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Falta de peças já afeta 70% da indústria de eletrônicos no Brasil

O motivo é um só: o combate ao coronavírus tem atrapalho o envio de componentes chineses ao Brasil

Emerson Alecrim Por

A disseminação do novo coronavírus (Covid-19) continua tendo impacto sobre a indústria brasileira de eletroeletrônicos. De acordo com um levantamento recente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), 70% das empresas do setor já lidam com problemas de abastecimento de componentes e insumos vindos da China.

motorola one macro costas

As companhias que produzem celulares, computadores e outros equipamentos do segmento de TI são as mais afetadas. Só para dar um exemplo, em fevereiro, empresas como Flextronics (fabrica dispositivos para a Motorola) e LG anunciaram paralisação de suas linhas de produção no Brasil por alguns dias.

O problema é consequência dos esforços para frear o avanço do coronavírus na China. O país vem registrando paralisação total ou parcial de fábricas, transporte público, escritórios e outros serviços. O efeito disso é o atraso ou mesmo o não envio de componentes para indústrias no Brasil e em outros países.

De modo geral, a situação não é dramática, mas requer atenção. A Abinee aponta que 6% das fábricas brasileiras pesquisadas já têm paralisação parcial de produção. O número parece inexpressivo, mas outras 14% apontam que devem programar paralisações parciais nos próximos dias.

Por conta dessa situação, 21% das empresas reconhecem que não vão atingir a meta de produção esperada para o primeiro trimestre de 2020. Em média, a produção deverá ficar 31% abaixo do projetado.

Fábrica da Foxconn em Jundiaí (Créditos: Fabiano Accorsi/VEJA)

54% das empresas entrevistadas já estimam que, se o problema do abastecimento se prolongar por mais um mês e meio, haverá risco de atraso na entrega de produtos finais. Essa situação pode ter diversas consequências, como deixar os celulares mais caros no Brasil.

Para Humberto Barbato, presidente da Abinee, esse cenário alerta para o problema da dependência da indústria brasileira de componentes provenientes de um único mercado, a China. Para o executivo, o Brasil precisa de reformas para reduzir os custos da produção local de componentes.

“O País tem uma oportunidade ímpar de fazer as reformas estruturais, como a tributária, que tornarão a produção nacional competitiva internacionalmente. Do contrário, vamos continuar vulneráveis”, finalizou Barbato.

Tecnocast 136 — Os impactos do coronavírus na tecnologia

Parecia que o coronavírus seria algo passageiro. Mas ele vem se espalhando de forma impressionante e já atrapalha os planos de empresas do mundo todo — incluindo as de tecnologia.

Neste programa, falamos sobre os impactos causados até agora pelo surto e sobre possíveis consequências, caso a situação não seja controlada nas próximas semanas. Dá o play e vem com a gente!

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@ksio89

Realidade de um país atrasado, de moeda fraca, onde a burocracia, carga tributária e insegurança jurídica desestimulam grandes investimentos, e que só exporta praticamente produto primário de baixíssimo valor agregado.

Como é triste gostar de tecnologia e morar no Brasil…

Tiago Jeronimo (@TiagoJL)

Então o mundo todo é atrasado, porque o mundo todo produz na China…

O Brasil tem seus inúmeros problemas, mas nesse caso você tá com síndrome de vira-lata.

seinper capi (@seinper_capi)

Quando a grande maioria dos eletrônicos são produzidos na China, o epicentro do vírus, fica difícil de culpar o nosso país pela falta das peças. Isso vai acontecer no mundo todo.

@ksio89

Mas aqui a situação é muito pior, devido à moeda fraca e a falta de fábricas de semicondutores. E mesmo os EUA ainda fabricam muitos componentes de alta tecnologia, a Intel por exemplo tem várias fábricas lá, que produzem chips e não somente montam como o Brasil:

@GuilhermeE

@ksio89, a ásia é a grande produtora mundial de tecnologia e nenhum lugar do mundo chega perto. O motivo são moeda fraca em comparação com o dólar, mão-de-obra barata e especializada, regras trabalhistas e ambientais frouxas, incentivos fiscais, etc.
O grande problema do Brasil é a falta de mão-de-obra especializada. Temos sérios problemas com educação e isso é impeditivo do crescimento no longo prazo:

@ksio89

Ah se o problema fosse falta de mão de obra qualificada. O problema é o custo Brasil mesmo, leia-se burocracia, carga tributária, legislação trabalhista arcaica, infraestrutura precária, custo elevado de energia, insegurança jurídica etc. Não é à toa que muitos empresários fecharam suas empresas no Brasil e abriram no Paraguai, onde o ambiente para o empreendedor é muito mais favorável:

@GuilhermeE

@ksio89, é o que falei em outro comentário seu em outra pergunta. Você então concorda comigo, mas não consegue perceber que a solução é complexa e de longo prazo.