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Banco do Brasil pode ser privatizado para concorrer com fintechs

Presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, diz que instituição deve ser privatizada para se adaptar ao modelo de open banking

Felipe VenturaPor

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, acredita que a instituição financeira deveria ser privatizada para concorrer melhor com as fintechs (startups de finanças) e para se adaptar ao modelo de open banking. A empresa não está na lista de estatais que serão privatizadas, como os Correios e a Telebras.

Rubem Novaes (Banco do Brasil)

No open banking, seus dados financeiros de um banco poderiam ser compartilhados com outro banco através de uma API, para serem usados em apps e serviços de terceiros. Isso daria mais liberdade aos clientes e aumentaria a concorrência entre grandes empresas e fintechs. O modelo está em estudos no Banco Central.

“Na medida que se aprofundar esse novo mundo bancário de open banking e competição das fintechs, as desvantagens de ser um banco público vão se acentuar”, disse Novaes à Folha. “E eu acho que a gente já devia começar a se antecipar para pensar em privatização, assim não teria trauma nenhum.”

Para Novaes, o BB teria mais flexibilidade e seria mais eficiente caso fosse privatizado: “tenho convicção de que sem essas amarras, nós passaríamos dos concorrentes privados”, disse o executivo. “Um dia será inevitável privatizar o Banco do Brasil.”

A venda do BB não está prevista no plano de desestatização, mas teria o apoio da equipe econômica e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Seria necessário convencer também o Congresso e o presidente Jair Bolsonaro.

Presidente do BB defende privatização há meses

No ano passado, Novaes defendeu a privatização do BB com o mesmo argumento: para ele, “é óbvio que uma instituição pública não vai ter a mesma velocidade” que uma fintech em se adaptar à modernização do sistema bancário.

“Com as amarras que uma empresa pública tem, vai ser muito difícil o ajustamento, no horizonte de 2, 3, 4 anos, a esse novo mundo de open banking e das fintechs”, disse Novaes em outubro de 2019. “Fica muito difícil em uma instituição ligada a governos acompanhar esse ritmo; competimos com uma espécie de bola de ferro na canela.”

Com informações: Folha.

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Sérgio (@trovalds)

Precisa e é com urgência. Outro dia mesmo fui numa agência que só atende PJ por aqui e fiquei quase 2 horas esperando atendimento. Isso porque tinham 10 funcionários na agência pra o tipo de atendimento que eu precisava e NENHUM deles queria atender antes que a senha fosse chamada. Por fim quebrei o pau dentro da agência e acabei atendido por um gerente. Os funcionários? Nem se mexeram. E isso que o BB nem é 100% estatal.

E por falta de banco público, já temos a CEF.

Fábio Laurindo (@Fabio_Laurindo)

Meu sonho é ver estes concursados igual foi no tempo do Banespa, trabalhando pra uma gestão privada e tendo que tratar bem a população senão perde o emprego.
Muitas vezes o funcionário desta instituição acham que somos animais.

Bopez (@bopez)

Poucas coisas são mais previsíveis do que o discurso de privatistas no controle de estatais. A natureza das estatais não permitem que elas sejam eficientes, logo, é necessário vender. Ser de capital privado faz mágica, nunca empresa ou banco privado algum foi gerido de forma ineficiente e faliu.

Será se esse indivíduo, que é nada mais nada menos que o presidente do BB, pode fazer absolutamente nada? Só fala em privatização. Cadê os planos para enfrentar essa concorrência que estar por vir? Parece até que privatista em posição de comando age de forma ineficiente, para gerar sucateamento e justificar a venda.

Cristiano Bonassina (@cristiano.bonassina)

Que mensagem mais sem noção.

Primeiro, esse discurso de sucateamento: tu estraga tuas coisas antes de vender pra desvalorizar e vender mais barato?

Segundo, não é questão de mágica, mas qual a motivação de uma empresa pública ser eficiente sendo que o estado vai cobrir qualquer prejuízo?

E por fim, se privatizar, não me interessa quais os planos de enfrentar a concorrência, que se dane. Não envolvendo dinheiro público não me interessa.

Guto (@gutocabral)

Lembrando que, por ironia, o Banco do Brasil é líder em Open Banking no Brasil.

Ainda hoje os únicos bancos brasileiros que disponibilizam API e documentação para tal são o BB (https://developers.bb.com.br) e Original (https://developers.original.com.br).

@GuilhermeE

Como disse @gutocabral , o BB já é líder em OpenBanking. Além disso, seus serviços online não devem em nada para outros, sendo melhor que Banco Inter. Nunca faço nada fora da internet, até falar com minha gerente de conta, que faço pelo app do banco.
Só acho as taxas excessivamente altas, mas é consequência de sua posição de mercado.

O BB sendo banco de capital aberto, do Novo Mercado, e já trabalhando na prática como banco privado, não vejo o motivo do discurso. É sem sentido. Não vejo motivo até pra sua existência, pois já existe a CEF. Mas esse discurso parece mais tentativa de sucatear o serviço pra poder vender barato.

@GuilhermeE

Meu sonho é ver estes concursados igual foi no tempo do Banespa, trabalhando pra uma gestão privada e tendo que tratar bem a população senão perde o emprego.
Muitas vezes o funcionário desta instituição acham que somos animais.

Sou clientes de muitos bancos e passei minha vida de mudanças, sendo atendido em diversas agências de diversos bancos públicos e privados pelo país. Nenhum atendeu do jeito que você está falando. Alguns tinham sim problemas de atendimento, com fala crônica de funcionários, mas nenhum tratou assim, “como um animal”. Seu problema ou foi muito pontual (afinal, é um ser humano atendendo você) ou é a mesma mentira que muitos falam por aí pra tentar justificar algo. Eu mesmo já fui ofendido por pessoas quando era estagiário atendendo o público em um órgãos público, com pessoas achando que eu era um escravo e eu tinha a obrigação de fazer mágica, fazendo seus problemas desaparecerem instantaneamente.

Muitas vezes o atendimento físico de bancos privados e públicos são feitos por poucas pessoas, que precisam trabalhar dobrado pra dar conta do serviço, que é sim burocrático por conta a legislação restritiva (que tem seus motivos pra ser assim, inclusive).

@GuilhermeE

@Fabio_Laurindo, qualquer servidor público pode perder o emprego. A estabilidade é pra proteção pra fins de política, quando alguém fala “não vou com sua cara, então está demitido” pra poder colocar amigos pra dentro do serviço público. Mas ainda assim, o BB não possui servidores públicos e sim empregados públicos, que são concursados contratados por CLT e com demissão motivadas, mas sem as mesmas regras da estabilidade. E isso em alguns casos, já que o BB e outras empresas públicas contratam via empresas terceirizadas.

O que acontece é que ninguém vai ser demitido pq “alguém quer”. Como eu disse, a maioria das instituições financeiras públicas e privadas tem falta crônica de pessoal, que tem que trabalhara dobrado e por isso o atendimento demora.

Reinaldo Boson (@Ticano)

O APP do BB é o melhor de todos disparado, a quantidade de convênios e o atendimento on line são próximos de tudo que preciso. Agora, esse presidente do Banco aí ta na hora de jogar fora, baita discurso pró mercado e anti empresa, como se o BB fosse uma empresa pública dependente do tesouro de capital fechado, tipo a empresa pública inútil do trem bala que nunca fez o trem.
Isso é a minha percepção como cliente de mais de duas décadas. Agora, pra quem precisa ir em agência, o calvário vai ser igual, seja no Bradesco, no Itaú ou no BB, equipes reduzidas, desmotivadas e cada vez mais cobradas, trabalhar em banco é um inferno e muito desse horror é causado pelos clientes. Alguém já viu alguma pessoa feliz na fila de um banco? se tá ali é para resolver problema, pagar conta que ele fez e tá puto por isso e por aí vai, muita energia negativa. Experiência própria de dois anos de Bradesco, inferno na terra.
Os que cantam que privatizar é o paraíso, olha a Vale aí, ou melhor, pede pra cancelar o seu plano de internet…

@dirceu

Não posso me furtar em comentar sua postagem.
O objetivo de uma empresa pública é diferente de uma empresa privada. Isso é um equívoco comum. Uma empresa privada visa o lucro para os acionistas ou proprietários. Isso é básico. Já uma empresa pública visa atender alguma lacuna do mercado, ou por falha deste, ou por necessidade de induzir ou privilegiar alguma vertente econômica. Assim, o BB, por exemplo, tem atuação muito forte relativamente ao agronegócio. Nesse aspecto, o eventual prejuízo deve ser suportado pelo benefício. Imagine, por exemplo, uma empresa pública de reciclagem de baterias. Seriam deficitárias, por certo, e a iniciativa privada não se interessaria pela área. Mas sua função é muito importante se a sociedade pretende ter meio ambiente suficiente no futuro.
Quanto ao problema do sucateamento, se você quer vender alguma coisa que é sua, realmente você vai, no mínimo, “dar um tapa” para vender, mesmo que esteja vendendo uma porcaria. No entanto, se a empresa é pública e, infelizmente, entendida como de ninguém na nossa terra, então, por comprometimento ideológico, ela pode sim ser sucateada para ser vendida barato e recuperada posteriormente.

ochateador (@ochateador)

Esse presidente do Banco do Brasil deve ser bem incompetente para sugerir apenas a privatização como solução para os problemas da empresa…

@Jinx

Quanta asneira nessa notícia, tanto por parte do presidente do Banco como por parte de quem está comentando aqui. O Banco do Brasil é uma estatal lucrativa, ele devolve dinheiro pro tesouro nacional. Mesmo a Caixa Econômica é lucrativa. O Banco do Brasil teve 18 bilhões de reais de lucro em 2019, se não me engano, e a CEF teve mais de 10 bilhões.
Ambos os bancos são patrimônios do povo brasileiro, foram construídos às custas de muito trabalho ao longo de mais de UM SÉCULO no caso da CEF e de mais de DOIS SÉCULOS no caso do Banco do Brasil. Todos os setores da economia brasileira, praticamente, contam com crédito provido por um desses dois bancos, a juros baixos - coisa impensável para a iniciativa privada no país. Para além disso, toda a folha de pagamento do funcionalismo público federal, e aposto que a maior parte do estadual e municipal, é gerida pelo Banco do Brasil. Bolsas de pesquisa, salários, TUDO. É um absurdo pensar em privatizar um banco LUCRATIVO, e que tem tamanha importância social, econômica e cultural pro país. Na verdade, o Banco do Brasil deveria ser TOTALMENTE estatizado, assim como é a CEF.
A iniciativa privada não contribuiu com nada na construção desses dois bancos, e nem na construção de nenhuma estatal do país. Ela não deu um centavo pra nada. E agora querem vender tudo, provavelmente por preço de banana? Privatizam os lucros e socializam os prejuízos? O Governo Bolsonaro, junto da equipe econômica do Paulo Guedes, é o maior descalabro que já aconteceu na história do país. Vamos em direção ao abismo.

@Jinx

O Banco do Brasil é superavitário… Cadê a falta de eficiência? Discursinho liberal barato e tacanho esse, sinceramente.

@Jinx

O Brasil tem poucos funcionários públicos quando comparado a outros países que são desenvolvidos. É só ir e verificar. Esse discurso de que temos Estado demais não é verdadeiro, ele é mentiroso e tem um propósito político específico: enriquecer ainda mais a elite e precarizar ainda mais a vida dos mais pobres.

@Jinx

Esse é justamente um espaço para a discussão. Não aguenta brincar, não desce pro play. Eu sou socialista, mas eu nem preciso entrar nesse nível do debate pra poder rebater esses argumentos mirrados e toscos que usam contra empresas estatais: nenhum país da OCDE (que consideram a turminha dos desenvolvidos, não é?), especialmente os europeus, segue essa psicodelia econômica e social que vocês tanto defendem com unhas e dentes. Sabe por quê? Porque não funciona. Porque causa a barbárie.
A proporção de funcionários públicos em relação ao total de empregados no Brasil é inferior à média praticada na OCDE. No Brasil esse número está em torno de 20%, na Dinamarca é mais de 30%…
Não tem como diminuir o Estado num país em que falta TUDO, como é o caso do Brasil. Um país com metade dos empregos informais. Não somos um país desenvolvido. Isso é economia 101: a iniciativa privada busca obter a maior produção e o maior lucro com o menor emprego de recursos (a tão chamada eficiência). O problema é que isso, traduzido em resultados pra sociedade, gera desigualdade, perda da renda, condições de trabalho precárias e a exaustão dos recursos naturais. Que maravilha, né? Que delícia é o mercado!
E Cuba está muito melhor em saúde, saneamento básico e educação do que grande parte dos países da OCDE, obrigado.

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