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Produção de celulares no Brasil cai 19% em fevereiro

A produção eletroeletrônica caiu de 7% em início de crise do coronavírus, mas alguns setores foram mais afetados

Victor Hugo Silva Por

A produção da indústria eletroeletrônica brasileira já sente os efeitos da pandemia do novo coronavírus. O setor registrou queda de 7% em fevereiro na comparação com o mesmo período de 2019 e a situação é ainda pior para o segmento de equipamentos de comunicação, que incluiu celulares e caiu 19,3%.

Fábrica da LG em Taubaté (SP) (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)

Fábrica da LG em Taubaté (SP) (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)

Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e compilados pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. O resultado foi influenciado pela queda de 10,6% na produção de eletrônicos e de 3,6% na produção de elétricos.

Além dos equipamentos de comunicação, a indústria eletrônica registrou queda de 10,5% na produção de bens de informática, categoria que inclui computadores. A produção de aparelhos de áudio e vídeo caiu 12,1%, enquanto a de componentes eletrônicos cresceu 23%.

Na área elétrica, a maior queda foi na produção de lâmpadas, que foi 13% menor em relação a fevereiro do ano passado. A produção de geradores, transformadores e motores caiu 8,7%. A categoria de pilhas e baterias teve retração de 7,6%.

“Esse desempenho negativo na produção de produtos eletrônicos já era esperado devido ao impacto do novo coronavírus”, afirma o presidente da Abinee, Humberto Barbato. As fabricantes de celulares e de computadores, segundo ele, foram as primeiras afetadas devido à falta de materiais vindos da China.

Em março, um levantamento da Abinee indicou que 70% da indústria de eletrônicos foi prejudicada por problemas no recebimento de peças. A situação levou várias empresas a interromperem ou reduzirem o nível de suas operações.

Os funcionários da fábrica da Samsung em Campinas (SP) cumprem férias coletivas até 12 de abril. Em fevereiro, a produção na unidade já havia sido interrompida e, em março, a empresa também paralisou sua fábrica na Zona Franca de Manaus, que não deverá voltar a operar antes de 12 de abril.

A Flextronics, responsável pela produção da Motorola, também paralisou as atividades em alguns dias de fevereiro. A LG, que havia dado férias coletivas por 10 dias em fevereiro, repetiu a medida e liberou 70% de sua força de trabalho agora em abril. A Multilaser trabalha com 50% dos funcionários em suas fábricas de Manaus e Extrema.

Os dados do IBGE apontam que, em janeiro e fevereiro, o setor eletroeletrônico acumula queda de 1,3%. Nos dois primeiros meses de 2020, a área eletrônica caiu 3%, enquanto a elétrica caiu 0,5%.

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