem um motor em V, e na cidade é um parto pilotar e fazer curva.
A Vulcan tem ABS, amortecedor regulável, motor da Ninja 650, moderno, forte e econômico, super fácil de pilotar, eu particularmente não pensava numa Harley, mas sim nas concorrentes já mortas (descontinuadas) Yamaha Midnight Star 950, Suzuki Boulevard 800 (sim, suzuki faz custom), Honda Shadow 750, e todas perdem feio...
Ainda que a Vulcan seja definida pela própria marca como uma Cruiser e não uma "Custom", ela dá pau em todas que comparei.
Quem gosta do estilo pode até pegar uma Harley porque é um "mito", mas não é uma compra inteligente, e quem gosta de estrada (e viagens longas) pega uma big trail e não uma custom.

Mickão

Exato! Sempre achei ela meio deslocada em relação ao que a marca representa. Se eu fosse o público dela, iria nas marcas que tem mais o DNA desse tipo de moto.

Anderson Nascimento

Não vá distorcer duas palavras sendo que você sabe exatamente o significado delas meu caro. Além disso, aqui não tem feriado não. Acho que deveria trabalhar mais para não ter tempo de colocar a sua opinião pertinente no trabalho dos outros. Ou você deve ser o novo Enzo Ferrari para saber mais da indústria automotiva do que os executivos da Ford.

Caleb Enyawbruce
“mas falar que os caras não precisam criar algo elétrico para competir com a Tesla”


Eu NUNCA disse isso. De onde você tirou “algo elétrico”? Eu o tempo todo me referi a este carro especificamente, como está em meu comentário. Esse aí pode ter o design que for, o tamanho de tela que for, se não tiver um software tão bom quanto, assim como o uso de diversos sensores, não vai competir nunca com os Tesla. O nome disso é marketing.

PS: não sei se você percebeu, mas comentários de notícia é isso: um monte de leigo opinando sobre todos os assuntos possíveis. Não espere que seja necessário fazer faculdade de Marketing pra vir comentar sobre o tema. Ah, e não faz o menor sentido se ofender com opiniões, ainda mais nessa realidade aqui. Aproveite o feriado pra relaxar um pouco.

tuneman

Tipo a Kawasaki Vulcan?

Mickão

Eu ia comentar algo parecido mas o seu já resumiu tudo! A Ford está assumindo um risco considerável ao associar o nome Mustang ao carro elétrico. Tem a possibilidade de desagradar os consumidores da marca Mustang ao ponto de perder participação de mercado.

É tipo a Kawasaki lançar uma moto estradeira pra competir com a Harley ou a Indian. Não faz o menor sentido se analisarmos a empresa, a marca e o portfólio de produtos dela.

Marvin Humorado
Nada como o Mustang Classico e a sua evolução perfeita que é o GT. Nenhum carro evoluia tão bem em design quanto essa linha do Mustang. Mas conseguiram puxar o freio da evolução e cagarao essa coisa ai.
Marvin Humorado

Nada como o Mustang Classico e a sua evolução perfeita que é o GT.
Nenhum carro evoluia tão bem em design quanto essa linha do Mustang. Mas conseguiram puxar o freio da evolução e cagarao essa coisa ai.

Anderson Nascimento

Realmente, uma equipe de marketing em todos os mercado automotivos do mundo, com dados e números até o teto não tem condições de dizer que precisam criar um carro para competir com a Tesla. Mas você que está aí tem total condições de dizer que eles estão fazendo besteira. Pelo amor de Deus neh? Até concordo com você sobre as críticas ao carro, mas falar que os caras não precisam criar algo elétrico para competir com a Tesla, que é referência no segmento, é pura besteira de quem não entende ABSOLUTAMENTE nada sobre o mercado. Como disse, os caras do marketing da Ford estão errado. O certo está você.

Caleb Enyawbruce

É óbvio que “Mustang” tá só no nome. Não tem absolutamente nada de Mustang nisso aí. O nome disso é marketing. E não sei pra que forçar uma tela gigantesca dessa se não tem nem de perto a “potência” (recursos, avanço, sensores etc.) de software do Tesla. Parece uma versão chinesa de um Tesla, de tão forçado esse painel.

Fora essa besteira que eles criaram de “competir com os Tesla”, pode até ser que seja um ótimo carro elétrico. Porém por ser o primeiro 100% elétrico da montadora, eu não me arrisco a bater o martelo quanto a isso. Prefiro aguardar pra ver se realmente é isso tudo que propagandearam.

Hand Drawn Camera

É o gender swap aplicado aos carros. Muscle car vira SUV elétrico em 2019.

GigoCAP

Pior que foi tudo contra o que prega o Mustang.

Muscle car e o conceito de motor grande/beberrão.

Parece que optaram pelo nome pra deixar saudosista p***, mesmo.

小岩井

Descanse em paz, Ford

tuneman

Sinceramente é bem interessante, mas peca justamente em ter o nome 'Mustang'.
A Ford tinha a possibilidade de criar um veiculo e um nicho novo, mas preferiu agarrar-se a uma marca tradicional com o risco de desagradar os fãs.