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Europa quer estender direito ao reparo a celulares e notebooks

Celulares, tablets e notebooks deverão ter peças de reposição garantidas se regras forem aprovadas

Emerson Alecrim Por

Vira e mexe relatamos aqui no Tecnoblog desmontes feitos pelo iFixit que mostram que determinados smartphones têm reparo complicado. De certa forma, a União Europeia pretende acabar com isso: a entidade quer que fabricantes de celulares, tablets e notebook sigam o direito ao reparo, regra que condiciona o fornecimento de peças de reposição por um período amplo.

Samsung Galaxy A70

A ideia não é nova. No ano passado, a Comissão Europeia aprovou o direito ao reparo para equipamentos como refrigeradores, máquinas de lavar roupa, lava-louças, televisores e fontes de alimentação comercializados na União Europeia.

De modo resumido, as regras determinam que, a partir de abril de 2021, fabricantes forneçam peças de reposição por pelo menos 10 anos e que componentes possam ser substituídos sem causar danos ao produto. Com isso, os equipamentos devem durar mais, contribuindo para políticas de sustentabilidade.

Agora, o plano da Comissão Europeia é aplicar regras semelhantes para celulares, tablets, notebooks e afins. A ideia é permitir não só que esses equipamentos durem mais, como também possam ser reutilizáveis, atualizáveis e construídos com materiais reciclados, tanto quanto possível.

A dificuldade técnica de reparo que frequentemente é abordada pelo iFixit não é um dos aspectos ponderados pela União Europeia, no entanto, as novas regras, se aprovadas, exigirão que os dispositivos sejam projetados de maneira mais sustentável, detalhe que pode resultar em designs internos mais favoráveis a consertos.

Galaxy Note 8 - desmonte

Foto: iFixit

Não que definir as regras seja tarefa fácil. É preciso analisar, por exemplo, se os clientes terão a liberdade de escolher estabelecimentos para reparo ou se o procedimento só poderá ser feito em redes de assistência técnica autorizadas.

As regras ainda estão em fase inicial de discussão e precisam ser aprovadas pelos países que formam a União Europeia para entrar em vigor. Mas tudo indica que é questão de tempo para isso acontecer, afinal, a Comissão Europeia também trabalha para aprovar regras para facilitar a troca de baterias de celulares e fones sem fio, por exemplo.

Essa movimentação faz parte dos esforços crescentes da União Europeia para combater a obsolescência programada e reduzir o lixo eletrônico, logo, medidas que complementam ou ampliam ainda mais o direito ao reparo podem surgir nos próximos meses.

Com informações: TechCrunch.

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Vagner Da Silva (@Vagner_Da_Silva)

Demorou um pouquinho, agora a Apple colocou até chips pra vigiar a troca de peças.

ochateador (@ochateador)

De uma coisa tenho certeza.
A depender de como implantarem esse “direito do reparo” os equipamentos terão um belo aumento de preço (na casa dos 20%).

Eu (@Keaton)

A idéia é boa, porém… dez anos? Quem usa o mesmo celular por 10 anos? Televisão, geladeira, monitor, até vai… mas celular?

Paulo (@GOP_Florida)

Rapaz, eu uso Iphone 5C até hoje (desde o lançamento, mudei apenas a bateria e o conector) … e só troco quando não ter mais Whatspp no meu 10.3.3 IOS

Fábio Laurindo (@Fabio_Laurindo)

União Europeia trabalhando para o povo pagar mais caro amanhã pelos novos celulares, afinal manter linhas de produção de componentes mais antigos requer custo logo este que repassam para o consumidor final.

Eu (@Keaton)

5C já tem 7 anos… tem um hardware bem defasado, mas se ainda serve tá ótimo, uai.

Eu costumo usar meus telefones por no máximo 4-5 anos… (Tive de trocar meu Motorola E 2015 porque a bateria estragou e a assistencia técnica da motorola aqui de Curitiba é uma merda.)

Douglas Furtado Gonçalves (@DouglasFurtado)

Acho interessante poder dar maior longevidade de reparos. Quem troca muito de celular é a galera que trabalha com mídia e geek que quer ter o smartphone do ano. O restante só troca quando fica inutilizável mesmo.
Ao pensar nisso precisamos sair da bolha.