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Dataprev: servidores fazem greve em vários estados contra privatização

Funcionários também protestam contra fechamento de filiais da Dataprev em 20 estados

Emerson Alecrim Por

O processo de privatização da Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social) vem gerando cada vez mais reações: trabalhadores da estatal iniciaram ou iniciarão greve em vários estados para protestar contra a decisão. É o caso da filial de São Paulo, que paralisará as suas atividades a partir de quinta-feira (30).

Dataprev

A Dataprev foi colocada oficialmente em processo de privatização no dia 16 pelo presidente Jair Bolsonaro. No dia 22, o Ministério da Economia autorizou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a coordenar a venda da participação acionária da União na estatal.

Como consequência, trabalhadores da Dataprev vêm se manifestando em várias partes do país, até porque, além da desestatização, o governo trabalha no fechamento das filiais da empresa em 20 estados, processo que deve culminar na demissão de 493 dos cerca de 3.500 funcionários.

Dataprev

As filiais da Dataprev em Brasília, Paraíba, Paraná, Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Sergipe e Rio de Janeiro já estão em greve. Como já dito, os funcionários da unidade de São Paulo irão aderir à paralisação a partir da próxima quinta-feira.

"A decisão da adesão à greve ocorreu após inúmeras denúncias de demissões em massa, precarização, assédio moral e coação em todo o Brasil", diz o Sindicato dos Profissionais em Processamento de Dados e TI do Estado de São Paulo.

O sindicato também atribui ao "desmonte da estatal" o atraso nos pedidos e pagamentos de benefícios pelo INSS. Nesse ponto, vale destacar que, entre outras tarefas, a Dataprev é responsável por processar o pagamento mensal de 35 milhões de benefícios previdenciários.

Em nota, a Dataprev diz que "entende e respeita as mobilizações sindicais e o direito de greve dos trabalhadores", mas argumenta que o fechamento das 20 filiais "não afeta, de nenhuma maneira e sob nenhum aspecto, o trabalho de processamento dos dados previdenciários".

No mesmo comunicado, a Dataprev afirma que o processamento das requisições do INSS é feito nas unidades de desenvolvimento da empresa no Ceará, Distrito Federal, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo — nenhuma delas será fechada.

Com informações: Agora.

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Wendel Schelhan

É curiosa essa cabeça que alguns funcionários públicos tem de que o emprego deles é uma especie de direito inviolável, como se qualquer outro trabalhador não estivesse sujeito a isso.

Gaba

Pois…

A maioria dos funcionários públicos foram para lá com a mentalidade “emprego no governo é estabilidade para a vida toda e garantia de tudo”. Agora estão perdendo a mamata mas mesmo assim não entende o que é um emprego. A qualquer momento qualquer trabalhador pode perder seu emprego se assim empresa desejar, com governo não é diferente.

Lucas Gasparotto

Se vai demitir menos de 500 funcionários num universo de 3500, to achando pouco. Visto a Casa da Moeda que tem mto cabide de emprego, nessa daí com ctz tem tbm.
O Governo tem que se preocupar com Saúde, Segurança e Educação, ponto. O resto é só gasto desnecessário.

Reinaldo Boson

Toda ação tem uma reação, se o cara estudou muito, mas muito mesmo para passar em um concurso, exatamente por esta estabilidade e não se submeter ao “humor” do empregador, mesmo sabendo que nunca vai ficar rico ou que poderia ganhar mais na iniciativa privada e de repente um maluco chega e diz que não e o mandam para o olho da rua, ainda esperar que os caras fiquem igual cordeirinho vendo a vida dele toda ruir é pedir demais. Por que não pegam então essa mão de obra, já qualificada (porque nenhum burro passa em um concurso difícil desses) e alocam em outros órgãos? no próprio INSS que tá com um déficit de 7.000 funcionários?

Lucas Gasparotto

Pq nenhum empregador faz isso. Pra ele é preferível tacar gasolina no fogo que ajudar a apagar. É assim na iniciativa privada, pq não na pública?

Fábio Emilio Costa

Tá todo mundo viajando em uma coisa simples: uma privatição da Dataprev representa muito mais do que perda de empregos, mas da venda dos dados e do controle dos mesmos de milhões de brasileiros para a iniciativa privada. Que obviamente vai visar o aumento dos lucros vendendo tais dados.

Fab

Olha, bem sinceramente… acho que é ainda pior esses dados na mão do governo…

Fábio Laurindo

Minha mãe sempre falou vire funcionário público e tenha estabilidade, que sorte que ao menos isto não escutei ela.

Fernando Val

Tive o desprazer de trabalhar num projeto dentro da Dataprev, por 90 dias.

São funcionários contratados pelo regime CLT com mentalidade de servidores públicos.

Por 90 dias vivi dentro de um setor inchado que funcionava, sem gargalos ou transtornos com 1/3 do efetivo, pois os outros 2/3 estavam sempre ausentes em cursos inúteis, licenças ou viagens para participar de conferências nada a ver com o trabalho.

Na única vez que houve um problema, os poucos que trabalhavam bateram cabeça até a solução vir de um terceirizado que simplesmente limpou o log do servidor que havia ultrapassado os 2GB de limite de tratamento de um Windows NT 4 desatualizado.

Quantas vezes não presenciei os funcionários assistindo a vídeos piratas ou jogando Fifa Soccer nos computadores da empresa.

Gustavo Afghani

A privatização ocorre assim por iniciativa unilateral do presidente? Achei que havia alguma espécie de participação pública no assunto.

Fab

Agora falando sério, se não estou enganado o Congresso precisa aprovar.

A não ser que seja uma subsidiária, aí o processo é mais simples e menos burocrático.

Orley Tadeu de Lima

Na verdade, é diferente sim… Um funcionário público não é um empregado. Os direitos dele são diferentes dos direitos de um empregado da iniciativa privada. Governo não é empresa. A estabilidade do funcionalismo público, inclusive, diz respeito à garantia do bem para a sociedade. O funcionário que tem essa garantia pode, por exemplo, se negar a alterar algum dado para maquiar algo que não esteja funcionando da maneira correta para mostrar para a população que aquilo está errado sem temer ser demitido.

EDIT: Os funcionários da Dataprev, especificamente, são contratados CLTistas o que torna as coisas um pouco mais diferentes, mas, ainda assim…

Gustavo Afghani

Faz sentido :rofl::rofl::rofl::rofl::rofl::rofl:

@xavier

Existe algum caso na iniciativa privada, onde o empregador iria demitir uma parcela de seus colaboradores, e os mesmos se rebelaram, fizeram greve e exigiram que não fossem demitidos?

Que me desculpe os bons servidores públicos (que eu sei que existem), mas os que fazem greve estão mesmo é preocupados em se manter em um cabide de emprego, trabalhar pouco, trabalhar mal e ganhar um bom dinheiro.
Todos se blindam com a falácia do “passei no concurso”. Um concurso não é uma prova de que a pessoa estará apta a desempenhar tal função pro resto da vida, e sim apenas que, NO MOMENTO de sua execução, aquela pessoa é a que (em teoria) desempenharia uma determinada função, da melhor forma, com a melhor eficiência possível, para o bom aproveitamento do dinheiro público.
Mas o que se vê é exatamente o contrário, o fulano estuda muito pra passar numa prova (muitas vezes questões gerais, e não específicas ao cargo) para então ter a tranquilidade de sentar numa cadeira e ficar olhando pro teto, fazer cara feia quando aparece alguma pessoa pedindo algo e reclamar que a remuneração está baixa, que o plano de aposentadoria não compensa, que o plano de saúde não cobriu uma cirurgia estética…

@D4nTeH

@TyrMenethil ainda estou na duvida se saúde e educação entram nessa lista…

Lucas Gasparotto

O Governo ESTAR se preocupando é diferente de DEVER se preocupar. O Estado DEVE se preocupar com Saúde, Educação e Segurança. Agora nosso país não ESTÁ se preocupando.

Matt

Os dados já são vendidos para quem quiser

Sérgio

Desespero dos “cabides”. É bom que já facilita pra quem assumir a empresa quem vai pro olho da rua junto com os não-concursados.

Sérgio

Tô precisando disso aí que você tá tomando… deve dar um barato louco!

E sim, funcionário público É um empregado. Nosso empregado, no caso. Empregado de quem paga a fortuna de impostos que nós pagamos pra ter um serviço na maior parte das vezes medíocre, pra não dizer um baixo-calão.

João Claudio

no mundo real, sim
http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2015/12/sindicato-e-usiminas-se-reunem-para-discutir-demissoes-em-cubatao-sp.html

João M.

Adoro qdo esses mamadores da teta do estado fazem greve e aumentam em 600% o motivo de privatizar.

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