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Além do trabalho: como as videochamadas uniram pessoas na pandemia

Medidas de isolamento social para combater a COVID-19 impulsionaram videoconferências nos últimos meses

Bruno Gall De Blasi Por

As chamadas de áudio e vídeo se tornaram um dos principais meios para se comunicar nos últimos meses. Seja em grupo ou em conversas individuais, esses serviços ganharam tamanha importância pelo mundo desde o início das medidas de isolamento social ou quarentena para combater a COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Esta é uma tendência comprovada em números e decisões estratégicas. Segundo a Google, o uso do Google Meet chegou a ter crescimento diário que ultrapassou a cifra de 60%, em março. A demanda é tanta que o Facebook dobrou a capacidade de servidores do WhatsApp para evitar sobrecargas.

Mas não é só trabalho

Além das reuniões em esquemas de trabalho remoto, parte desse crescimento está ligado a conversas de amigos e familiares. Afinal, há até quem utilize estes canais para comemorações, como é o caso da estilista Raquel de Lucena, de 21 anos, que organizou um “aniversário virtual” para uma amiga devido às medidas de isolamento para combater a pandemia.

Já que não podiam ir ao bar previamente marcado, ela e os amigos decidiram comemorar na internet. A celebração aconteceu no Google Hangouts, com direito a bebidas alcoólicas e partidas de Gartic. O evento, que começou às 23h30, só terminou às 2h, quando todos apertaram um botão vermelho e encerraram a ligação, em vez de pedir um táxi ou Uber.

“Foi bem diferente, mas foi legal, porque a gente não deixou o aniversário dessa minha amiga passar em branco. Ela ficou feliz, se divertiu, e todo mundo ficou em segurança”, conta ao Tecnoblog.

As reuniões virtuais também foram palco para atividades físicas. Além de fazer chamadas de vídeo em grupo para comemorar aniversário e conferências de áudio pelo Discord para jogar com outras pessoas, a estudante Daniela Clímaco, de 22 anos, conta que já marcou com amigas para se exercitarem juntas, sem a necessidade de sair de casa para isso.

“Uma amiga nossa é professora de educação física. Foi ela quem deu a ideia, pois reclamamos que estávamos muito paradas em casa, e foi bem legal”, explica. “É bom, porque você tenta fazer coisas que faria normalmente, mas em casa. Você tenta trazer para a normalidade uma coisa que não está muito comum”.

Chamada de Voz (Foto: Breakingpic/Pexels)

Chamadas de voz e vídeo podem ajudar

As chamadas de voz e vídeo e as videochamadas em grupo não são uma exclusividade dos tempos atuais, muito menos uma grande novidade. Todavia, esses aplicativos e serviços vêm auxiliando muitas pessoas no dia a dia a se comunicarem com amigos e família, sem depender somente de mensagens de texto e áudios de WhatsApp.

Daniela Clímaco conta que estas reuniões ajudam neste período de isolamento social. A estudante, que gosta de sair de casa e está acostumada a conversar com bastante gente em seu cotidiano, encontrou nas chamadas de voz e vídeo uma forma de manter o papo com amigos em dia, sem se expor aos riscos.

“É bom, porque está todo mundo na mesma situação, e você pode desabafar, se tiver necessidade. Ou, então, só ficar conversando coisas do dia”, diz. “Ajuda bastante, mesmo. Se eu ficasse sozinha em casa, eu ia ficar bem tristinha”.

Quais são os limites das videoconferências?

Mas será que as videoconferências suprem todas as necessidades? Para a psicóloga e coordenadora do curso de psicologia da Universidade Veiga de Almeida, Danielle Bello Lamarca, ainda que as chamadas ajudem e tenham causado certa empolgação no começo da quarentena, ela observa em seus pacientes que os efeitos, depois de algumas semanas, já não são mais os mesmos.

Isso se dá justamente pela ausência e a falta do contato, da presença física e do toque humano. A psicóloga explica que a tecnologia é, sem dúvidas, uma grande facilitadora nesse momento para se comunicar e manter a vida em ação, pois, sem ela, tudo seria mais difícil. Ainda assim, seus limites são reconhecidos:

“A tecnologia também tem o seu limite, porque ela conecta pessoas. Ela não contacta pessoas. Então, os seres humanos sentem falta. Nós somos humanos e nós gostamos de contato, de pele, de estar junto”.

Isso, porém, não é sinal de más notícias. “Na verdade, eu acho isso até muito bom, porque, que bom que o virtual não substitui a presença, para a gente não virar, também, somente pessoas virtuais”, explica Lamarca.

“A gente precisa se relacionar. Isso faz parte do humano”.

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