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Dataprev é colocada oficialmente em estudos para privatização

Governo Bolsonaro fará estudo para avaliar como vender Dataprev ao setor privado; Correios e Telebras também serão privatizadas

Felipe Ventura Por

Um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e publicado nesta quinta-feira (16) colocou oficialmente a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social) em processo de privatização: o governo fará estudos para avaliar como repassar a estatal ao setor privado. Correios e Telebras já passam pelo mesmo processo desde o ano passado.

Dataprev

A Dataprev entrou no âmbito do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), vinculado à Casa Civil da Presidência da República. Pelo decreto, ela também foi incluída no PND (Programa Nacional de Desestatização).

Correios, Telebras e Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada) foram colocados no PPI em 2019. O Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) também entrará em processo de privatização, mas Bolsonaro ainda não assinou um decreto para inserir essa estatal no PPI.

Dataprev demite 493 funcionários antes da privatização

Na semana passada, a Dataprev anunciou que irá encerrar as atividades de 20 filiais até fevereiro, e abriu um programa de demissão voluntária para os 493 funcionários afetados. O objetivo é cortar custos: o faturamento cresceu 13% nos últimos três anos, enquanto os gastos aumentaram 21%.

As unidades regionais que serão fechadas “tiveram queda expressiva de produtividade devido à baixa demanda local”, segundo a empresa. Ela vai concentrar suas atividades em sete regiões estratégicas nas áreas de desenvolvimento de sistemas e data centers.

Christiane Edington, presidente da Dataprev, disse na semana passada que as demissões não têm a ver com o plano de venda da estatal. No entanto, o secretário especial de desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, afirmou no Twitter que “essas medidas vão tornar a empresa mais saudável para os processos de privatização no qual estamos trabalhando”.

Dataprev presta serviços para INSS e Receita Federal

Entre as funções da Dataprev, estão:

  • processar o pagamento mensal de 35 milhões de benefícios previdenciários;
  • cuidar do sistema online que faz a liberação de seguro-desemprego;
  • manter os programas que rodam nas estações de trabalho das agências da Previdência Social e nos postos do Sistema Nacional do Emprego (Sine);
  • armazenar e gerir o CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), com 35 bilhões de informações cadastrais e laborais, que permite a concessão automática de direitos sociais como aposentadorias ou salário-maternidade;
  • processar informações previdenciárias da Receita Federal.

A Dataprev é a responsável por aplicativos como a CTPS Digital (carteira de trabalho), Sine Fácil (para procurar vagas de emprego) e Meu INSS. Ela também oferece serviços como a GovCloud, plataforma de computação em nuvem para sistemas estratégicos do governo; e o e-Consignado, para desconto em folha de parcelas de empréstimos a beneficiários do INSS.

A estatal teve lucro líquido de R$ 150,6 milhões em 2018 e R$ 136,7 milhões em 2017.

Com informações: Teletime.

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Lucas (@Lucas)

Minha grande dúvida é: o governo vai vender a empresa para depois contratar os serviços dessa mesma empresa? Não faz muito sentido isso.

 • 令和 • Ward'z de Souza 🇯🇵🎌🦊🔥 - Risonho e Límpido (@Wardz_de_souzA)

Tô esperando faz 1 ano.

Tacaca Nuclear (@TacacaNuclear)

Acho que com concorrência os custos diminuem.

Paulo Gabriel Soares Martins (@PauloMartins)

Acho que de tantas coisas que poderiam ser privatizadas o dataprev não devia ser uma prioridade, se é que o devia ser, dados atualmente é uma das maiores commodity do mercado, além de que dados de governo não deviam ficar na mão de empresas privadas…

Copi (@Copi)

A notícia é de privatização do serviço não de abertura da concorrência pro mercado. E considerando a delicadeza das informações que o dataprev precisa lidar é difícil eles abrirem mercado. Não faz sentido mesmo, se quisessem reduzir esses custos era mais fácil exonerar todo mundo e terceiriza a mão de obra, mas não vender a empresa.

NENHUM (@mgc)

Não dar para demitir,no máximo PDV. Hoje por exemplo muitos dados do INSS já é passado ilegalmente,tem varias reportagens mostrando isso.

ochateador (@ochateador)

Essa venda da Serpro e da Dataprev ainda vai causar dores de cabeças para o governo (isso se já não estiver causando), tem muita informação sensível ali.
Poderiam se focar em melhorar a empresa, reduzir ou zerar os vazamentos, mas só sabem falar em vender, vender, vender… mostrando que o atual governo e a maioria dos ministros são péssimos em gerenciar qualquer coisa.

Eu (@Keaton)

“redução” de custos.

Matheus Gonçalves (@Toad)

Geralmente eu sou a favor de privatizar. Se não é algo de serviço básico que precisa de regulação (saúde, educação, alimentação, moradia), deixa o mercado regular.

Mas aqui eu vejo dois possíveis problemas (e queria saber de vocês o que vocês acham):

A empresa está sendo privatizada, mas não existe ninguém pra concorrer com ela. Ou seja, o governo vai precisar contratar uma empresa que, a partir do momento que for privada, vai visar apenas o lucro. Sendo essa empresa algo que deveria ter como foco principal o caráter social, o que vai garantir que os lucros dessa empresa sejam utilizados pra projetos socials? O próprio BNDES vai ter esse controle? Quem vai? Porque se ninguém vai, e se esse dinheiro não vai entrar de volta aos cofres do BNDES, é como se eles estivessem desfazendo a fonte de renda de projetos sociais, o que é pode ser um problema enorme.

O que vcs acham?

Edilson Junior (@Edilson)

Vão vender pra depois contratar o mesmo serviço, só que bem mais caro e com prestação precária. Isso já aconteceu no passado.