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Anatel propõe mudar regras de numeração de telefones

Agência propõe extinção de números para dispositivos de Internet das Coisas, número fixo para banda larga e padronização para serviços de utilidade pública

Lucas Braga Por

A Anatel aprovou a realização de consulta pública para o novo Regulamento de Numeração dos Serviços de Telecomunicações. O texto estará aberto para debate da população por 45 dias e propõe a atualização e a unificação de regras de numeração telefônica no Brasil.

iPhone / telefone / número de celular (Foto: Paulo Higa)

Antes que você esteja pensando: não, não iremos caminhar para o décimo dígito. Mal terminamos de passar pela transição do nono dígito (até hoje o WhatsApp continua com 8 dígitos fora dos DDDs 1x e 2x!), mas a agência se prepara para um grande salto de dispositivos que deve ocorrer nos próximos anos e quer padronizar números de prestadoras, serviços públicos e utilidade pública.

O conselheiro relator, Emmanoel Campelo, destaca que a alteração na regulamentação trará uma série de benefícios, como a eficiência de uso dos recursos de numeração, condições mais isonômicas, incluindo operadoras pequenas, além de mais transparência e simplificação dos números para o consumidor.

Caso aprovada, a Anatel irá revogar 16 regulamentos, além de atualizar e unificar as regras sobre numeração telefônica.

Extinção de números para Internet das Coisas

Os dispositivos M2M (Internet das Coisas) atualmente existentes no Brasil são identificados através de um número de celular convencional. No entanto, a demanda esperada para o crescimento de IoT torna o formato atual insuficiente.

Isso porque a Anatel espera 104 milhões de acessos M2M ativos no Brasil até 2025. O formato atual de 9 dígitos possui limitação de 100 milhões de possibilidades por DDD.

A proposta da Anatel é extinguir os números de acessos intrarredes para dispositivos que não trafegam entre prestadoras distintas nem necessitem de roaming ou interconexão. Nas aplicações em que roaming ou interconexão são necessários, como carros autônomos, continuariam sendo utilizados os números de celular.

Novos números nacionais de telefone

A Anatel propõe diversas ações:

  • Os números 400x, 0300 e 0500 não estão previstos na regulamentação atual. A agência propõe incorporar esses prefixos como números nacionais.
  • Números de utilidade pública: atualmente são utilizados com números de 3 dígitos, como 190 (polícia) ou 193 (bombeiros). No entanto, não existem critérios específicos sobre quais números são de utilidade pública. Aqui em Minas Gerais, por exemplo, o número 116 é atribuído à concessionária de energia elétrica, mas nem todos os estados utilizam o número de três dígitos. Isso tem um grande porém: com o mesmo número padronizado, pode ser difícil entrar em contato com a agência de energia elétrica em estados onde há mais de uma empresa atuando, ou mesmo para quem tem um celular de outro DDD e precisa falar com a companhia local.
  • Números para diferentes esferas do poder público: atualmente não há padronização. A Anatel cita o exemplo de ouvidorias, e cada esfera possui seu próprio número. A proposta padroniza os números. Quem ligasse para 162-10, por exemplo, seria direcionado à Ouvidoria Federal; 162-20 para ouvidorias estaduais e 162-30 para ouvidorias municipais.
  • Números de operadoras de combos e multisserviços: atualmente, uma mesma operadora tem diferentes números. No serviço de telefonia fixa, por exemplo, o prefixo é 103xx; na telefonia móvel é 105x; enquanto banda larga e TV por assinatura usam 106xx. Para as empresas que operam com mais de uma modalidade, seria utilizado o prefixo 107xx, por exemplo.

Adeus ao DDD: mudanças em ligações interurbanas

A proposta da Anatel quer permitir a marcação alternativa para qualquer operadora. Isso permite simplificar todo o processo de ligação interurbana e internacional, dispensando a necessidade de um código de seleção de prestadora, como 15 (Vivo), 21 (Claro/Embratel), 31 (Oi) e 41 (TIM).

Atualmente, apenas prestadoras de pequeno porte podem utilizar a marcação alternativa, e a mudança permitiria que o usuário de qualquer operadora, inclusive as grandes, possa discar para um DDD ou DDI sem digitar o CSP.

Além disso, a agência propõe o término de códigos de seleção de prestadora no fim da concessão do serviço de telefonia fixa. Isso deve acelerar o processo de retirada do código de operadora das ligações interurbanas e internacionais.

Outra medida é permitir a utilização de número de celular para telefones via satélite, que atualmente dependem de número estrangeiro. A Anatel diz que isso traria competitividade ao serviço e inibiria dificuldaes de encaminhamento de chamadas, visto que os números do estrangeiro podem ser confundidos com fraudes.

Numero fixo para conexões de internet banda larga

Uma das propostas mais controversas é numerar também os acessos de banda larga fixa, utilizando o mesmo padrão de telefones fixos.

A Anatel diz que isso deve permitir uma convergência tecnológica, facilitando a oferta de combos e tornando o serviço fixo mais competitivo com o móvel, que já oferece voz e dados.

Isso também gera alinhamento com outros instrumentos, como o Regulamento Geral de Outorgas, que estabelece outorga única para serviços de telecomunicações, bem como a mudança do foco de telefonia fixa para banda larga fixa.

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Guilherme da Silva Manso (@GuilhermeManso)

Eu até hoje não consigo entender porque não utilizamos o primeiro dígito do DDD (o inútil “0”). Só com isso já teria matado a necessidade de 8 ou 9 dígitos. Os americanos se assustam quando vou passar meu telefone, já que lá os números têm apenas 7 dígitos. Rs

Vítor Gomes (@vctgomes)

Finalmente vão matar essa porcaria que é código pra operadoras… por mais que os telefones atuais já insiram esse código, não deixa de ser irritante.

Já fiz por acidente uma ligação com o código errado e paguei caríssimo.

E nem devem adotar… eu tbm acharia melhor se os DDDs fossem por cidade e não região, como já acontece nos nossos telefones fixos.

FLeite (@fabioleitedias)

Mas o ddd fosse por cidade seria 5570 ddds…

Vítor Gomes (@vctgomes)

Nos telefones fixos são assim e às vezes até mais…

No caso daqui do meu é:

77 3451 ou 3452 (pré-fixo da cidade, ou quase um DDD) e os outros últimos dígitos seriam o número

Rafael Machado de Souza (@rafael.mds)

mas telefones fixos estão em desuso, ainda mais com tanta banda larga por fibra sendo instalada.
no caso de celulares esse prefixo seria inútil, justamente pelo fator de mobilidade do celular.

Alex (@wuhkuh)

Deveriam inserir uma obrigação: no ato de troca de CPF de um numero, o mesmo deverá ser excluído de todos os bancos de dados, pois quem nunca passou pelo inferno que é ficar recebendo ligação de cobrança do antigo dono. Tenho meu número há 5 anos e ainda recebo ligações atrás da possível antiga dona, um incomodo

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Os telefones fixo deveriam funcionar que nem os celulares quando se liga pro mesmo ddd, tudo deveria ser chamada local, e sem ter de colocar o ddd e código da operadora.
E sim, ainda uso telefone fixo vez ou outra pra resolver problemas de trabalho, a chamada não costuma cair, como acontece com o celular.

Rodrigo (@rodrigo1)

Na real se eles tivessem adotado, lá antigamente, mais códigos de área, ou criando ao longo do tempo novos códigos de área, como o colega falou acima, ser por cidade, por bairro, por quantidade de linhas, sei lá, não teria necessidade de tanto dígito.

Você tá certo que lá nos EUA são só 7 dígitos, mas o código de área é composto por 3 dígitos e existem mais códigos de área. O estado de São Paulo, por exemplo, vai de 11 a 19, são 9 códigos de área. O estado da Califórnia tem mais de 30 códigos de área. Só a CIDADE de Los Angeles tem uns 10 códigos de área. O mesmo ocorre em outros estados e cidades maiores.

Então, é muito comum quando alguém passa o número de telefone pra outra pessoa ela já passa com o código de área junto. O número de telefone fica, na prática, com 10 dígitos.

Edit: Não mencionei, mas lá existem regiões que são atentidas por dois códigos de área diferentes. Então, mesmo que você sabe exatamente de onde é o número da pessoa, não dá pra chutar qual o código de área.

Schio ☭ (@Sckillfer)

Não existe 0 no DDD, o ddd é composto por 2 dígitos e só, o zero é só um código que ia antes da operadora (não do DDD) e nem isso mais é necessário.

Schio ☭ (@Sckillfer)

Realmente, nem dava pra prever que IoT ia consumir muitos números a toa quando adicionaram o prefixo 9…

Perderam a chance de abolir o DDD para telefones móveis: não faz sentido segregar os números de acordo com a cidade de compra ao mesmo tempo em que se falava em proibir o roaming nacional; isso também resolveria o problema de um uma região sempre demandar mais números do que outras, enquanto acabaram em SP e RJ, alguns DDDs teriam com números de sobra com 8 dígitos até hoje.

Uriel (@Uriel)

Se for analisar bem são uns 10 digitos

@FastSloth87

Vamos comparar:
USA: +1 (555) 555-1234
BRA: +55 (55) 5555-1234

Se tirar o código internacional fica igual.

Jhonny (@jokalokao)

Como assim, são 10 dígitos. Tem o “Área Code” de três dígitos. Tem casos como em Houston TX que a cidade tem três Area Codes

Jhonny (@jokalokao)

Exatamente

Guilherme da Silva Manso (@GuilhermeManso)

Gente, de onde vcs tiraram que não precisa do “0” mais?? Ao menos para mim nenhuma ligação funciona se eu tirar esse número. Então, para mim, ele conta também.

Outra pessoa acima fez uma comparação retirando o quinto dígito, o “9”, do número para falar que é a mesma quantidade que nos EUA. Também não faz sentido.

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