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Loja Xiaomi não-oficial deu calote milionário, diz Rakuten Brasil

GenComm, dona da Rakuten Brasil, pede recuperação judicial; loja Xiaomi BRZ tem dívida de R$ 5,5 milhões

Felipe Ventura Por

A GenComm, que assumiu a plataforma de comércio eletrônico da japonesa Rakuten no Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial: ela está devendo R$ 46,4 milhões para quase dois mil fornecedores e lojistas. A empresa acusa a loja não-oficial Xiaomi BRZ de não entregar a maioria dos produtos aos consumidores, e de não pagar uma dívida de R$ 5,5 milhões.

Xiaomi BRZ (Imagem por @ArqtoNatan/Twitter)

A Rakuten oferecia serviços de tecnologia para varejistas no Brasil até outubro de 2019, quando suas operações locais foram adquiridas pela GenComm. A plataforma de comércio eletrônico, agora chamada GenMarket, continua no ar para lojas de produtos como celulares, notebooks, acessórios, roupas e perfumes.

A GenComm atua com serviços de pagamentos (antes chamado Rakuten Pay), serviços de entregas e desenvolvimento de sites de e-commerce. Ela acreditava que conseguiria ter lucro, ao contrário da Rakuten, que havia sofrido prejuízo de R$ 25 milhões ao longo dos últimos doze meses em que operou no país. O plano era demitir 130 dos 200 funcionários, reduzir o portfólio e cortar despesas de marketing.

GenComm

Xiaomi BRZ não entregou 60% das compras

Então, a GenComm descobriu que os problemas financeiros eram mais graves. A loja não-oficial Xiaomi BRZ era um de seus principais clientes, correspondendo a 50% do faturamento da empresa; ela teve receita mensal de R$ 10 milhões entre fevereiro e setembro de 2019.

No entanto, a loja não entregou 60% das compras feitas pelos clientes, gerando um grande volume de chargebacks — ou seja, de contestações dos gastos feitos com cartão de crédito. Em setembro, o saldo negativo da Xiaomi BRZ era de R$ 4,8 milhões. A GenComm se reuniu com o lojista, que "simplesmente declarou que não tinha os valores necessários para saldar sua dívida", explica o pedido de recuperação judicial.

Atualmente, o saldo negativo da Xiaomi BRZ está em R$ 5,5 milhões. "Todas as tentativas de cobrança de tal valor até hoje restaram infrutíferas, não tendo sido possível localizar patrimônio da Xiaomi BRZ para arcar com o prejuízo", diz o documento.

Xiaomi BRZ encerrou dois CNPJs

O site xiaomibrz.com.br está fora do ar; a versão salva pelo Internet Archive menciona "pagamentos por Rakuten Pay". O CNPJ era 33.507.277/0001-64, correspondente à Smart BRZ Comércio de Eletrônico Ltda., cujo e-mail era [email protected] A empresa deu baixa na Receita Federal em outubro de 2019, segundo apurou o Tecnoblog.

Anteriormente, a loja atuava com o CNPJ 29.366.628/0001-97, de nome Xiaomi Brasil Comércio de Eletrônicos EIRELI e e-mail [email protected] Ela deu baixa em novembro.

Xiaomi BRZ CNPJ

Por que a loja não-oficial deixou de entregar os produtos? A GenComm não explica, mas isso pode estar relacionado à apreensão de 30 mil produtos da Xiaomi em São Paulo por sonegação de imposto. A Secretaria Estadual da Fazenda e Planejamento disse em novembro que empresas de fachada vendiam celulares e relógios da marca chinesa pela internet sem recolhimento de ICMS.

Vale notar que a loja oficial da Xiaomi no Brasil, comandada pela DL Eletrônicos, não está relacionada ao pedido de recuperação judicial da GenComm. A DL é responsável pelas Mi Stores físicas em dois shoppings de São Paulo e pelo e-commerce mi.com.

Lojistas cobram explicações da GenComm e Rakuten

A Cielo encerrou relações comerciais com a Gencomm em 31 de janeiro, e o Itaú cortou uma linha de crédito de R$ 65 milhões. Como parte desse financiamento já havia sido concedido, todo o faturamento da empresa passou a ir diretamente para o banco, impedindo o repasse para os lojistas.

O pedido de recuperação judicial menciona dívidas no total de R$ 46,4 milhões com quase dois mil fornecedores. Eles vêm deixando inúmeros comentários nas redes sociais da Rakuten e de seu fundador, Hiroshi Mikitani, pedindo respostas para o que aconteceu. "Os lojistas estão há mais de um mês com o seu dinheiro preso nessa companhia, todos de mãos atadas sem conseguir fazer nada", afirma Leonardo Mei, da marca de acessórios Piuka, ao Valor.

Leonardo explica ao E-Commerce Brasil que os atrasos nos pagamentos começaram em janeiro, quando as lojas deveriam receber valores referentes às vendas na Black Friday e Natal. "Do nada, a empresa cessa os pagamentos e anuncia uma recuperação judicial? O pânico é geral", ele diz.

Rakuten, GenComm e Xiaomi BRZ não se manifestaram.

Com informações: Valor, E-Commerce Brasil.

Comentários da Comunidade

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Edilson Junior

Eis que o castelo dos sonhos dos importadores começa a ruir e fazendo vítimas em todos os cantos. Lamentável

Rodrigo Farias

Quem botou quem pra mamar nessa história?

Gustavo Afghani

Uma loja on-line com nome BRZ já não inspira confiança de imediato

Matheus Duarte

A economia da importação nem sempre é econômica, em tempos que você consegue registrar empresas on-line na JUCESP/JUCEPAR/JUCEBA etc, fazer o background check de quem você vai comprar é essencial.

Às vezes, até mesmo lojas conceituadas tem problemas com Receita e afins, nunca dá pra ter uma garantia 100% eficaz.

Caleb Enyawbruce

quem compra numa loja cujo site é xiaomibrz.com.br e o email [email protected]?

Amom Mandel

O Itaú botou os logistas pra mamar

Luan Pires

Reflexos do comercio ilegal no Brasil.

Ricardo Neves

Essa tal XiaoLoja vendia mais barato que as outras?

Eu

Muita gente, aparentemente. hahaha

Caleb Enyawbruce

:laughing::laughing::laughing::man_facepalming::man_facepalming::man_facepalming:

Diogo L.

Esse caso me lembra um pouco da Orangemix ( loja que vendia diversos produtos, inclusive de informática), onde até 2011-2012 ela entregava os produtos corretamente, depois disso começou a dar calote nos compradores, com vários produtos de hardware com preço de R$ 200-500 mais barato se comparados com outras lojas da época.

http://magnopapagaio.blogspot.com/2013/11/orange-mix-o-maior-rombo-da-historia-da.html

Douglas Knevitz

E agora a gente vê que tirar o site do ar foi só a ponta do iceberg. Espero que mais informações venham a tona e que sirva de exemplo pra barrar outras operações similares.

É aquela fala de sempre: Se algo é muito barato, desconfie.

Evelyn Perez

Eu trabalhava na Rakuten, foi tenso. Estava tudo aparentemente bem e do nada “venderam” a empresa e um mês depois demitiram quase todo mundo, na época tinham boatos de que a Rakuten pagou para um grupo americano para desvincular o nome e fechar a empresa, foi triste quando chamaram todo mundo na salinha para demissão em massa e a sorte que achei trabalho logo, mas alguns amigos meus ainda estão lá. A Rakuten global foi muito sacana e a administração do Brasil era péssima, então não me surpreendi com o pedido de falencia.

 • 令和 • Ward'z de Souza 🇯🇵🎌🦊🔥 - Risonho e Límpido

Lembrei também do caso Néon Eletro, que tinha até comercial e marchan em programas. Aproveitei que o Celso Portiolli e o Leon Abravanel me seguiam no Twitter e mandei pra eles.

LekyChan

prefiro comprar direto da china, sai ainda mais barato

Igor Lana de Melo

E pelo que andei lendo, outras lojas que usam sistema de cobrança da Rakuten estão com problemas (Iron Studios e Tamashii Brasil, coincidentemente ambas do ramo de colecionáveis) e deixaram as lojas temporariamente fora do ar.

Gigo CAP

Pior que a plataforma da Rakuten para ecommerce era uma das melhores pra quem precisava de uma plataforma mais integrada. Nós até tentamos entrar em contato com a GenComm pra fazer uma loja pra um cliente nosso, até estranhamos que não tivemos retorno. Agora ficou claro.

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