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WhatsApp baniu 400 mil contas durante eleições de 2018 no Brasil

WhatsApp, que pertence ao Facebook, revelou número à CPMI das Fake News; app usa aprendizado de máquina para detectar bots

Felipe Ventura Por

O WhatsApp baniu mais de 400 mil contas do Brasil durante as Eleições 2018 por violarem os termos de serviço. A empresa, que pertence ao Facebook, revelou essa informação por exigência da CPMI das Fake News. Ela usa aprendizado de máquina para detectar comportamento automatizado e impedir a atuação de bots.

WhatsApp

Entre 15 de agosto e 28 de outubro de 2018, o WhatsApp baniu "mais de 400.000 contas do Brasil por violação aos nossos Termos de Serviço", diz a empresa em documento enviado ao Senado. Esse período vai do início da propaganda eleitoral até o segundo turno das eleições.

Como o WhatsApp trabalha com mensagens criptografadas, a empresa utiliza outros sinais para descobrir se usuários estão violando seus termos de serviço: "nossas decisões contra atividades automatizadas e de envio de mensagens em massa são baseadas no comportamento das contas, ao invés do conteúdo de mensagens".

Isso é feito através de três principais formas:

  • o WhatsApp confirma se o usuário tem acesso à linha ao fazer o registro, através do código enviado por SMS, e procura evidências de criação automatizada em massa a partir de redes suspeitas;
  • a empresa procura sinais de comportamento anormal ou automação no envio de mensagens: por exemplo, se um número envia mensagens para outros que não o têm em sua lista de contatos, isso pode indicar que o remetente obteve o número sem o consentimento dos usuários;
  • o app tem opções para bloquear e denunciar contas, e esse feedback negativo é levado em consideração.

WhatsApp entregou dados para CPMI das Fake News

A CPMI das Fake News pediu que o WhatsApp entregasse dados sobre as contas banidas por suspeita de uso de bots, incluindo "os metadados não criptografados, incluindo número de telefone e nome dos perfis".

O WhatsApp diz, no entanto, que não possui mais essas informações para a maioria dos usuários. A empresa segue o Marco Civil da Internet e armazena seis meses de registros de acesso, com endereço IP, data e hora — mas as eleições ocorreram há mais de um ano.

Por isso, a empresa forneceu apenas as informações que precisaram ser preservadas sobre contas que "foram objeto de divulgação de dados para Tribunais Eleitorais no Brasil". Elas foram banidas durante o período eleitoral por suspeita de spam e disparo de mensagens em massa. Os dados sobre essas contas foram enviados à CPMI, mas não estão disponíveis ao público.

A CPMI das Fake News foi criada em julho e pretende identificar contas e perfis que tenham disseminado notícias falsas durante as eleições de 2018.

Com informações: Senado Federal.

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