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Motorola Moto G8: mais câmeras, menos pixels

Moto G8 tem mais câmeras na traseira e bateria maior, mas tela de 6,4 polegadas é apenas HD+

Uma das linhas de smartphones mais conhecidas no Brasil chegou de vez à oitava geração. O Motorola Moto G8 “normal” foi anunciado em março de 2020 ao lado do seu irmão Moto G8 Power. Com preço sugerido de R$ 1.299 no lançamento, o modelo não tem o forte apelo do custo-benefício que marcou as primeiras gerações da linha, mas traz um conjunto equilibrado de recursos.

Será? A ficha técnica inclui tela IPS de 6,4 polegadas, processador Snapdragon 665, 4 GB de RAM, 64 GB de armazenamento, câmera tripla na traseira e bateria de 4.000 mAh. Você confere as minhas impressões sobre esse conjunto nos próximos parágrafos.

Análise do Moto G8 em vídeo

Design

O Moto G8 é a prova de que dá para fazer um bom acabamento apenas com plástico. A traseira do modelo tem uma tampa (não removível) que se encaixa muito bem nas mãos e evita escorregamentos por conta da sua ótima aderência. E não é por causa das ranhuras visíveis quando o aparelho é observado de perto. Esse é apenas um efeito visual. A superfície em si é lisa.

É verdade que a traseira não é das mais resistentes. Em compensação, a embalagem do Moto G8 vem com uma capinha de silicone — é interessante como a disponibilização desse item pelos fabricantes vem se tornando comum.

A traseira traz ainda, em boa altura, o leitor de impressões digitais. O componente é rápido e quase sempre acerta a leitura na primeira tentativa. Em complemento, dá para usá-lo para abrir a área de notificações arrastando o dedo de cima para baixo no sensor. Porém, é preciso ir em Configurações / Sistema / Gestos para ativar essa funcionalidade.

As demais características não fogem do habitual: o modelo tem botões físicos na lateral direita, gaveta para chips à esquerda (nano-SIM + nano-SIM ou nano-SIM + microSD), conexão para fones de ouvido na parte superior e, por fim, porta USB-C e saída de áudio na inferior.

Tela

O Moto G8 traz uma generosa tela IPS LCD de 6,4 polegadas, só que a resolução é HD+ (1560×720 pixels). Não que o painel seja ruim. O problema é que, na comparação com a geração anterior, houve um retrocesso: a tela do Moto G7 tem resolução de 2270×1080 pixels.

Mesmo no máximo, o brilho da tela do Moto G8 não é dos mais intensos, então você pode ter um pouco de dificuldade para enxergar o conteúdo do visor se estiver ao ar livre. Além disso, o ajuste automático do brilho é um tanto demorado.

Apesar dessas desvantagens, a experiência de uso do display é boa se considerarmos a categoria do aparelho. A vivacidade das cores e a visualização decente sob ângulos variados conseguem compensar os pontos fracos.

Um detalhe que não poderia passar em branco: o notch do Moto G8 é um círculo no canto esquerdo superior. Não estranhei essa posição, exceto pelo fato de que, em serviços como Netflix e YouTube, o “buraco” pode impedir que a tela seja bem preenchida com o vídeo.

Software

Software defasado? Nada disso. O Android 10 está presente aqui e vem devidamente acompanhado dos recursos que viraram marca registrada da Motorola: os gestos do Moto Ações (como o de balançar o celular duas vezes para ativar a lanterna), o Moto Tela (permite que você veja notificações sem desbloquear o aparelho, por exemplo) e a interface quase sem firulas.

Para não dizer que não há novidades, o smartphone vem com o Moto Gametime, função que permite desativar notificações, recusar chamadas automaticamente e acessar um painel com atalhos enquanto você estiver jogando.

De modo geral, o software do Moto G8 agrada, mas admito que eu esperava um destaque maior para o modo escuro. O sistema operacional mostra, na área de notificações, a opção Modo Noturno, mas ela apenas deixa a tela com uma visual alaranjado. Se você quiser que o modo escuro fique acessível mais facilmente, é necessário editar as opções dessa área para incluir nela a opção Tema Escuro.

Câmeras

Olhando pela primeira vez, parece que o Moto G8 tem quatro câmeras na traseira. Na verdade, são três: a primeira, de cima para baixo, traz lente grande angular (8 megapixels), a segunda é a principal (16 megapixels) e a terceira (2 megapixels) tem função macro. A que seria a quarta corresponde ao foco a laser, recurso que facilita a tomada de fotos à noite, por exemplo.

Não há nada de notável nas fotos feitas com esse conjunto, mas ruins elas não são. Comecemos pela principal: as imagens registradas com ela têm coloração equilibrada (não há branco em excesso ou sombras mais escuras do que deveriam, por exemplo), definição decente e pouco ruído. Em ambientes com luz reduzida, a definição cai consideravelmente, mas é aceitável.

A câmera grande angular, com seu campo de visão de 118 graus, conseguiu me agradar mais. O nível de detalhamento é um pouco menor com ela, em compensação, as imagens ficam mais saturadas, detalhe que confre vivacidade às fotos. Se a imagem ficar com saturação demais para o seu gosto, desative o modo HDR e fica tudo certo.

Câmera principal

Grande angular

Câmera principal

Grande angular

Grande angular, com HDR

Grande angular, sem HDR

Câmera principal

Grande angular

Câmera principal

Eu tinha boas expectativas com relação à câmera para macro, mas fiquei decepcionado. Com ela, você pode tirar fotos com distância de apenas 2 cm do objeto. Funciona. A focagem e o disparo são rápidos. O problema é que, por conta dos míseros 2 megapixels do sensor, a definição acaba sendo ruim, tirando toda a graça de se ter uma câmera como essa.

Macro

Macro

Ali na frente, o Moto G8 traz uma câmera de 8 megapixels. Gostei dela. Se as condições de iluminação estiverem favoráveis, as selfies terão bom nível de detalhamento e coloração realista, inclusive no plano de fundo.

De todo o conjunto de câmeras, só mesmo a de macro decepciona, o que é uma pena, pois ela tinha tudo para ser um diferencial do Moto G8.

Hardware e bateria

O Moto G8 traz o mesmo hardware básico do Moto G8 Plus, modelo que não teve desempenho satisfatório nos testes do Tecnoblog: processador Snapdragon 665 com GPU Adreno 610 e 4 GB de RAM, além de 64 GB para armazenamento.

Pois bem, no Moto G8, o desempenho me pareceu bem melhor, mesmo assim, notei algumas inconsistências. A principal delas é uma certa demora na abertura de aplicativos, na alternância entre eles e na resposta a determinados comandos.

Esses problemas são aleatórios, ou seja, surgem pontualmente e, na sequência, tudo volta à normalidade. Não cheguei a notar travamentos ou fechamentos inesperados, mas é um pouco frustrante o aparelho ficar “pensando” antes de realizar uma ação, mesmo que esse comportamento só se manifeste de vez em quando.

Resultados no 3DMark 2.0.46252 e Geekbench 5.1.0

Alguns jogos rodam bem, a exemplo de Breakneck. Outros, como Asphalt 9, rodam com alguma queda na taxa de frames mesmo se as configurações gráficas estiverem em médio ou automático.

De modo geral, esses problemas não afetam seriamente a experiência de uso do Moto G8, mas deixam a impressão de que faltou otimização aqui. O alívio está no fato de, como já dito, os mencionados problemas não se manifestarem com frequência.

Da bateria, com seus 4.000 mAh (contra 3.000 mAh do Moto G7), nenhuma reclamação. Fiz testes ao longo de um dia rodando Netflix com brilho máximo na tela (1h30min), Spotify via alto-falante (1h30min), Asphalt 9 e Breakneck (cerca de 15 minutos cada), Chrome e redes sociais (1h30min) e finalizei com uma chamada (15 minutos).

À noite, por volta das 22:00, a bateria ainda tinha 50% de carga. Bom, né? Já o tempo de recarga de 15% para 100% com o carregador de 10 W que acompanha o celular foi de 2h10min.

Quanto ao alto-falante, que eu sempre analiso durante o teste de bateria, o áudio é claro e o volume máximo é bom, mas pode ficar agudo demais no nível mais alto. Para variar, a experiência é muito melhor com fones de ouvido.

O Moto G8 vale a pena?

Com tantos smartphones lançados pela Motorola nos últimos meses (a exemplo dos modelos One), o Moto G8 perdeu parte do protagonismo que seus antecessores ostentavam. Apesar disso, ele continua fiel à proposta de ser um bom intermediário. Bom, não ótimo.

O acabamento é bem feito, o conjunto de câmeras não faz feio (exceção para a câmera de macro, relembrando), a autonomia da bateria não decepciona e o software é equilibrado: o Android é pouco modificado e, ao mesmo tempo, as tradicionais funções Moto são um bom complemento.

No fim das contas, o Moto G8 só não fica no nível ótimo porque a tela merecia ser full HD (como no Moto G7) e o desempenho tem lá seus momentos de instabilidade, apesar de ser satisfatório na maior parte do tempo.

Esses fatores fazem o Moto G8 valer a pena somente para quem conseguir comprá-lo com um bom desconto. Considerando o cenário econômico atual, R$ 1.299 não é um preço exatamente ruim, no entanto, os pontos fracos do modelo fazem dele uma opção menos interessante para essa faixa de preço.

Eu pagaria, no máximo, R$ 1.000 pelo Moto G8. Acima disso, é o caso de olhar para outras opções, mesmo que de geração anterior ou dentro do portfólio da própria Motorola.

Especificações técnicas

  • Tela: IPS LCD de 6,4 polegadas com resolução HD+ (1560×720 pixels), proporção 19:9 e notch circular
  • Processador: Qualcomm Snapdragon 665 octa-core de até 1,8 GHz
  • GPU: Adreno 610
  • RAM: 4 GB
  • Armazenamento: 64 GB expansíveis com microSD de até 512 GB
  • Bateria: 4.000 mAh com carregamento de 10 W
  • Câmera frontal: 8 megapixels (f/2,0)
  • Câmeras traseiras:
    • Principal: 16 megapixels (f/1,7)
    • Ultrawide: 8 megapixels (f/2,2), campo de visão de 118 graus
    • Macro: 2 megapixels (f/2,2)
  • Dimensões: 161,27 x 75,8 x 8,95 mm
  • Peso: 188 g
  • Conectividade: USB-C, fones de ouvido, Bluetooth 5.0, Wi-Fi 802.11n, GPS, Glonass, Galileo, rádio FM
  • Sensores: leitor de impressão digital, proximidade, acelerômetro, luz ambiente, giroscópio
  • Cores: branco prisma e azul capri

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