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MPF denuncia hackers e Glenn Greenwald por invasão de celulares

Ministério Público Federal denunciou sete pessoas por invadirem celulares de autoridades; Greenwald não foi indiciado pela PF

Felipe Ventura Por

O Ministério Público Federal denunciou, nesta terça-feira (21), sete pessoas por invadirem celulares de autoridades relacionadas à força-tarefa da operação Lava Jato; um dos alvos foi o então juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro. O jornalista Glenn Greenwald também foi denunciado, mesmo que não tenha sido indiciado pela Polícia Federal; o site The Intercept acusa o MPF de assumir um “papel claramente político”.

Ministério Público Federal

Sete pessoas são acusadas pelo MPF de realizar invasão de dispositivos informáticos, incluindo celulares: elas teriam participado de um esquema envolvendo fraudes bancárias e lavagem de dinheiro. A investigação comprovou 126 interceptações telefônicas, telemáticas ou de informática; e 176 invasões de dispositivos informáticos de terceiros.

Segundo o MPF, essa era a organização do grupo:

  • Walter Delgatti Netto e Thiago Eliezer Martins Santos seriam os mentores e líderes;
  • Danilo Cristiano Marques fornecia meios materiais para que Walter executasse os crimes;
  • o programador Gustavo Henrique Elias Santos teria criado técnicas para invadir contas do Telegram e cometer fraudes bancárias;
  • Suelen Oliveira, esposa de Gustavo, servia como laranja e recrutava pessoas para participar do esquema;
  • Luiz Molição invadia celulares, atuava como conselheiro para Walter e servia como porta-voz nas conversas com Greenwald.

MPF acusa Greenwald de ajudar hackers

Greenwald não participava do grupo, mas o MPF afirma ter encontrado um áudio entre ele e Luiz Molição, no qual o jornalista recomenda que o grupo apague as mensagens já repassadas para a equipe do Intercept. Isso foi pouco após a imprensa divulgar que o celular de Moro havia sido hackeado.

“Não podemos apagar todas as conversas porque precisamos manter, mas vamos ter uma cópia num lugar muito seguro se precisarmos. Pra vocês, nós já salvamos todos, nós já recebemos todos. Eu acho que não tem nenhum propósito, nenhum motivo para vocês manter nada”, disse Greenwald na conversa.

O MPF diz que um jornalista cumpre sua função quando “recebe informações que são produtos de uma atividade ilícita e age para torná-las públicas, sem que tenha participado na obtenção do conteúdo ilegal”. No entanto, o órgão acusa Greenwald de ir além, dando sugestões “para dificultar as investigações e reduzir a possibilidade de responsabilização penal”.

Glenn Greenwald

PF não indiciou Greenwald na operação Spoofing

Em comunicado, o Intercept diz: “causa perplexidade que o Ministério Público Federal se preste a um papel claramente político, na contramão do inquérito da própria Polícia Federal”.

Os diálogos mencionados pelo MPF são os mesmos que foram analisados durante a operação Spoofing; a PF não indiciou o jornalista após concluir que “não é possível identificar a participação moral e material do jornalista Glenn Greenwald nos crimes investigados”.

Uma liminar do ministro Gilmar Mendes do STF (Supremo Tribunal Federal) impediu que Greenwald fosse investigado na operação Spoofing, para proteger o “sigilo constitucional da fonte jornalística”. O MPF enviou uma cópia da denúncia à Procuradoria-Geral da República para ajudar em um possível pedido de revogação dessa liminar.

O advogado Rafael Borges, que representa Greenwald, afirma em nota que este é “um expediente tosco que visa desrespeitar a autoridade da medida cautelar” concedida pelo STF, com o objetivo de “depreciar o trabalho jornalístico de divulgação de mensagens realizado pela equipe do The Intercept Brasil“.

Com informações: MPF, Estadão, G1.

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Lucca (@lucca)

Cuidado cidadãos, todo jornalista pode ser H4Ck3r!!!
Parece-me a denúncia contra o Greenwald (não os outros) pra catar pulga, mas é verdade que o Intercept não lançou todo conteúdo de uma vez por ganho pessoal.

@GuilhermeE

No resto do mundo civilizado quem participou do esquema corrupto que foi mostrado pelo The Intercept teria a vida política destruída. Aqui, os corruptos foram ovacionados, ganham cargo no governo (em que lugar do mundo você vê um juiz que julgou um político ganhar cargo no governo do opositor? Que loucura!) e os jornalistas estão sendo perseguidos. É pra ficar assustado! É uma clara destruição dos princípios do Estado Democrático de Direito.

@GuilhermeE

Bloco de CitaçãoParece-me a denúncia contra o Greenwald (não os outros) pra catar pulga, mas é verdade que o Intercept não lançou todo conteúdo de uma vez por ganho pessoal.

Na verdade foi lançado aos poucos em razão das verificações que estavam sendo feitas com a participação de vários jornais.

André Cardoso (@andre)

Eu só sei achar graça porque eles negam o teor das mensagens mas denunciaram todo mundo envolvido nos vazamentos kkkk eita meu Brasil que não tem jeito

@ksio89

Dei uma olhada rápida na página inicial desse Intercept Brasil e os caras nem disfarçam o alinhamento político canhoto, a parcialidade deles é descarada. Tenho certeza de que logo encontraria nas matérias os clichês “Lula livre”, “discurso de ódio”, “fascismo”, “capitalismo opressor” etc. e outras bobagens repetidas de maneira robótica pela militância vermelha acéfala.

Assim como outros sites de “jornalismo” (ênfase nas aspas), tais como Folha de SP, Carta Capital e Brasil 247, esse Intercept não vale o que o gato enterra na areia. Isso não é jornalismo, é campanha política.

Gabriel Sardinha (@anjosarda)

Esse negócio, aqui do Brasil, de não precisar revelar a fonte é um perigo, podem usar para esquentar as fontes mundo afora.

Lá nos EUA por exemplo, a prova não vale se não for verificada. Aqui, você alega que é de uma fonte, sendo jornalista, e está tudo certo.

Quero ver quando começarem a validar a fontes por aqui, e depois usarem lá fora. Vai gerar vários incidentes diplomáticos internacionais.

Esta lei bizarra, assim como voto secreto no congresso, serviu muito bem como mecanismo para proteger de represálias dos militares. Hoje em dia não tem cabimento.

Scott (@Lord_Scott)

Um governo que não presta merece a oposição que tem.

@ksio89

Pior é quando a oposição presta menos ainda, e que só faz barraco contra o governo atual porque saíram do poder após 16 anos.

Emanuel Schott (@Emanuel_Schott)

Tá engraçado ver jornalista usando o espantalho de que o que está sendo denunciado é o fato dele ter divulgado as informações e não de ter participado do esquema de invasão de sigilo de correspondência (tão protegido pela constituição quando o direito a sigilo da fonte no jornalismo, diga-se).

@guipolonca

Mas o Intercept jamais declarou neutralidade política. Inclusive, tá mais do que na hora de todo mundo entender que parcialidade é fetiche de quem tem medo de oposição, né? Posicionemo-nos, os tempos pedem.

Lugi lanzii (@Lugi_lanzii)

Sempre foi partidario, nunca escondeu mesmo e por isso é uma merda, papel da midia não é fazer panfletagem politica.

@ksio89

Papo furado, se fosse o MBL ou outra mídia apoiando o presidente, os militantes petistas, hipócritas como só eles, seriam os primeiros a fazer barraco. E a função de um jornal é informar e não fazer campanha política, mentindo ou distorcendo as notícias como essas mídias esquerdistas fazem.

@GuilhermeE

@Lugi_lanzii, deixe seu fanatismo político e seu maniqueísmo de lado. O assunto é racional, não de ideologia infantil. O fato é que a Lava Jato estava investindo corrupção e foi provado os esquemas através de inquérito Policial, com provas técnicas e materiais. Assim como foi comprovado nas mensagens que o julgamento violou a garantia constitucional da parcialidade do Juízo, Juízo esse que foi exercido por alguém que logo em seguida tomou cargo no governo do opositor. Nenhuma pessoa honesta quereria algo do tipo em um Estado Democrático de Direito. Isso é um perigo pra toda a sociedade, pois o Sistema Judiciário deveria seguir seus princípios balizadores sempre, sob risco de virar um sistema corrupto institucionalizado.

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