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The Witcher: 4 diferenças entre os livros, os jogos e a série da Netflix

Entenda as diferenças entre os livros, os games e a adaptação para a TV de The Witcher

Vivi Werneck Por
TB Responde

A série The Witcher, da Netflix, estreou com grandes expectativas, algumas escolhas de elenco controversas, linhas do tempo que podem confundir, mas que de uma forma geral agradou até os mais céticos. O guia, a seguir, vai te ajudar a entender as diferenças entre as versões dos livros, games e da série de TV em si.

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É bom ressaltar que o The Witcher, da Netflix, adaptou a obra literária do escritor polonês Andrzej Sapkowski. No total são oito livros, com o primeiro (“O Último Desejo”) publicado em 1993. Os três jogos, desenvolvidos pela CD Projekt, já foram inspirados na saga de Geralt de Rivia.

Com isso, a adaptação para TV - produzida e escrita por Lauren Schmidt Hissrich - traz uma “licença poética” um pouco maior que os jogos para modificar algumas coisas, para alegria ou decepção dos fãs do bruxo.

Estrelado por Henry Cavill (como Geralt de Rivia), The Witcher também traz no elenco Anya Chalotra (Yennefer de Vengerberg), Freya Allan (Princesa Cirilla de Cintra, ou apenas "Ciri"), Joey Batey (Jaskier), Anna Shaffer (Triss Merigold), dentre outros. A primeira temporada é adaptada também do primeiro livro.

Atenção: há spoilers dos livros, jogos e série a seguir!

1. O que tem na série que não tem nos livros

Como dito antes, a primeira temporada de The Witcher adapta o primeiro livro “O Último Desejo”. Quem leu e assistiu a série pode notar algumas diferenças na apresentação de alguns personagens e histórias de origem, além de linhas do tempo "fora da ordem" em relação à obra escrita.

Tanto "O último Desejo" quanto os demais livros de Sapkowski são narrados no ponto de vista de Geralt. Ele é praticamente o personagem principal em quase todas as passagens da obra literária. Já na TV, outros personagens também ganham seu lugarzinho ao Sol com a chance de contar suas próprias histórias, como no caso de Ciri e Yennefer.

A história de origem da bruxa Yennefer, por exemplo, é um dos pontos altos da primeira temporada - mostrando todo o sofrimento que ela passou quando jovem (sendo vendida pelo padrasto por ser deficiente física) até a cena do salão, onde ela entra deslumbrante, transformada e linda (depois de sofrer mais um bom bocado).

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Nos livros, a história de Yen não é tão bem detalhada dessa forma, nem muito menos é contada pela própria bruxa. Sendo uma personagem queridinha dos fãs, a licença poética tomada pela produtora Hissrich até que caiu bem.

2. O que tem na série que não tem nos games

Tirando a parte visual de alguns atores, que muitos bateram o pé porque “não estava como imaginavam” (vou pular essa parte porque já deu), um dos principais pontos que a série de TV destoa dos jogos é a presença da bruxa Triss Merigold.

Ela tem um grande destaque como “potencial interesse amoroso” de Geralt desde o primeiro jogo, lançado em 2007. Triss, inclusive, aparece nos dois títulos seguintes - também como “namoradinha” do Witcher (por falta de um termo mais apropriado). A diferença é que em Wild Hunt (terceiro jogo) ela ganha uma concorrente de peso: Yennefer.

Outro ponto curioso é que, nos jogos, Geralt sempre carrega duas espadas nas costas: uma de prata (para matar monstros) e outra de aço (para se defender de demais ameaças). Na série de TV, o bruxo usa apenas uma espada nas costas. Ele também não usa todos os seus sinais (os poderes de um Witcher).

De uma forma geral, a série da Netflix tem um tom mais sóbrio para as cores, em relação aos jogos, e algumas coisas ficaram mesmo de fora. São mídias diferentes, afinal.

3. Em que época acontece cada coisa

O primeiro livro da saga, usado como base para a série, é o compilado de sete histórias envolvendo Geralt de Rivia. Cada uma delas foca num período diferente de sua vida e essa diferença pode ser de décadas. Os Witchers têm uma expectativa de vida bem maior que humanos normais, por serem mutantes.

O que pode confundir, sobre essas mudanças de épocas, na série de TV é que esses pulos na linha do tempo acontecem tanto para Geralt quanto para outros personagens (não escritos nos livros) e, depois, misturados à narrativa do bruxo.

Um exemplo é a própria história da Yennefer, que acontece em diferentes períodos. Como uma bruxa, ela é muito mais velha do que aparenta ser. Tudo o que é visto na série, antes dela conhecer Geralt, acontece bem antes da própria timeline do bruxo.

Na TV, a linha do tempo de Geralt se desenrola ao longo de 30 anos; Yennefer bem antes (e depois acompanha a narrativa do Witcher). Como os personagens chave, por situações místicas adversas, não envelhecem fica realmente confuso dizer quando está acontecendo o que. Até mesmo o bardo Jaskier, que já está há alguns anos ao lado de Geralt, não tem um fio de cabelo branco sequer para ajudar.

A salvação dessa viagem temporal é a Ciri. Toda a sua linha do tempo acontece no presente, num espaço de mais ou menos uma semana. Sua história começa um pouco antes da invasão de Cintra por Nilfgaard, logo no primeiro episódio. Como o suplício da princesa em fuga é contado de forma mais linear, fica mais claro encarar as demais timelines como flashbacks.

4. Breve perfil e diferenças entre os personagens principais

A seguir, você confere um resumo dos perfis de alguns personagens de maior destaque, nesta primeira temporada, e suas diferenças visuais nos livros, games e na série da Netflix.

Geralt de Rivia

O protagonista. Geralt é um Witcher, um caçador de monstros que trabalha por dinheiro. Mesmo sendo, teoricamente, desprovido de emoções por conta de todas as mutações sofridas é notório que o bruxo tem um certo código de honra e é sim capaz de sentir afeto (mesmo que de forma discreta). Normalmente, ele é bem debochado e costuma resmungar mais do que falar.

Yennefer de Vengerberg

Uma bruxa poderosíssima e que não leva desaforo para casa. Não é lá a pessoa mais amistosa do mundo, mas não costuma ser má - especialmente com quem não merece. Viveu o inferno na sua juventude e sacrificou muito para ser quem é. Tenta buscar uma forma de poder ser mãe, após ter que oferecer o próprio útero num ritual mágico para reparar o corpo. Futuramente, pode vir a ver Ciri como a filha que sempre quis ter.

Princesa Cirilla de Cintra

Ciri, para os íntimos. De família nobre, ela é ligada a Geralt pelo destino e (ainda) não faz ideia do quão poderosa sua linhagem, e ela mesma, é. Na série, ela ainda é retratada como uma adolescente. Se as coisas acontecerem conforme os livros, Ciri receberá treinamento como um Witcher e será uma habilidosa lutadora quando crescer. Não que sua vida ficará mais fácil com isso.

Jaskier

O alívio cômico da série. Conhecido nos jogos pelo nome de Dandelion. O bardo é o amigo improvável de Geralt e um dos que mais o ajuda a se envolver em problemas. Amante de todos, Jaskier é extremamente falante e um leal amigo. Ah, ele também é o responsável por colocar uma música chiclete na cabeça das pessoas (“Toss a coin to your Witcher…”).

Segunda temporada

Para alívio de quem ficou perdido nas linhas do tempo, a produtora e escritora Lauren Hissrich prometeu uma história mais linear e focada para a segunda temporada.

Ainda não há previsão de quando continuaremos a acompanhar a saga de Geralt de Rivia na Netflix, mas a produção da nova temporada deve começar já no início de 2020. Com isso, pode-se esperar alguma data para o final deste ano, ou já em 2021.

Comentários da Comunidade

6 usuários participando

Os mais notáveis

Comentários com a maior pontuação

Melissa Cruz Cossetti

Eu não tinha jogado, mas adorei a série.

Curti o guia também, agora dá para entender melhor essa história toda!

Já quero season 2.

@ViviWerneck

Se puder, leia os livros (ou os quadrinhos, ou tudo isso). Vale a pena!

diego melo

Toss a coin to your witcher :upside_down_face:

@ViviWerneck

Alessandro Maia

Terminei o seriado agora. Pra quem já jogou, posso começar pelo 3, ou é melhor ir atrás dos outros?

Erisdan

Nunca ouvir falar nem do livro e nem do jogo, mas, a série da Netflix “The Witcher” é muito boa!

Juan

Você não joga, né? Pq é impossível não conhecer o The Witcher.

diego melo

O primeiro envelheceu meio mal, tanto em termos gráficos quanto em jogabilidade. Porém é o mais próximo da série e dos livros na história (apesar de todos os jogos se passarem depois dos livros).

O 2 ainda dá pra jogar bem. Eu demorei um pouco pra acostumar com a jogabilidade, mas depois que pega o jeito fica bem legal.

O 3 é excelente em quase todos os aspectos :smiley:

Eu só não recomendo começar pelo 3 pra depois jogar os outros, porque aí o impacto nos jogos mais velhos pode ser ainda maior. Eu pulei o 1, joguei o 2 e depois o 3 antes de conhecer os livros (e bem antes da série existir).

@ViviWerneck

Concordo. Inclusive, a cinematic do início do primeiro jogo faz menção a um dos contos do primeiro livro, que também é abordado na série. Identifiquei logo de cara assim que assisti. O gameplay do primeiro jogo já era ruim pra época que saiu, agora então é exercício de paciência.

diego melo

Pra quem quer saber mais sobre o jogo, esse canal noclip realizou meu sonho de infância de fazer ótimos documentários sobre videogames. :smiley:

E tem essa série sobre o bruxeiro https://www.youtube.com/playlist?list=PL-THgg8QnvU6WuPJmh19U8cAFjzXHCgvk

@ViviWerneck

A Netflix postou um infográfico para resumir as linhas do tempo da série. Atualizei no post, mas tá aqui também:

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