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DJI Mavic Mini: parece de brinquedo, mas não é [atualizado]

Ele é absurdamente leve, mas isso faz o drone não curtir ventos

O Mavic Mini é a resposta da DJI pra quem tem algum receio de voar um drone, que precisa ser registrado em alguma agência reguladora, como é o caso da Anac aqui no Brasil. Ele é fica um grama abaixo do regulamento de alguns países que diz que qualquer drone acima de 250 gramas precisa de registro - não no Brasil.

Com isso, ele é o mais leve drone dobrável do mundo e tem alguns recursos de seus irmãos maiores e mais completos, mas custando bem menos. Será que vale a pena? Vem comigo que eu te explico nos próximos parágrafos.

Análise do Mavic Mini em vídeo

Design e acabamento

Se tem uma coisa que chama atenção neste drone, é o tamanho dele. Dá para colocar um smartphone por cima, com o drone dobrado e todo corpo fica escondido abaixo do celular. Além do tamanho diminuto, o peso é o mesmo da bateria dos Mavic 2, que eu já comentei aqui no Tecnoblog.

O corpo é de plástico mais claro, com um alerta que deixa claro que ele tem 249 gramas. O acabamento não é tão robusto como nos Mavic 2, mas é fácil aceitar este detalhe por aqui pelo peso bem menor e por conta do valor que custa um Mavic Mini. Ele é um dos modelos de entrada, o que fica explícito na ausência que realmente me incomodou: sensores.

Únicos sensores são as duas bolinhas no lado oposto de onde fica a câmera

Enquanto os Mavic 2 contam com sensores por cima, por baixo, na frente, atrás e um em cada lado, o Mavic Mini tem só um e ele é o que fica apontado baixo, que serve para mapear ambientes internos e para entender quando está próximo do solo...ou da sua mão. Isso significa que por mais que este drone seja focado em um público mais informal, que quer brincar e não criar algo profissional, o voo é menos seguro. E isso acontece justamente para quem ele deveria ser mais seguro.

O combo Fly more vem com este case que coloca tudo junto: o pacote com mais baterias, carregador delas, controle e o próprio drone. Dá para usar o pacote carregador das baterias como uma powerbank, mas se você fizer isso vai criar uma das mais caras powerbanks que existe no mercado. A única utilidade real é de carregar o controle enquanto você recarrega as baterias, tudo em uma só tomada da parede.

Recursos e modos de voo

Antes de falar sobre a qualidade de imagens, vale ressaltar que o controle do Mavic Mini é diferente dos Mavic 2. No lugar de usar uma tecnologia própria da DJI para conversa entre o drone e o controle, por aqui é o Wi-Fi mesmo e isso significa que o alcance é bem menor, por mais que a DJI afirme que este é um Wi-Fi com esteroides.

Eu não consegui passar de 600 metros sem algum soluço na imagem, margem que o Mavic 2 passou e foi para quase dois quilômetros sem problemas, mesmo no meio da cidade de São Paulo e isso significa interferência vindo de todos os lados.

Comparando agora com o Spark, que é um drone mais limitado, o Mavic Mini tem vários pontos positivos. O primeiro é o gimbal, que gira em três eixos e não em dois, o que faz os ventos fortes não atrapalharem tanto a filmagem. Como ele é muito leve, ventos costumam empurrar com facilidade o pequeno drone, então é bom ficar atento para os alertas de ventos fortes e diminuir a altitude.

Eu quase que perdi o Mavic Mini deste review por isso. Ele não conseguia voltar pro ponto de decolagem e começou a pousar sozinho, mesmo com bastante bateria – mais do que o suficiente para voltar os 200 e tantos metros que tava de distância.

Outro ponto positivo, além da leveza e do tamanho diminuto do drone, é a qualidade de imagem. Ela é claramente superior ao Spark, mas fica um degrau abaixo do que conseguem os Mavic 2, até mesmo o Mavic Pro, de primeira geração. Ok, estamos com um drone extremamente leve e mais barato, é perfeitamente aceitável ter um pulo atrás neste quesito.

Imagens registradas com boas condições de luz são ótimas, mas com alguma dificuldade na hora de trabalhar com mais contraste. Este problema fica claro em tomadas de Paranapiacaba, quando eu voei o pequeno drone em um céu com nuvens, tudo em um branco forte, neblina e o contraste com as árvores do morro deixou o resultado um pouco abaixo do esperado.

Contraste pode ficar feio

É só ajustar o ângulo da câmera, tirar a distância de contraste que está gritando e pronto. O resultado volta a ficar bom, com um plus se você souber fazer um bom trabalho na pós - e isso vale até mesmo para os drones mais caros da marca chinesa.

Em Santos, já com sol e pouco estouro de branco, a situação ficou ainda melhor e com resultados que deixam as filmagens bem próximas do que eu consegui com os Mavic 2 no ano anterior. Ah, sim, a câmera do Mavic Mini pode fazer vídeos em Full HD com taxas de quadro marcadas em 25, 30, 50 ou 60 quadros por segundo, ou então 2,7k com 25 ou 30 fps. A taxa máxima do vídeo é de 40 Mbps.

Para fotos o resultado foi literalmente o mesmo dos vídeos, com as mesmas variações de contraste que notei. A resolução é de 12 megapixels e a abertura da lente é de f/2,8.

Se na qualidade das imagens a economia foi baixa, nos modos de voo foi generosa. Ele tem um modo de cena, mas apenas com quatro opções: Dronie, Foguete, Órbita e Hélice. O Dronie faz o drone andar de costas e em um ângulo de uns 45 graus do objeto selecionado, o Foguete vai para cima e em 90 graus, o Órbita gira em uma posição fixa ao redor do objeto e o Hélice faz a mesma coisa, só que aumentando o raio do giro aos poucos.

Estes modos são focados para quem não manja muito dos paranauês dos drones, público deste drone. Por conta disso a DJI poderia colocar mais modos, como o que segue o objeto selecionado e que está presente no Mavic 2. Um detalhe que pode atrapalhar estes modos é a ausência dos sensores, como disse parágrafos acima. Sem eles, você precisa saber exatamente como está o caminho que a aeronave fará, já que se ela seguir em direção de uma parede, não vai parar. Até vai, mas não como você gostaria e certamente não voará mais uma vez.

Por fim, a bateria é bem pequena, mas mesmo assim a autonomia não é das piores. Ela é de 2.400 mAh e a DJI promete até 30 minutos de voo, andando em 14 km/h e sem ventos. Este cenário basicamente não existe, os ventos estão pra todo lado e isso diminui a autonomia. Nos meus testes eu consegui chegar em mais ou menos 21 minutos de voo por carga, valor muito bacana e que permite a brincadeira por algum tempo.

Vale a pena?

Mesmo sendo um drone mais de brinquedo, dá para fazer algo extra com o Mavic Mini. A qualidade de imagem é muito boa para um produto de entrada e o peso de 249 gramas te garante um voo sem problemas com algumas agências reguladoras - ao menos por enquanto. No Brasil ele precisa ser registrado, por conta do peso máximo de decolagem.

O que mais me preocupa é a falta de sensores, principalmente quando você lembra que este drone é feito pra iniciantes. Ter ajuda no voo é muito importante para qualquer um, mas para quem não tem experiência com este tipo de produto é ainda mais importante. Remover sensores faz uma matemática interessante ao reduzir consideravelmente o custo e o peso da aeronave, então é um ponto que você precisa ter em mente.

O Mavic Mini foi lançado por US$ 399, que pode parecer caro, mas a linha Mavic 2 começa em US$ 1.729 e isso faz dele um drone 4,3 vezes mais caro do que o Mavic Mini. Se você quer apenas um drone de entrada, que não é dobrável e tem alguns recursos extras, dá para pensar no Spark, que é uma ótima opção com mais funções para quem quer só brincar, mas que perde por ter gimbal em só dois eixos. O Mavic Mini é um passo além, focando na qualidade de filmagem e fotografia.

No Brasil o preço de lançamento do Mavic Mini é de a partir de R$ 4.049 e não há um valor oficial pros Mavic 2, mas eles são encontrados no mercado por preços que começam em algo perto dos R$ 9 mil. A diferença de valores fica menor, mas o Mavic Mini ainda fica 2,2 vezes mais barato do que o primeiro passo dos Mavic 2.

Atualização em 21/2 às 19h53: O Tecnoblog apurou que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) entende que qualquer drone é catalogado por Peso Máximo de Decolagem e o Mavic Mini, com a proteção das hélices, decola com 295,2 gramas e entra na Classe 3 de drones. Por conta disso, mesmo com o alerta de 249 gramas, ele precisa ser registrado no site da agência. O texto original foi editado com a correção.

Especificações técnicas