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Mi Store Brasil, loja não-oficial da Xiaomi, sumiu sem entregar celulares

Site da Mi Store Brasil e páginas do Facebook e Instagram estão fora do ar; queixas se acumulam no Reclame Aqui

Clientes da Mi Store Brasil estão se queixando no Reclame Aqui porque a loja sumiu sem entregar os pedidos: o site está fora do ar, as páginas do Facebook e Instagram foram apagadas, e ninguém atende o telefone do SAC. Ela não tem relação com a Mi Store oficial trazida em parceria entre Xiaomi e DL Eletrônicos.

Site da Mi Store Brasil em outubro de 2019 no Internet Archive

"Comprei o celular na Black Friday e até agora não obtive resposta de nada, excluíram as redes sociais", diz um cliente no Reclame Aqui. "O pedido não foi entregue, a central telefônica não atende, e o site, Facebook e Instagram estão desabilitados", relata outro. Há diversos relatos semelhantes a estes.

O Mobizoo afirma que centenas de clientes realizaram compras antes, durante e depois da Black Friday e ainda não receberam os produtos. O último status do pedido era "aguardando envio".

O site mistorebrasil.com está fora do ar. O link para o perfil da loja no Facebook exibe a mensagem "Esta Página não está disponível", e o usuário @MiStoreBrasil no Instagram não existe mais. Além disso, a empresa deixou de responder às queixas no Reclame Aqui desde julho de 2019.

Quem realizou compras através de cartão de crédito, Mercado Pago ou PagSeguro pode solicitar reembolso do valor. No entanto, quem pagou com boleto bancário não tem a mesma sorte: se a empresa não voltar, seria necessário abrir um processo judicial para tentar recuperar o dinheiro.

No final de novembro, a Secretaria Estadual da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP) apreendeu mais de 30 mil celulares, smartwatches e tablets da Xiaomi com valor estimado de R$ 3 milhões. No entanto, não sabemos se isso está relacionado ao fechamento da Mi Store Brasil.

Empresa tentou registrar marca "Mi Store" da Xiaomi

Em 2018, a Mi Store Brasil dizia ser um "revendedor autorizado Xiaomi". Após ser questionada se isso era verdade, ela mudou a descrição para "loja especializada em Xiaomi".

No Facebook, a página da Mi Store Brasil dizia estar relacionada às empresas JCell e Action Sales: "somos um domínio criado por JCELL CELULARES LTDA CNPJ: 24.160.696/0001-81 e gerido por ACTION SALES COMPANHIA DIGITAL LTDA CNPJ: 29.497.760/0001-38". No entanto, o site da loja mencionava apenas a Action Sales.

Alguns clientes notaram que compras feitas na Mi Store Brasil estavam sendo faturadas pela empresa PAD Eletrônicos: ela é dona da loja online não-oficial Huawei Store Brasil, cujo site huaweistorebrasil.com também saiu do ar. "A PAD Eletrônicos é uma das empresas do GRUPO ACTION que também é a gestora da conceituada loja mistorebrasil.com", dizia a página.

A JCell tentou registrar a marca "Mi Store" no Brasil, mas a Xiaomi se opôs recorreu ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). O órgão negou o registro da marca; o pedido foi indeferido em agosto de 2019.

Segundo o INPI, o termo "Mi Store" reproduz ou imita registros de terceiros, como "Mi Box", "Mi TV", "Mi WiFi" e "Mi" — todos pertencentes à Xiaomi no Brasil. Por isso, essa marca é "suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia".