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Venda de celulares no mercado cinza aumenta 344% no Brasil em 2019

Venda de smartphones no Brasil aumentou 2,2% no mercado oficial; celulares do mercado cinza representam quase 8% do total

Felipe Ventura Por

A venda de smartphones no Brasil aumentou 2,2% em 2019, segundo relatório da consultoria IDC; enquanto isso, o mercado cinza disparou 344%, incluindo aparelhos importados que não têm homologação da Anatel — eles representam quase 8% do total de unidades vendidas no país. Entidades governamentais e a Polícia Federal vêm tentando coibir atividades ilegais no setor.

Xiaomi Mi 9 SE

Foram vendidos 45,5 milhões de smartphones e 3,1 milhões de feature phones no mercado oficial, de acordo com a IDC Brasil. Por sua vez, o mercado cinza registrou 3,8 milhões de smartphones e 677,8 mil feature phones em 2019.

No mercado oficial, os smartphones intermediários de entrada (entre R$ 700 e R$ 1.099) foram os mais vendidos do ano, chegando a 22,1 milhões de unidades. Enquanto isso, os smartphones super premium (acima de R$ 3 mil) registraram 3 milhões de unidades.

A IDC prevê que o mercado oficial de smartphones tenha alta de 2% em 2020, mas o número pode mudar devido à oscilação do dólar e à pandemia do coronavírus. Ela também acredita que o mercado cinza sofrerá queda de 39%, “resultado das ações feitas ao longo do ano”.

Fabricantes oficiais reagem ao mercado cinza

“Os smartphones foram o grande alvo do mercado ilegal no ano passado”, afirma Renato Meireles, analista de mercado da IDC, em comunicado. Ele menciona varejistas que vendem produtos “por preços bem abaixo do mercado, em alguns casos com mais de 50% de diferença em relação ao preço das lojas oficiais”.

O crescimento do mercado cinza “levou fabricantes que atuam no mercado oficial, varejistas ‘legais’, entidades governamentais e até mesmo a Polícia Federal a focar em um trabalho conjunto para banir a venda ilegal”, lembra Meireles.

Em dezembro do ano passado, 30 mil produtos da Xiaomi foram apreendidos em São Paulo por sonegação de imposto. Pouco tempo depois, duas lojas não-oficiais — Mi Store Brasil e Xiaomi BRZ — deixaram de entregar os celulares dos clientes.

Além disso, fabricantes concorrentes da Xiaomi no Brasil entregaram um dossiê sobre revendedores ilegais à Secretaria Estadual da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP).

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Lugi lanzii (@Lugi_lanzii)

Grande parte por culpa do sistema tributario complexo e exorbitante.

@ksio89

O crescimento do mercado cinza “levou fabricantes que atuam no mercado oficial, varejistas ‘legais’, entidades governamentais e até mesmo a Polícia Federal a focar em um trabalho conjunto para banir a venda ilegal”, lembra Meireles.

Sabia que tinha lobby das fabricantes e varejistas tentando dificultar importação independente, não é à toa que Anatel, Receita Federal, Polícia Federal e Correios se esforçam tanto pra manter o protecionismo do nosso mercado. Aí quando o Estado não arrecada, enquadra como “crime”, mas quando ele confisca e revende mercadorias, não é mais crime, tá de boa.

Que nada, o consumidor brasileiro tem que ser obrigado a pagar mais caro em produtos inferiores para sustentar a “indústria nacional” e os “empregos”, entre outras falácias.

Victor Serrão (@Victorgpserrao)

Pagamos impostos demais e temos dificuldades logísticas demais. Proporcionalmente ao salário mínimo, nossos celulares são caríssimos, e isso ajuda a fomentar o mercado cinza.

Eu (@Keaton)

Não que eu seja a favor da sonegação, mas quando uma loja não oficial é capaz de vender pela metade do preço, de duas uma: ou o sistema tá enfiando muito imposto, ou a loja está lucrando alto demais… e ambos são injustos para as pessoas.

Lucas Bonfim (@Lukas_Bonfim)

O alto preço das coisas, estou falando no geral, é visivelmente gritante aqui no Brasil. É claro que o percentual de imposto é totalmente descabido, e posso falar isso com conhecimento de causa - as cargas tributárias em alguns casos é simplesmente irreal. Porém, vale ressaltar que em muitos casos, na minha opinião, existe um abuso das marcas nos valores cobrados.

Porém vale ressaltar que, muito mais aqui em terras tupiniquins, essa super valorização acontece porque estamos - e falo isso no geral, pois estamos todos inclusos - dispostos a pagar pelo preço que é cobrado e na grande maioria esmagadora das vezes, para simplesmente falar, mostrar que temos algo caro.

É complicado generalizar, eu sei, mas vivemos em uma sociedade. E isso funciona como em um equipe no trabalho, quando um erra, todos erram.
Em contra partida, eu defendo o preço justo, ainda que elevado. E nesse ponto fica a critério de quem quiser compra, quem estiver disposto a adquirir tal produto por X valor, porém, não cobrar o dobro, as vezes até mais, do que realmente vale simplesmente porque é de conhecimento que pessoas ainda vão comprar.

Maior exemplo disso, na minha opinião é o mercado automotivo por aqui, onde pagamos valores absurdos por carros de entrada, isso sem contar outros modelos considerados tops de linha, somente aqui no Brasil, quando são carros de entrada em vários outros lugares do globo. Se for entrar na parte de “luxo” ou até mesmo de “esportivo” a coisa fica simplesmente insustentável, como é do conhecimento de todos, ainda que possa não gostar.

No Brasil existe uma desproporção muito grande com o que ganhamos com os nossos esforços para poder comprar o que tanto queremos. A conta não bate, a conta não fecha, e por isso nos vemos obrigados a ficar parcelando produtos e várias vezes.

Lucas Bonfim (@Lukas_Bonfim)

Precisar comprar é uma coisa bem relativa. Você pode comprar o mais barato ao invés de comprar o mais caro, se vc precisa tanto assim como deixou a entender. E está valendo a pena mesmo importar com o dólar a R$ 5,00?
Agora falar que as pessoas precisam, de fato, de um carro na garagem, é ser muito, como eu posso dizer? Uma loucura.
Eu vendi meu carro a mais de um ano e meio atrás por motivos bem básicos, grana. Mas não porque eu não dava conta de pagar, mas porque para mim, o valor gasto com manutenção, impostos, gasolina não estavam valendo mais a pena e isso já estava acontecendo a um tempo.
O que eu perdi com isso? Principalmente mobilidade, ainda que eu usasse o carro somente de final de semana, eu rodava bastante nesses dois, três dias, mas ainda assim está se provando uma economia e tanto e acredito que essa seja uma tendência, ainda que demorada.
Eu ando nas ruas aqui de onde eu moro e em 80% das casas as pessoas tem pelo menos dois carros.
Se fala muito em crise, mas como as pessoas consegue manter dois carros na garagem? E eu não estou falando de carro básico não, porque até mesmo um carro bássico é caríssimo. As pessoas sem endividam pelo fato de querer ter, na grande maioria das vezes, não por de fato precisar…como eu disse anteriormente, s precisa tanto, não precisa do top, não precisa do mais novo, não precisa do mais forte, vc preisa de aglo que te atenda, e um carro mais barato vai te levar para onde vc precisa da mesma forma que o top dos tops.

O que a gente realmente precisa é reavaliar o que realmente “precisamos”