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Anvisa aprova testes de coronavírus com resultado em 15 minutos

Anvisa autoriza uso de oito testes rápidos para detectar coronavírus (Covid-19); maioria deles é fabricada no Brasil

Felipe Ventura Por

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou oito testes de coronavírus, e alguns deles podem oferecer resultado rápido de 10 a 15 minutos: eles ajudarão na triagem dos pacientes e no diagnóstico da doença Covid-19 no Brasil, onde há 540 casos confirmados de infecção.

Coronavírus

Um dos testes autorizados pela Anvisa é o “Coronavírus IgG/IgM (COVID-19)”, da Ebram Produtos Laboratoriais. A analista de marketing Naira Fernandes explica ao Tecnoblog que o resultado sai em 10 minutos, com tempo máximo de leitura de 20 minutos: a coleta de sangue pode ser feita através de furo no dedo ou por punção venosa (ou seja, agulha e seringa).

Isso é eficaz para pacientes que foram infectados há pelo menos três dias, tempo o suficiente para que o corpo produza anticorpos. A Ebram ainda não informa preços, mas afirma que seu produto é cerca de 70% mais econômico a menos que o PCR, teste padrão feito pelo SUS e distribuído pela Fundação Oswaldo Cruz. A empresa afirma que iniciará a produção agora, e deve entregar os testes até a segunda quinzena de abril.

A Celer Biotecnologia, de Minas Gerais, também teve seu teste rápido “One Step COVID-2019” aprovado pela Anvisa. O mecanismo é semelhante: ele usa a mesma técnica, chamada imunocromatografia, para detectar anticorpos IgM/IgG. A coleta é feita por punção venosa (sangue total, soro ou plasma), e o resultado sai em 15 minutos.

Dois testes não exigem sangue para detectar coronavírus

Três dos oito testes aprovados pela Anvisa são da Eco Diagnóstica, também de Minas Gerais. O diretor executivo Vinícius Pereira explicou os detalhes de cada um deles em entrevista ao Tecnoblog.

Um desses testes se chama “COVID-19 IgG/IgM ECO”: ele requer uma pequena amostra de sangue, e informa o resultado em até 15 minutos. A técnica é a imunocromatografia, que detecta anticorpos gerados pelo corpo em reação ao coronavírus. Vinícius lembra, no entanto, que este exame rápido só é eficaz caso a pessoa tenha sido infectada há pelo menos sete dias.

Há outro teste, chamado “ECO F COVID-19 Ag”, que adota uma técnica diferente: ele usa a fluorescência para detectar o vírus em um prazo de 15 a 30 minutos. E, neste caso, o resultado será confiável caso a pessoa tenha sido infectada há três dias (não uma semana).

Este teste não requer uma amostra de sangue: em vez disso, a coleta é realizada através de swab, instrumento semelhante a um cotonete, nas vias respiratórias do paciente. O mesmo vale para o teste “COVID-19 Ag ECO”, que detecta o vírus em até 15 minutos.

Vinícius estima que o preço de mercado para os testes do coronavírus vai girar entre R$ 120 e R$ 180. Ele afirma que o primeiro lote de 30 mil unidades de testes já foi vendido e será entregue em breve. A Eco Diagnóstica prevê vender mais 50 mil unidades nos próximos quinze dias, e até 500 mil até junho. A fabricação é feita em Corinto (MG).

Estes são os oito testes rápidos aprovados pela Anvisa:

  • Celer Biotecnologia: One Step COVID-2019 Test
  • Biocon Diagnósticos: Coronavirus Rapid Test
  • Ebram Produtos Laboratoriais: Coronavírus IgG/IgM (COVID-19)
  • Eco Diagnóstica: ECO F COVID-19 Ag, COVID-19 IgG/IgM ECO Teste, COVID-19 Ag ECO Teste
  • MedLevensohn: MedTeste Coronavírus (COVID-19) IgG/IgM
  • QR Consulting: Teste Rápido em Cassete 2019-nCoV IgG/IgM

Atualizado em 20/03

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Uriel Dos Santos Souza

Se o testes forem suficientes, da pra fazer como na Coréia do Sul. Que não parou nem entrou em quarentena. Tudo a base de exames massivos

Douglas Knevitz

Acontece que a população deles é inferir a 53 milhões de habitantes, o que torna tudo mais fácil, fora questões culturais, territoriais …

Douglas Knevitz

Testar um Brasil inteiro não é viável. É preciso entender que cada país vai reagir de acordo com sua estrutura, cultura e leis.

A China isolou uma cidade de 11 milhões de habitantes, o que pra eles é uma cidade pequena. O país tem 1.4BI em habitantes. E mesmo assim não foi possível impedir o vírus de sair da China.

Não se sabe quem o trouxe pra Itália, mas sabe-se que levaram muito tempo até se darem conta que oq estavam lidando não era o quadro gripal típico da época. Os sintomas são semelhares, logo dezenas de profissionais da saúde foram contaminados e muitos pacientes voltaram a suas rotinas. Não demorou muito até que o vírus se disseminasse em toda Itália. A qual tem uma população idosa muito alta, logo os hospitais atingiram sua capacidade, não há mais leitos e respiradores para todos.

Já no Brasil o ministério da saúde tem adotado medidas coerentes com nossa estrutura. Porém esbarramos em outros entraves. Burocracia, briga de ego político, questões ideológicas, má vontade do congresso com a agenda econômica, que esbarra na agenda da saúde e a própria população que não colabora nesse momento tão difícil. Muitos estão e vão sofrer pela irresponsabilidade dos que não seguem as recomendações do ministério da saúde.

Felipe

Exatamente isso Douglas!
Acho que o problema da população é até muito mais grave que a burrocracia e os egos políticos.

Eu moro em uma cidade pequena e o que mais vejo por aqui é o pessoal achando que é férias. Pessoas reclamando que os clubes estão fechados, enquanto deveriam “aceitar as crianças já que as escolas fecharam”. Meus vizinhos viajaram para São Paulo no domingo e na terça estavam na praia (4 adultos, 4 crianças e 1 idoso). Lanchonetes, barzinhos (e principalmente os botecos) todos cheios de pessoas batendo papo à toa. Na quarta ouvi de uma enfermeira que tudo isso é alarde, que não é tão sério e nem precisava de “tudo isso”.

Aqui eu vejo que em média uns 15 - 20% da população apenas tem consciência do quão grave é o quadro, infelizmente.

Uriel Dos Santos Souza

Com testes suficientes a população pode ser o dobro.

Na Coréia quando o governo pediu pra ficarem em casa quem podia, eles ficaram.
Ai correram atrás das pessoas fazendo exames massivos. Das que não podiam ficar em casa.
Usaram GPS e câmeras para saber onde cada pessoa ia.

Quando alguém dava positivo, todos num raio de 100 metros de onde a pessoa passou eram obrigados(são ainda) a fazer exames, recebiam um sms com o pedido. Se não fossem tomariam multa ou seriam presos.

O nome disso é estratégia, não é o tamanho da população que importa, mas como o governo age.
Neste caso invadindo privacidade

Douglas Knevitz

Volto a dizer, cada país age conforme sua cultura, leis, infraestrutura e verba. A Coreia do Sul é um enorme polo tecnológico e se orgulham disso. E sabem e podem usar essa tecnologia porque eles as tem e já são de seu cotidiano.

Uriel:

Na Coréia quando o governo pediu pra ficarem em casa quem podia, eles ficaram

Pois aqui grande parte acha que é férias, ignoram as regras de etiqueta respiratória e de distanciamento social. Não são todos, mas esses aí já bastam pra se contaminar e disseminar entre a própria família, e como n ficam em casa, acabam interagindo com outras pessoas.

Uriel:

Quando alguém dava positivo, todos num raio de 100 metros de onde a pessoa passou eram obrigados(são ainda) a fazer exames, recebiam um sms com o pedido. Se não fossem tomariam multa ou seriam presos.

No começo adotou-se essa prática de checagem extensiva, mas agora já há transmissão comunitária e se espalhou pra outras cidades. Daí a gente esbarra na burocracia, falta de verba e estrutura.

A recomendação é ficar em casa. Tem sintomas gripais, tratar em casa. Tem febre alta, tosse persistente (acessos de tosse constantes) e dificuldade respiratória acentuada aí sim procurar ajuda médica, se for do grupo de risco vai fazer o teste provavelmente. Se der positivo subentende-se que os demais tbm estão infectados, então quarentena.

No primeiro caso vindo da Itália já era pra termos fechado o aeroporto internacional e as fronteiras para todos os países. Medida extrema, mas teria evitado pessoas regressarem com o patógeno ou saírem do país e voltarem trazendo. Teríamos uma situação bem diferente.

Fábio Laurindo

A parte de humanas fez o povo esquecer de cálculos.

Eric Viana

Somos um povo criativo.
Temos profissionais e cientistas fenomenais, reconhecidos mundialmente.
Falta apoio.
Falta reconhecimento.

@GuilhermeE

Nada adianta se quem governa não sabe da realidade e se baseia em grupos de WhatsApp pra governar o país.
Nossa curva de contaminação está próxima a da Itália. Será que as medidas serão tomadas por quem falta capacidade intelectual pra entender a gravidade do problema?
Folha de S.Paulo – 18 Mar 20 Vídeo: O que Bolsonaro já disse sobre coronavírus, de certa histeria a...

Em declarações, presidente nega gravidade da pandemia e trata como exageradas medidas de governadores

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@GuilhermeE

Já o governo brasileiro decidiu contrariar a OMS e não seguir o exemplo de outros países:
G1 Governo diz que manterá padrão de testes, apesar de OMS pedir mais exames

Ministério da Saúde determinou que não sejam feitos exames em todos os pacientes com suspeita de coronavírus em lugares onde houver transmissão comunitária.

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