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Uber deixa alguns motoristas definirem preço da corrida na Califórnia

Motoristas da Uber que atuam em algumas rotas de aeroportos na Califórnia poderão cobrar até cinco vezes a tarifa normal

Felipe Ventura Por

A Uber está lançando um experimento no estado da Califórnia (EUA): motoristas que atuam em algumas rotas de aeroportos poderão cobrar até cinco vezes a tarifa normal, e vão concorrer por passageiros em um esquema de leilão. A mudança é uma resposta à lei estadual AB5: ela exige que a empresa trate seus motoristas como funcionários, não como autônomos.

Uber motorista

O Wall Street Journal explica o funcionamento: a partir desta terça-feira (21), motoristas da Uber que transportam passageiros dos aeroportos de Santa Barbara, Palm Springs e Sacramento podem decidir quanto cobrarão pela viagem.

Eles usarão um sistema de lances que permite aumentar a tarifa em incrementos de 10%, até um máximo de cinco vezes o valor definido pela Uber. Então, quando um passageiro solicitar viagem, o aplicativo dará a corrida para o motorista que estabeleceu o preço mais baixo. Quem definir uma tarifa mais alta será gradualmente despachado à medida que mais usuários pedirem um carro.

O Uber confirmou que está fazendo um “teste inicial” que “pode dar aos motoristas mais controle sobre as tarifas cobradas dos passageiros”. A empresa está experimentando o novo recurso em cidades menores da Califórnia para evitar danos aos seus negócios, já que esse sistema de leilão pode resultar em menos viagens e mais volatilidade nos preços. A Lyft, sua principal concorrente nos EUA, segue operando normalmente e poderia usar a mudança para conquistar usuários.

Ainda assim, a Uber deve usar o feedback dos testes para decidir se o novo sistema de preços valerá em toda a Califórnia. E desde o mês passado, motoristas neste estado americano podem ver o ponto de destino dos passageiros antes de aceitarem a corrida.

Uber reage a nova lei da Califórnia para autônomos

Isso é uma resposta à lei AB5, que entrou em vigor no início de janeiro: autônomos na Califórnia devem ser tratados como funcionários — recebendo direitos trabalhistas como salário mínimo e licença médica — se forem controlados pelo empregador e contribuírem para as principais atividades da empresa.

A Uber argumenta que é uma empresa de tecnologia, não de transporte, portanto os motoristas não contribuiriam para suas principais atividades. E com o novo esquema de preços, ela quer convencer legisladores de que seus parceiros operam com algum grau de independência.

Em dezembro, a Uber processou o estado da Califórnia, dizendo que a nova lei é inconstitucional porque abriu exceções para diversos setores, como motoristas de caminhão e funcionários de agências de viagem.

Com informações: Wall Street Journal.

Comentários da Comunidade

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@ksio89

Surreal, é o mesmo que eu abrir uma loja e meus funcionários quererem definir os preços dos produtos vendidos. Legisladores da Califórnia adoram dar essas esquerdadas de vez em quando.

@teh

Tosquissimo. jaja estão com preço de taxi se é que ja não estão. Espero que essa M de decisão fique por lá.

Matheus Duarte (@Matheus_Duarte)

Ainda bem que temos legisladores ruins em todos os lugares do mundo…

Kayo (@Kayo)

Descobrimos que essa comunidade foi uma ideia maravilhosa quando uma postagem sobre UBER não leva aqueles comentários imensos do disqus com matemática questionável sobre as tarifas do app.

Danillo Nunes (@danillonunes)

[…] é o mesmo que eu abrir uma loja e meus funcionários quererem definir os preços dos produtos vendidos […]

Então nessa comparação você está considerando os motoristas como funcionários do Uber? É essa a ideia mesmo, ué.

Se eles são funcionários e não podem definir os preços, então eles devem ser tratados como funcionários para todos os efeitos.

Se eles são trabalhadores autônomos e independentes, então nada mais justo que eles poderem definir o próprio preço.

@ksio89

Não, não estou, falei funcionário por falta de um termo melhor, parceiro é um termo mais adequado. E não dá pra dizer que são realmente autônomos se prestam serviço para uma empresa em vez de oferecê-lo diretamente ao cliente. Só querem o filé, aí é fácil.

Vamos ver o que vai dar com essa mudança, mas imagino que o número de corridas vá cair drasticamente com essa decisão. O Lyft que deve se beneficiar com essa mudança. Um serviço que começou muito bem mas que foi sendo avacalhado aos poucos pelo Deus-Estado metendo o bedelho e o mau caratismo de muitos motoristas desonestos.

Danillo Nunes (@danillonunes)

Falta-lhe um termo melhor justamente por não existir uma palavra que descreva alguém que não é funcionário ao mesmo tempo em que está submetido às obrigações de um, como a de não poder definir seus próprios preços.

Mas vamos usar a alternativa que você sugeriu, parceiro, para exemplificar.

“Surreal, é o mesmo que eu abrir uma loja e meus parceiros quererem definir os preços dos produtos vendidos.”

Ora, não tem nada de surreal nisso. Essa prática é perfeitamente normal no mercado.

Lojas com marketplace, como Americanas e Amazon, por exemplo, são lojas cujos parceiros definem os próprios preços dos produtos que vendem.

Assim como lojas de aplicativos, como a App Store e Play Store, os parceiros, que são os desenvolvedores, é quem definem os preços dos aplicativos que disponibilizam.

O AirBNB, frequentemente citado junto ao Uber como exemplo de disrupção de mercado, adotando um modelo de marketplace similar, também dá toda a liberdade aos seus parceiros para definirem os preços que acharem mais adequado.

Não faltam exemplos de serviços de lojas onde os parceiros definem os próprios preços.

@ksio89

Sim, até concordo que é comum parceiros definirem os preços, mas no caso o Uber só tomou essa decisão após a aprovação dessa lei estúpida.

Danílio Costa da Silva (@Daniliocs)

Mas é esse justamente o ponto. Pq os legisladores não tomaram decisão similar para os outros serviços citados pelo Danilo? Justamente pq o modelo do Uber, Cabify, etc é mais controlador, eles atuam controlando os motoristas, logo isso não torna eles autônomos.