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RecargaPay Prime+ muda limite para boleto e irrita clientes

RecargaPay Prime+ diminui limite para pagar boletos sem taxas com cartão de crédito; valor máximo foi de R$ 5 mil para R$ 3 mil

Felipe Ventura Por

A fintech de pagamentos RecargaPay alterou as condições do serviço Prime+: ele tinha limite de até R$ 5 mil para pagar contas e boletos sem taxas através do cartão de crédito; isso será reduzido para R$ 3 mil a partir de abril, valendo inclusive para clientes antigos que estão em um contrato anual. Além disso, a assinatura ficou 50% mais cara para novos clientes.

RecargaPay

Existem dois planos pagos do RecargaPay: um deles é o Prime, que podia ser assinado por R$ 9,99 mensais; agora, ele sai por R$ 14,99 ao mês.

Ele devolve 10% do valor das recargas do seu celular, 5% no caso de outras linhas de celular, e 5% no caso de cartões de transporte como o Bilhete Único. Isso vale para todos os pagamentos de até R$ 20. Também é possível quitar R$ 1 mil em boletos por mês usando o cartão de crédito, sem pagar taxa.

Por sua vez, o Recarga Prime+ oferece os mesmos benefícios de cashback. O limite para boletos, no entanto, é mais complicado. Inicialmente, a fintech dizia que era “ilimitado”, mas colocava na letra miúda que isso valia “para até R$ 4.999,99 em pagamentos no mês”.

Então, a empresa decidiu ser um pouco mais transparente, explicando que o Prime+ deixava pagar, sem taxa, até R$ 5 mil em boletos por mês. A assinatura custava R$ 119,88 por ano, dividida em doze parcelas de R$ 9,99, um preço válido “por tempo limitado”.

RecargaPay Prime+ ficou mais caro

Esse tempo acabou: o RecargaPay aumentou a assinatura Prime+ para R$ 179,88, dividida em doze parcelas de R$ 14,99. Junto ao preço maior, vem um benefício menor: as regras do cashback seguem as mesmas, mas o limite mensal para boletos será de R$ 3 mil a partir de 1º de abril, para clientes novos e antigos. A empresa diz nas redes sociais que “não há no mercado melhores benefícios do que a assinatura Prime+ proporciona”.

RecargaPay

“Eu assinei com uma promessa e paguei o ano inteiro, agora vão mudar as regras?”, questiona Hugo Maestá, cofundador da empresa Convertpack, no Twitter. “Eu assinei o Prime+ na condição de poder pagar boletos de até R$ 5 mil sem taxas… vocês não podem alterar de forma unilateral”, diz o desenvolvedor César de Tassis Filho.

O contrato do RecargaPay diz que a empresa pode fazer alterações e modificações “conforme julgar conveniente e a seu critério, a qualquer momento e sem aviso prévio, simplesmente publicando tais mudanças através do Aplicativo”.

No entanto, o Código de Defesa do Consumidor considera abusivas as cláusulas que “autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo ou a qualidade do contrato após sua celebração”, e diz que esse tipo de regra é nulo de pleno direito.

Em comunicado ao Tecnoblog, o RecargaPay diz que “todas as alterações no programa seguem estritamente à risca as determinações do código de defesa do consumidor; as alterações nos limites do plano e preço estão sendo comunicadas com mais de 30 dias de antecedência, como prevê o código”.

RecargaPay promete não cobrar “multa” ao cancelar Prime+

Em fevereiro, os termos e condições de uso diziam que assinantes do Prime+ só pagariam a taxa de 2,99% no pagamento com cartão de crédito “quando o volume de contas e/ou boletos dentro de um mês for igual ou maior que a quantia de R$ 5.000”. Agora, o texto foi revisado e alterou o limite para R$ 3 mil.

O contrato tem outra surpresa para quem decidir cancelar: os termos dizem que isso será permitido “em casos excepcionais” e envolverá pagar a taxa de 2,99% sobre os boletos quitados durante a assinatura do Prime+.

“O cancelamento do plano anual será permitido em casos excepcionais e estará vinculado à devolução de todos os descontos concedidos sobre as taxas praticadas pela RecargaPay, que serão calculadas e cobradas por esta quando da solicitação de cancelamento pelo Usuário”, diz o contrato.

Ao Tecnoblog, o RecargaPay diz que essa “multa” não será cobrada: “os consumidores que aderiram ao Prime+ e que não concordam com as mudanças podem solicitar o reembolso do investimento pelos canais de atendimento; os benefícios recebidos durante o período (isenção de taxas, cashback, etc.) serão mantidos”. No entanto, os termos de uso permanecem os mesmos no momento.

A sugestão de Maestá é reclamar no Procon do seu estado seguindo este modelo de mensagem. Também é possível abrir queixa no Banco Central, mas ela pode não ter resposta: o RecargaPay não é uma instituição financeira, apesar de realizar “atividades auxiliares dos serviços financeiros”, como consta em seu registro de CNPJ na Receita Federal.

Em fevereiro, RecargaPay dizia que pagamento de boletos era “ilimitado” no Prime+, mas havia limite de R$ 5 mil (imagem por @VilalvaWillian):

RecargaPay

Algum tempo depois, aplicativo passou a exibir limite de R$ 5 mil:

RecargaPay

Atualizado às 18h57 com posicionamento do RecargaPay

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Gabriel Arruda

Vamos ver se todas essas startups “cool” continuarão assim quando - ao invés de viver de ter milhões de clientes conquistados na base do cashback - precisarem cobrar os clientes para ter lucro dos milhões investidos.

@ksio89

Só uso esse aplicativo melindroso quando tem cupom de desconto em recarga ou pagamento. Aliás, esse RecargaPay sempre foi cheio de pegadinhas, eu só uso cartão virtual com limite definido pra não ter surpresas com cobranças indevidas.

Wagner

Quando estourar essa bolha dos juros negativos nos países desenvolvidos e acabar essa onda de “cash burn” e empresas que não dão lucro vai ser uma quebradeira dessas startups aí que não está no mapa. Inclusive empresas grandes e até multinacionais que crescem com captação de dinheiro no mercado através da emissão de dívida vão pro buraco em pouco tempo!
É a limpeza natural dos grandes ciclos econômicos agindo e expurgando os excessos!

Daniel Ribeiro

Agora ficou mais difícil fazer aquele esquema de rolar a dívida.

Arthur Menezes

Dentre todos os apps de pagamento disponíveis no Brasil, o Recarga Pay sempre foi o mais intragável e detestável de usar. Só o fato de EXIGIR vinculação obrigatória com o Facebook já é um abuso e absurdo total. É óbvio que não uso meu perfil verdadeiro nesse troço. O que eu puder preservar dos meus dados, eu preservo. E o que eu puder dificultar pra esses caras, eu dificulto. Só uso esse app em caso de necessidade extrema. E agora com esse episódio, mais um motivo pra continuar boicotando.

Vítor Gomes

Sem dúvidas. Ele e o PicPay são os piores.

Por padrão, eles já colocam o seu boleto para dividir em 3x pra você pagar taxa. Um desavisado acabaria pagando nem saber.

Agora essa coisa idiota de dizer que tem pagamentos ilimitados, quando na verdade cobravam. É propaganda enganosa com certeza absoluta.

Além disso, em um grupo de Financias que estou vi muitos casos de pessoas comentando sobre a dificuldade em cancelar esse Prime+, que permanecia cobrando mesmo após a solicitação de saída.

@xtudao

Elas já cobram através das promoções e serviços cheias de pegadinhas, o bicho vai pegar o dia que o Procon bater na porta do Recarga Pay e PicPay.

@ksio89

Exato, essa de selecionar o parcelamento em 3x como padrão pra lucrar com juros é manjada, tem que ficar atento mesmo. E esses relatos do RecargaPay continuar cobrando o Prime+ mesmo após o cancelamanto já não é de hoje, é um dos motivos de recomendarem usar apenas cartão virtual no serviço.

Esses apps quando não oferecem cashback ou cupom de desconto não têm utilidade para mim, já que meu cartão de crédito não pontua em milhas, então ao menos para pagamento de contas e boletos, prefiro pagar no internet banking do meu banco mesmo.

imhotep

Recarga pay eu uso pra recarga somente, qd tem promoção de cashback.
Eu vi essa bobeira de vincular com conta de Facebook. É só pra ter conta verificada?
Como eu não tenho Facebook, nem teria como cadastrar.

Nunca usei nem pretendo usar esses apps pra postergar pagamento de boleto. Acho isso uma tremenda roubada e denota mais descontrole financeiro da pessoa.

Jhonny

Como assim? Primeira vez que vejo alguém reclamando do PicPay? Nunca tive problemas. O que aconteceu?

Gabriel Arruda

Sim, péssima forma de alocar recursos: tem-se uma crise, gera uma quebradeira indiscriminada que leva inclusive coisas com potencial. Passam-se alguns anos e os valores vão aumentando novamente até beirar o ridículo (alguém me explica essa Loft ser um unicórnio?) e depois que estoura minguam os investimentos novamente.

Jhonny

A minha pergunta é sobre o PicPay mesmo. O Vitor Gomes mencionou que RecargaPay e PicPay são os piores.